Sherlock Holmes - The Game of Shadows
EUA
, 2011
- 129 min.
Ação /
Aventura
Direção:
Guy Ritchie
Roteiro:
Michele Mulroney, Kieran Mulroney
Elenco:
Robert Downey Jr., Jude Law, Jared Harris, Kelly Reilly, Stephen Fry, Noomi Rapace, Rachel McAdams
Para um personagem secular, Sherlock Holmes está bem na moda. Além desta franquia de filmes estrelada por Robert Downey Jr. e que traz Jude Law como Watson, a criação de Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930) também está na TV, com uma série da BBC que o coloca resolvendo crimes nos dias de hoje, além da sua versão médica chamada House. E como toda pessoa inteligente - e nós sabemos como ele é acima da média - Sherlock Holmes aprende com os seus erros.
Neste segundo filme dirigido por Guy Ritchie, toda a ação exagerada do terceiro ato é dissolvida em várias outras boas sequências, dando ao cérebro (nosso e do personagem) mais espaço para trabalhar. Não me entenda mal, a história continua cheia de aventuras, perseguições e pancadaria, mas tudo isso aparece agora envelopado em uma trama mais atraente para quem sempre gostou das investigações conduzidas pelo teimoso, egocêntrico e genial personagem. Muito disso graças ao vilão escolhido, o grande arqui-inimigo de Sherlock, Moryarty. O personagem já havia aparecido nas sombras durante o primeiro filme, mas agora finalmente mostra sua cara.
Especulava-se durante o primeiro filme que Moriarty poderia ser interpretado por Brad Pitt, que havia feito Snatch com Ritchie, mas não dá para reclamar da performance do escolhido Jared Harris (Mad Men). Falta-lhe o carisma do marido da Angelina Jolie, mas tudo bem, afinal ele é o vilão, e Harris dá ao personagem a astúcia necessária para alguém que se acha acima da média e trava uma poderosa batalha com Sherlock. O embate derradeiro entre os dois - ao lado de um tabuleiro de xadrez - é uma das melhores cenas da franquia até agora, pois dá uma nova utilização a um efeito que já começava a ficar enfadonho, de tanto que havia sido utilizado.
Outra cena que chama muita atenção é a fuga pela floresta. Para filmá-la, o cineasta utilizou a câmera Phanton, que grava até mil quadros por segundo (uma câmera normal faz 24). Correndo com ela através das árvores, vemos a potência dos disparos feitos contra nossos heróis, que passam em altíssima velocidade destruindo tudo ao seu redor. É o arsenal que Moriarty quer espalhar pela Europa, plano que Sherlock vai desvendando aos poucos.
A trama é uma versão macro do que se vê no livro O Problema Final (1893), em que o detetive começa a suspeitar que uma série de roubos não poderia ser mero acaso e que alguém maior por trás de todos eles. Em O Jogo de Sombras (Sherlock Holmes - The Game of Shadows), tudo isso é expandido para muito além de Londres, levando o investigador e seu parceiro Dr. Watson à França, Alemanha e Suíça, para tentar deter Moriarty e a primeira Guerra Mundial. A cada novo cenário são mostrados o desenvolvimento presente no fim do século 19, como a construção do metrô de Londres e a basílica da Sacré-Coeur, em Paris.
Além de Watson, que agora está casado com Mary (Kelly Reilly), Sherlock utiliza também a ajuda de seu irmão, o não menos excêntrito Mycroft (Stephen Fry) e a cigana Simza (Noomi Rapace). Aliás, as cenas de ação em que a atriz sueca aparece são pontuadas por uma empolgante trilha sonora composta por Hans Zimmer (Batman - O Cavaleiro das Trevas), que mais uma vez utiliza violinos. Falta à Simza, porém, algo para ganhar o público. Os roteiristas acertaram ao não colocá-la para substituir Irene Adler (Rachel McAdams) como interesse romântico de Sherlock, mas sem este elemento, lhe falou algo que fizesse o público se interessar mais pela personagem.
Com mais acertos do que erros, Sherlock Holmes - O Jogo de Sombras consegue superar o primeiro filme, mantendo o personagem divertido o suficiente para um cada vez mais elementar terceiro filme.
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