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Terapia de Risco | Crítica

Steven Soderbergh mostra sua versatilidade em suspense feito de inversões de expectativa

Marcelo Hessel
16 de Maio de 2013

Terapia de Risco

Terapia de Risco

Side Effects
EUA , 2013 - 106 minutos
Suspense

Direção:
Steven Soderbergh

Roteiro:
Scott Z. Burns

Elenco:
Jude Law, Rooney Mara, Chaning Tatum, Catherine Zeta-Jones, Polly Draper, Vinessa Shaw

Ótimo
terapia de risco
terapia de risco

Emily Hawkins (Rooney Mara) não responde bem ao retorno de seu marido (Channing Tatum) à sociedade, depois que ele termina de cumprir pena por favorecimento ilícito em um negócio na Bolsa de Valores de Nova York. Deprimida, ela consegue com um psiquiatra (Jude Law) uma receita para testar um novo remédio contra ansiedade. Medicada, Emily sofre os tais efeitos colaterais do título original de Terapia de Risco (Side Effects).

No papel e durante a sua primeira metade, o novo filme do diretor Steven Soderbergh parece misturar elementos dos dois anteriores, Contágio e Magic Mike. O monocromatismo (tirando os tubos laranjas dos remédios tudo no filme são variações de cinza), o linguajar técnico e o estilo seco (poucos tempos mortos, muita coisa filmada só com plano geral->médio->close-up) formam um drama de procedimento parecido com o de Contágio. Já o recorte moral da realidade lembra Magic Mike (e um pouco de Traffic), tendo a atual recessão nos EUA como pano de fundo e com personagens vitimizados pelas opressões do sistema e pelo estado das coisas.

Então a expectativa que Soderbergh e o roteirista Scott Z. Burns (o mesmo de Contágio) criam é muito específica - particularmente quem viu os dois longas anteriores pode achar que dá pra antever todas as viradas de Terapia de Risco em poucos minutos. Como o cineasta já decretou sua aposentadoria, e seus longas recentes automaticamente se tornam uma contagem regressiva, fica fácil ver nesse corpo de filmes um objeto só. Mas daí vem a segunda metade de Terapia de Risco...

As cenas em cartões-postais de uma Nova York moderna - o High Line Park, as portas giratórias do Le Cirque, os janelões do consultório - davam a entender que Emily e seu marido, esse ex-casal-modelo de um sonho americano falido, foram engolidos pelas ilusões das luzes da cidade (a Manhattan vista de longe, do barco, parece maior e mais inacessível). Mas quando vem a virada, fica claro que toda a primeira metade de Terapia de Risco era feita de "arenques vermelhos" (falácias como recurso literário são conhecidas em inglês como red herrings), pistas falsas que sugeriam que as pressões, na história de Emily, vinham de fora para dentro, quando na verdade operam de dentro para fora.

O drama macro, que parecia analítico e distante, dá lugar a um suspense micro, em que os zooms nas janelas (imagens que abrem e encerram o filme) servem de aparadores desse micromundo. Na segunda metade, Soderbergh deixa de filmar tudo sem foco e passa a usar um recurso parecido com o tilt-shift do Instagram: o monocromatismo continua mas objetos e rostos entram em foco em hipercloses, como se passassem a ser reais, palpáveis, dentro da proposta de Terapia de Risco, que não é ser um exercício de observação isento mas sim um filme de plot de fato - mais próximo de um thriller erótico à moda Joe Eszterhas, com seus jogos de poder e inversões do machismo, do que se poderia supor.

O prazer ao fim de Terapia de Risco então é ver que Soderbergh, nesse prometido final de carreira, recusa a grandiloquência de um filme-denúncia - um discurso sobre o estado das coisas que a primeira metade sugeria - e encontra um agradável equilíbrio entre o cinema comercial, de gênero, de seus maiores sucessos de bilheteria, e o cinema de autor dos seus filmes-de-festival. Se ele parar mesmo de filmar, Terapia de Risco servirá como fiel testamento dessa versatilidade, pela qual Soderbergh sempre foi conhecido.

