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Quando mataram o Super-Homem

Quando mataram o Super-Homem

Rodrigo Piolho
19 de Novembro de 2002

Há exatos dez anos, em 1992, o Super-Homem passava por um dos períodos mais negros de sua longa história editorial. As vendas dos títulos do azulão como um todo despencaram de uma maneira tão alarmante nos Estados Unidos que, não fosse ele um respeitável senhor de 54 anos de idade e um dos maiores ícones das histórias em quadrinhos, provávelmente seus títulos caminhariam para o cadafalso.

Para evitar que tal medida drástica - e que, convenhamos, traria mais danos do que benefícios, visto o montante de dinheiro que a marca Super-Homem movimenta anualmente em merchandising - fosse tomada, o editor do Super na época, Mike Carlin, reuniu a equipe responsável pelos títulos da personagem, composta por Louise Simonson, Roger Stern, Dan Jurgens, Jerry Ordway, Jon Bogdanove, Tom Grummett, Jackson Guice, Dennis Janke, Rick Burchett, Doug Hazlewood, Denis Rodier e Brett Breeding para planejar uma linha de ação que colocasse o herói novamente no centro das atenções da mídia especializada e, com isso, fizesse com que as vendas de seus gibis se reaquecessem. Dessa reunião, ficou decidido que o melhor a se fazer seria criar uma grande saga onde o Super-Homem enfrentaria um novo vilão. Esse inimigo seria uma espécie de versão selvagem do Fanático, que se envolveria em um tremendo embate com a Liga da Justiça e o Super-Homem. Ao fim da história, o Super-Homem conseguiria deter o vilão, pagando a vitória com a própria vida. (Claro que não tenho a mínima idéia de como se deu essa reunião, estou só brincando com a hipótese).

A solução da DC para dar uma sacudida no marasmo que dominava as histórias do Super-Homem até então deu certo. A simples menção de que a editora planejava matar seu maior ícone fez com que não só as atenções da mídia especializada, mas também de outros setores da mesma, voltassem-se para a personagem. Até o Fantástico fez uma matéria sobre o evento. Além disso, a morte do Super-Homem gerou um belo lucro, já que, da história - e suas conseqüências -, surgiram novas personagens e títulos. Até um game para Mega e SuperNes, intitulado Death and return of Superman chegou ao mercado. A edição que mostrava o desfecho da grande batalha entre o Super e seu assassino vendeu pra caramba na terra do Tio Sam.

No Brasil, a coisa não foi muito diferente. A editora Abril preparou uma campanha especial para o lançamento da edição, que trazia 160 páginas contendo toda a saga. No pacote, vinha ainda um pôster do enterro do Super, no qual os maiores heróis da editora carregavam seu caixão, uma cópia da Superman 75 e um jornal fictício analisando as repercussões do evento. Eu me lembro de amigos que nunca tinham comprado um gibi fazerem fila pra adquirir o pacote, só porque trazia a morte do Super-Homem. Eu mesmo, que havia anos não acompanhava o azulão, garanti o meu exemplar.

A morte do Super-Homem foi um exemplo do que uma boa campanha de marketing pode fazer para ressuscitar as vendas de uma personagem. Mas, e a história em si? Seria a Morte do Super-Homem também um exemplo do que poderíamos chamar de um clássico dos quadrinhos, algo no mesmo patamar de um Cavaleiro das Trevas ou A piada mortal? Posso garantir que não. A história, como veremos na resenha a seguir tem a maior cara de coisa feita às pressas.

A morte do Super-Homem


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