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Summer Soul Festival 2012 | Bruno Mars, Florence and The Machine, Rox, Dionne Bromfield e Seu Jorge

Muitas vozes poderosas no evento que reuniu novos nomes do soul britânico ao pop dos EUA

Carina Toledo
25 de Janeiro de 2012

Dionne Bromfield
Dionne Bromfield
Rox
Rox
Florence and the Machine
Florence and the Machine
Seu Jorge
Seu Jorge
Bruno Mars
Bruno Mars

Não faltaram grandes vozes no Summer Festival 2012, que aconteceu nesta terça-feira em São Paulo, na Arenha Anhembi.

Dionne Bromfield, afilhada de Amy Winehouse - que tocou neste mesmo festival em 2011 - abriu as atividades com muita empolgação e uma linda voz. A plateia não estava muito participativa, afinal aquele ainda era o primeiro show e o sol ainda brilhava no céu. Sem se abalar, Bromfield interagia com o público com seu jeito cativante, porte petite e, apesar da idade (ela completa 16 anos na próxima semana), demonstrou muita segurança - e com uma voz tão potente como aquela, não há mesmo muito motivo para inseguranças.

No repertório, músicas de seu tua turnê atual, como "Move a Little Faster", "Good for the Soul", faixa título de seu segundo disco, e "Foolin", que foi seu segundo single no Brasil e teve mais adesão do público. A animação geral veio mesmo com um cover de "Forget You", a música de Cee Lo Green em versão comportada. Fez ainda uma homenagem à sua madrinha, misturando as músicas "Ain't No Mountain High Enough", cover de Marvin Gaye e Tammi Terrell que consta em seu álbum de estreia, e "Tears Dry On Their Own". Ao final do show, Dionne Bromfield era ovacionada pela plateia e, cheia de sorrisos emocionados, anunciou sua última música e single atual, "Yeah Right", fazendo todos dançarem com gosto.

A segunda atração da noite foi a também britânica Rox e, se o festival começou com uma garota-prodígio, agora tínhamos no palco uma mulher. Ao som dos primeiros acordes de "Bang Bang (My Baby Shot Me Down)", Rox entrou no palco cantando a icônica música de Nancy Sinatra e já engatou "No Going Back", seu single de estreia, lançado em 2009. Vestindo um longo azul com uma fenda na perna, salto alto e batom vermelho - quase uma diva à moda antiga, se não fosse por seu cabelo curtinho e descolorido -, a cantora conduzia seu show com muita sensualidade e ia aos poucos conquistando a plateia, pouco familiarizada com suas canções.

Depois de levantar o público com o raggae "Rocksteady", o show animou mesmo com "My Baby Left Me", sua música mais conhecida no Brasil, por ter sido trilha sonora de uma novela da Rede Globo, Araguaia. Rox ainda trouxe uma pitada pop com um cover mais lento de "Only Girl in the World", que muitos demoraram para associar ao hit de Rihanna, e os que reconheceram esperaram em vão as batidas batidas dançantes. Com muita presença de palco, Rox foi encerrando seu show com "Breakfast in Bed", "Precious Moments" e "I Don't Believe".

Cerimoniosamente Florence

Seguindo o conceito de seu novo álbum, Ceremonials, o palco do Florence and The Machine foi montado como um templo. Ao fundo, uma projeção de vitrais art déco acompanhava uma enorme harpa e um piano, compondo o clima sacro. A vocalista Florence Welch entrou no palco com um vestido longo de mangas esvoaçantes (seguindo a paleta de laranjas e amarelos da projeção), que faziam com que suas danças suaves e linguagem corporal nos remetessem a algum ser etéreo, quase como uma elfa ou fada, prestes a transcender.

O setlist equilibrou músicas do primeiro álbum, Lungs (2009), e seu lançamento mais recente, que já teve grande adesão do público. A banda abriu seu show com a poderosa "Only If for a Night", que também abre o segundo disco do grupo, seguida de "What the Water Gave Me". Em suas interações com a plateia, Welch transmitia muita doçura e amorosidade, contrastando com sua voz potente. De fato, não faltou amor entre plateia e banda, especialmente no hit "You've Got the Love", que seguiu "Cosmic Love". Outro momento bonito do show foi a homenagem de Florence Welch a Etta James, cantando a capella "Something's Got a Hold On Me", a música que a fez ser descoberta, em 2007.