Terapia de Risco | Cinemas e horários



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Comentários (16)

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Caua Caua (10/07/2013 12:02:39)   -2 0
Um filme muito bom!
Quem critica reviravoltas, que fique com algo mais trivial... mais sacado.

Nunca imaginaria como o filme iria seguir. Muito boa a trama, bem amarrado, bem feito.

Nota 9 (só não dou 10 pois acredito que ele poderia ser melhor filmado). Não sei... faltou algo nas lentes, na iluminação que não me deixa dar 10...



João João (23/06/2013 14:13:47)   105 1
Bom roteiro, mas o que mais me surpreendeu foi ver que o Channing Tatum sabe atuar.



sem avatar Sérgio (01/06/2013 16:23:04)   4 0
Prezados,

sugiro outra crítica sobre "Terapia de risco":

http://cinematographecinemafilmes.wordpress.com/2013/06/01/terapia-de-risco-2013/

Abraço


sem avatar Maria Clara Inaê (04/07/2013 15:33:51)   0 0
Boa sugestão, Sérgio. A crítica reflete exatamente o que eu pensei ao ver o filme. A atmosfera do filme atrai, mas o roteiro, a partir de certo ponto e ao término do filme, não me convenceu, não....


claudio claudio (23/05/2013 23:24:35)   20 0
Ótimo filme !! Só que me bateu uma tristeza sabendo que esse é um dos ultimos filmes desse grande diretor !



Roberto Roberto (22/05/2013 20:00:46)   52 0
Coisa séria. Sempre tendo este ótimo site como bússula a gente se "acultura" cada vez mais.

Vi duas horas atrás.
Serei econômico nas palavras.
O filme, é nada mais nada menos, do que FELOMENAL. ponto.

Estará tranquilamente no top 10 do ano, junto a "Em Transe", e "Men of Steel".

Abrax.


G. brucew G. brucew (03/07/2013 20:55:44)   1645 0
exatamente cara, é triste ver que nesse momento a critica tem uma reação de míseros 14 coments, esse filme merece mais, esses últimos trabalhos do Soderbergh são muito bons...


Alerson Alerson (20/05/2013 23:30:59)   1332 0
Vi o filme hj mas pelo fato de ser o 'último filme' do Soderberg pros cinemas(duvido,em breve ele volta).Mas me surpreendi,Rooney Mara tá muito bem,assim como o resto do elenco(Tatum faz só participação então tudo bem),além da reviravolta mirabolante que achei muito bem orquestrada.Um ótimo filme.



sem avatar Daniel (19/05/2013 23:28:22)   -3 0
Assisti ao filme, mas fiquei decepcionado. Também nunca fui grande fã deste diretor, mas achei o final totalmente ridículo, simplório para uma trama que tinha tudo para culminar de grande forma. Faltou originalidade.



joe joe (19/05/2013 23:17:05)   12 -2
Achei muito fraco. No final me lembrou o já clássico "Garotas Selvagens", com reviravoltas fantasiosas. Teria sido muito melhor se o roteiro continuasse tratando o assunto como algo sério e com tom de denúncia. Se essa "inversão de expectativa" tivesse sido feita por outro diretor, teria levado 1 "ovo".



Pedro Pedro (17/05/2013 22:03:40)   9 0
Muito bom o filme! Um dos melhores que vi este ano.

Só lamento essas traduções de título.. poderia ter ficado "Efeitos colaterais", como é o original.



Pyro Pyro (17/05/2013 13:24:11)   915 0
Confesso que gostei. O primeiro ato é realmente entediante, mas depois pega fôlego e rende um final no mínimo curioso e excitante rs

Vale conferir!



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sem avatar TIAGO (16/05/2013 22:00:36)   0 0
Filme muito bom, e otimá critica Hessel..



Raul Raul (16/05/2013 21:28:59)   1069 -1
Assistirei sem grandes expectativas. Nunca fui fã de Soderbergh, mas acho que vale a pena da uma conferida.



@_mangekyou @_mangekyou (16/05/2013 21:21:23)   1 0
Esse já esta enfileirado no Torrent kkkk


sem avatar Flavio (17/05/2013 20:18:08)   61 0
kkkkkk
Eu "se" divirto!
Mas, brincadeiras à parte, torrent foi a maior invenção depois do advento da internet!



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