Omelenautas:
<<Carlos Saldanha teve sua primeira chance como diretor principal de uma grande animação há 5 anos, com A Era do Gelo 2. Parceiro de Chris Wedge no comando da Blue Sky Studios, Saldanha, fanático por animações e efeitos visuais (que, essencialmente, são animações também) consegue casar o comercialmente viável com uma homenagem à sua cidade natal em Rio (EUA/2011). Animação divertida, Rio estabelece de vez a excelência da Blue Sky em termos técnicos, porém, os filmes do estúdio ainda carecem da ambição narrativa presente em seus principais concorrentes, como a Pixar/Disney, ou até mesmo a DreamWorks Animation.
É contada a história de Blu (Jesse Eisenberg), arara azul criada com todo o conforto e mimo por sua dona Linda (Leslie Mann) no frio estado americano de Minnesota, até o momento em que aparece Tulio (Rodrigo Santoro), um pesquisador de aves brasileiro que precisa trazer Blu ao Rio de Janeiro para acasalar com a arara azul fêmea Jewel (Anne Hathaway), visto que ambos os pássaros são os últimos da espécie. Já no Rio, como diria o locutor da Sessão da Tarde, os pássaros viverão aventuras alucinantes, envolvendo contrabandistas de aves, carnaval, passeios de asa delta, micos e quantos clichês cariocas mais vocês desejarem.
Os clichês, bastante debatidos durante a fase de divulgação do filme, não são um problema, no meu ponto de vista. Além de nada pejorativo ter sido mostrado (na verdade, muito do que poderia ser apresentado sobre a realidade do Rio de Janeiro foi omitido), não se pode esquecer que é um filme produzido com foco no mercado internacional, e apresentar elementos familiares ao espectador gringo pode ajudar a vender o filme.
Apesar de em geral ser divertido, e em muitos momentos fofo, Rio reflete uma visão de trabalho da Blue Sky, presente em todas as animações do estúdio, que a impede de se tornar a empresa capaz de rivalizar com a Pixar. O fato é que parece não haver muito esforço dos roteiristas em realmente agradar aqueles que não são mais crianças pequenas, ou seja, que querem algo além de bichinhos fofinhos e bonitos. Não que o filme chegue a ser chato, ou mesmo bobinho demais, mas fica aquela sensação de que ficam faltando ganchos narrativos mais elaborados, bem como piadas que não apelem tanto para o visual apenas, como no caso dos trejeitos engraçados dos passarinhos Nico (Jamie Foxx) e Pedro (Will.i.Am).
Apesar desses problemas, Rio oferece alguns momentos realmente divertidos e empolgantes. Saldanha e o time de animadores investem no que realmente sabem fazer: cenas de ação com 3D calibrado. Como já mencionei em outras críticas, a Blue Sky é o estúdio de animação que explora de forma mais competente os efeitos em terceira dimensão, e em Rio não é diferente. A paleta de cores do filme também é de encher os olhos, vide as sequências de abertura do filme e a que apresenta uma perseguição em pleno desfile de carnaval na Marquês de Sapucaí.
Mais um ponto positivo para a dublagem brasileira do filme. A dublagem em português, realizada em um estúdio também do Rio de Janeiro, procurou inserir algumas gírias cariocas no texto, na medida do possível. Fato interessante que ocorreu foi que entrei no cinema para uma sessão dublada, porém, logo no começo, o funcionário do cinema cometeu um erro e iniciou a projeção com uma cópia legendada. Algumas pessoas, mesmo sem ter filhos pequenos, levantaram e foram solicitar que a projeção fosse dublada. Ou seja, os filmes dublados não são tão marginalizados como muitos pensam…
Feijão com arroz falta a Blue Sky se o estúdio almeja ser tão grande quanto a Pixar, ou ter seus filmes como objeto de culto, como algumas produções da DreamWorks. Mas nem por isso Rio deixa de ser um filme simpático, e uma homenagem carinhosa de Carlos Saldanha para com a cidade onde nasceu.
Notas (numa escala de 0 a 5):
- Imagem: 5
- Som: 5
- Geral: 2.5>>
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Pelo visto a crítica acima não difere muito da crítica do Omelete, apenas no fato de Forlani esquecer de avaliar a parte técnica (os efeitos 3D, animação e trilha sonora).
Roteiro regular, clichês não ofensivos (mas clichês de qualquer forma) e belas imagens (esta o Forlani não comentou).
Fui...