Os pontos altos da apresentação foram sem dúvida "Shake It Out" e o hit "Dog Days Are Over", indo contra a abordagem conservadora usada por muitos artistas em turnê internacional (e que predominou no Rock in Rio 2011, por exemplo), que é deixar seu maior sucesso para o fim, para fechar o show em clima de catarse total. Com Florence and The Machine, a loucura veio lá pelo meio, fazendo a plateia pular e se entregar, e foi seguida de um respiro com "Rabbit Heart (Raise It Up)", "Spectrum" e, para fechar, a linda "No Light, No Light". O show chegou ao fim com um sentimento de completude misturado com um desejo de que ela ficasse ali por mais uma hora, cantando todas as músicas de seu repertório. Como conseguiria alguém se apresentar depois daquilo?

Sem esforços para o Brasil

Realmente, não foi tarefa fácil para Seu Jorge conquistar a plateia em sua posição desconfortável no line-up, pois aqueles que não estavam extasiados por Florence and The Machine, estavam esperando ansiosamente por Bruno Mars, headliner do festival. No entanto, a impressão que ficou é que talvez o brasileiro nem quisesse conquistar ninguém, se afinal todos estavam ali era para ver os gringos. Vestindo um impecável terno vermelho e óculos escuros, Seu Jorge chegou ao palco sem cumprimentos para o público (quem ficou responsável pela maior parte das interações foi seu DJ) e levou o show em piloto automático - não foi à toa que durante sua apresentação só se falava de Ashton Kutcher, que estava na área vip com a modelo Alessandra Ambrósio. O setlist veio cheio de seus maiores hits, como "Minha do Condomínio", "Carolina", "Burguesinha", "Vizinha" e "A Doida", mas poucos cantavam junto, apenas dançavam, espalhados pela pista.

Da mesma maneira que chegou, Seu Jorge foi embora do palco sem se despedir, apenas virou as costas e foi. Quem sabe em um show só seu ele seja mais amistoso...

Loucura adolescente

Olhar o mar de garotas ansiosas pelo show de Bruno Mars foi um lembrete do poder que as rádios continuam a exercer, e se o cantor havaiano ainda não tem cacife para ser headliner lá fora, aqui no Brasil ele mostrou-se muito popular.

Seu som comercial combina soul, rock anos 50 e batidas "gostosinhas" à la Jack Johnson, mas não trazem nenhuma grande inovação. O fascínio ali está mesmo em seu jeitinho crooner e a maneira como ele joga sorrisos e rebolados para as garotas da plateia, que gritavam enlouquecidas por qualquer coisa que fizesse. O charme estava mesmo funcionando, tanto que começaram a gritar para ele o refrão de Michel Teló em inglês - seria "delicious, delicous, this way you're gonna kill me" o novo "lindo, tesão, bonito e gostosão"? A sorte é que Mars não entendeu nada e continuou seu show como se nada tivesse acontecido.

A apresentação foi animada e Bruno Mars mostrou-se muito competente ao vivo, sempre esforçando-se para agitar o público. Um elemento interessante era a quantidade de músicos no palco, às vezes transformando tudo em uma grande festa, com todos movimentando-se ao mesmo tempo. Em outros momentos, o show parecia-se muito com o de sua amiga Janelle Monáe (com quem chegou a fazer turnê pelos EUA), muito marcado com coreografias e os músicos do segmento de metais combinavam seus instrumentos com passos de dança. No setlist estavam seus maiores sucessos, como "Billionaire", "Runaway Baby", "Marry You", "The Lazy Song" e "Just the Way You Are", que emocionou aos fãs já no final do show. Voltou para o bis com "Talking to the Moon", e despediu-se de vez.

Em 2011, o Summer Soul Festival chegou à sua segunda edição com a intenção de amarrar bandas heterogêneas por sua inspiração soul. Enquanto o evento foi sem dúvida um sucesso comercial, com 22 mil pessoas na plateia, a mistura ficou um pouco estranha para quem assistia, e a escalação que começou tão coesa deixou alguns pontos de interrogação ao fim da noite. Fica o desejo que o festival se mantenha mais fiel ao seu título no ano que vem.

Leia mais sobre Summer Festival

Fotos: Stephan Solon


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Comentários (13)

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Diego Diego (27/01/2012 18:56:47)   -5 0
Eu estava lá (com o povão e não na área vip)e posso afirmar que o show da Florence and the machine foi o melhor SIM. Nunca ouvi falar nessa mulher e foi uma grande surpresa. Foi excelente e TODOS pularam, gritaram,curtiram. Aquela mulher tem um vozerão e as suas musicas foram bem incríveis. Realmente os shows depois foram bem medianos comparado ao dela, Bruno Mars ao vivo não é nada demais, parece um cantor comum sem nada de surpreendente.
Sou fã dessa Florence agora :)



Fernando Fernando (26/01/2012 21:07:31)   3 0
Só pra deixar claro, a parte do festival que eu vi foi na MTV. E me retratando, não quis dizer que a Carina errou em algo, já que ela só descreveu os shows na visão dela; visão da qual eu, melhor dizendo, discordo.


Carina Carina (27/01/2012 12:46:42)   70 4
Fernando, é claro que eu escrevi o texto de acordo com minha visão! Isso aqui não é um release de imprensa, é um artigo opinativo. Não temos nenhuma ambição de ser imparcial em artigos (objetivo que rege a lógica das notícias, por exemplo). No Omelete, a pegada é mais essa mesmo. Se vc quiser outro tipo de texto, sinta-se livre para buscá-lo, a Internet é muito vasta...

Grande abraço.

Fernando Fernando (27/01/2012 21:12:06)   3 0
Certo, obrigado.


Fernando Fernando (26/01/2012 16:25:34)   3 0
Não pude ver os dois primeiros shows, mas tenho certeza de que Dione (cujo nome eu já ouvi ser pronunciado de diversas formas) honrou sua madrinha. Tanto ela quanto Rox são relativamente novas e aqui no Brasil, ainda não são populares. Espero uma reprise do show pra conferir se aproveitaram sua chance de mostrar ao povo brasileiro que são boas.

Por pura birra, deixei de ver Florence + The Machine mesmo sendo minha banda preferida do line-up do festival. Desde a primeira vez que ouvi Lungs, Florence Welch me tocou com sua voz e, pra mim, é uma das melhores cantoras da atualidade. Por mais que tenham dito que fora da área vip esse não foi o melhor show, só o fato de Florence + The Machine estar ali já me traz a impressão de que muita gente não se arrependeu de ter pago ingresso.

Posso estar errado e/ou colocando meu lado fã neste comentário, mas acho que a Carina se equivocou na hora de dizer que Seu Jorge não foi amistoso. O cara parece mesmo marrento, mas encaro mais como um charme tímido, de quem simplesmente estava ali pra fazer sua parte. É por pessoas como ele que tenho orgulho de ser brasileiro, não só pela história de vida, mas pela consciência política expressa no seu discurso final. Musicalmente, Seu Jorge realmente ficou complicado com a vaga que lhe deram no line-up, mas foi um anfitrião digno e fez um show... bom.

Pra terminar: Peter G. Hernandez. Tirando o fato da quase impregnante música de Michel Teló ter se intrometido até em tal evento e as fãs parecerem estar vendo um show do Justin Bieber, foi um show bom de se ver. O fato de Bruno Mars anunciar que busca uma esposa tirou o foco do fato de que ele é um excelente músico (momento dos covers clichês deixa isso bem evidente). As boas coreografias, as brincadeiras no palco e o charme jogado para as garotas (que nenhuma parecia entender) divertiram não só a quem via, mas também a quem estava no palco.

Quanto ao propósito do festival, acho que focaram mais nas influências e variantes do soul do que no gênero em si como foi dito. Mas, parando pra pensar, nenhum evento é inteiramente dedicado fielmente a um único gênero (que diga o Rock in Rio).

Minha visão (:


sem avatar Noir (10/02/2012 11:56:52)   134 0
Não sei, mas os shows do Seu Jorge costumam ter críticas semelhantes, muita gente reclama exatamente do mesmo que a Carina, muitos descrevem os shows dele como sendo chatos e insossos.


Janine Janine (26/01/2012 16:18:54)   16 0
Fã do Bruno Mars encheram o saco, vi o show da Florence, q foi mt bom.



Danilo Danilo (26/01/2012 12:17:47)   0 0
Sabendo que o Summer Soul Festival é um festival novo e que, em seu primeiro ano, trouxe Amy Winehouse num line-up extremamente coeso, preciso manifestar minha opinião sobre o que poderia ser uma incrível segunda edição, mas o verbo não perdoa e acabou não sendo. Eis o porquê:

1. OK, sabemos o quanto é dificil investidores trazerem bandas ótimas e desconhecidas para o Brasil. Então agradeço, sinceramente, por trazerem Florence and the Machine. Não que a banda seja desconhecida, pelo menos não no meio em que vivo e com as pessoas que me relaciono, mas comparando com Bruno Mars, que possui no mínimo 4 músicas nas rádios de todo o país, então sim, é desconhecida.

2. Combinar lucro com excelência nem sempre é uma tarefa fácil, já sabemos disso. Mas o que não entendemos é o fato dos mesmos caras que tiveram a brilhante ideia de trazer Florence and the Machine (que em sua essência lembra um pouco as divas soul, mas ainda assim não tem a ver com o estilo) para um festival que se chama Summer Soul Festival, também juntar Bruno Mars (este sim, de Soul não tem absolutamente nada, talvez só o visual preppy-anos 50-wannabe) e Seu Jorge no mesmo line-up. Analisando esses dois últimos, até parece que o artista precisa apenas ser negro para ser considerado soul. Sobre Rox e Dionne Bromfield, não poderiam ter acertado mais, pq ambas são ótimas e representam o festival com exatidão.

3. Não gosto de Bruno Mars, mas isso não vem ao caso, porque respeito quem gosta do cantor, assim como exijo respeito pelo o meu gosto. Mas quando se junta duas bandas, cujos fãs não tem nada a ver uma com a outra, causa um alvoroço só. Isso foi perceptível pela falta de educação que muitos se trataram durante o festival. Além disso, tivemos os amantes de Seu Jorge...

4. Lembro ainda que a produtora XYZ, responsável pelo evento, também é responsável pelo festival Pop Music Festival. Fica minha dúvida: por quê diabos não colocaram Bruno Mars no line-up deste festival? O nome já o representa. Está mais do que claro que a ganância pelo lucro, mais uma vez, supera o respeito pelo público, que ali estava pagando cerca de R$ 480,00 para um line-up extremamente "XYZ".

5. Não cometam novamente o mesmo erro que o Rock in Rio em 2001, quando juntou Britney Spears e Iron Maiden num mesmo festival. Façam uma terceira edição realmente boa.

6. Apesar de, o show da Florence foi simplesmente incrível e surpreendente. Alguns amigos não puderam dizer o mesmo, já que foram proibidos de pular e se divertir pelos fãs rabugentos do Bruno Mars, que os encurralavam gratuitamente, simplesmente por não conhecerem "a mulher ruiva em cima do palco". Brasil, país de educação.



Romualdo Romualdo (26/01/2012 11:26:55)   1431 2
Florence é demais mesmo! Espero um show da turnê aqui no Rio.



gabriela gabriela (26/01/2012 00:39:54)   0 0
Acho a Carina competente, e com bom gosto, já que notavelmente gosta mais de Florence do que de qualquer banda que tocou no Summer Festival, porém os comentários pareceu de uma menina que ficou apenas na área VIP sem notar o que acontecia atrás... o show da Florence foi muito bom, mas não foi o melhor nem o mais "empolgante"



rodrigo rodrigo (26/01/2012 00:37:13)   90 0
Vi pela tv também, e o show Seu Jorge eu pelo menos achei legal pra caramba!!



Alerson Alerson (25/01/2012 15:27:33)   382 1
Vi o show pela TV e sem dúvida na minha opinião o melhor show foi da Florence,a voz daquela mulher é perfeita demais,calma e ao mesmo tempo forte.Como disse um dos apresentadores da MTV 'ela é uma fada'.


Audrey Audrey (25/01/2012 16:02:18)   238 2
Né. Também vi, na verdade assisti o show todo só pra ver o dela. Uma pena que ela não vai se apresentar com shows só dela.Por mim num show assim ela podia cantar todas as musicas(kkk algo impossivel) que eu ouviria as 3 horas de show numa boa...



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