"Enfiando a trilogia nova 'que ninguém gosta' na antiga"
Eu gosto de ver como se enfia palavras na boca dos outros...
Não considero que o episódio 1 tenha um dos roteiros mais fracos da saga. De fato, vejo extamanete o contrário.
Os roteiros da trilogia clássica são mais simples. Mais diretos, mais catárticos.
Vejo os roteiros da nova triogia como mais complexos, mais carregados de nuances ... mais bem preparados mesmo!
(pelo menos o do episódio 1)
É só pensar em quantas vezes você teve que ver o episódio 1 pra poder entender exatamente o que se passou (com TODOS os detalhes).
Nos filmes clássicos qualquer criança entende o que se passa.
É tudo simples.
Não prestar atenção que o Imperador dissolveu o antigo congresso da república ou saber o que é república e o que é império não dificulta a compreensão de nada.
Pergunte a uma criança o que aconteceu no episódio 1. Porque Naboo foi atacado ? O que queria a Federação do Comércio ? O que queria realmente Lord Sidious ?
Episódio infantil da saga nem aqui nem em uma galáxia muito distante...
Roteiro fraco é DEFINITIVAMENTE o que o episódio 1 não tem !
Coloco aqui um texto meu de muito, muito tempo atrás, próximo ao lançamento original do filme:
SW a filosofia do episódio 1
ARCANO Escreveu:
Gostei mais do The Phamtom Menace porque, de todos os filmes da saga, é o que melhor desenvolve a
filosofia dos Jedi. Não de modo teórico como na trilogia clássica, mas
na prática, na extensão de toda a história.
Todo o roteiro do filme tem uma simbologia e metáfora muito fortes.
"não entendi... desenvolve a filosofia? como assim? naquela balela de midi-clorians? não existe nada mais filosófico (em SW) que o inicio do treinamento do luke com o yoda..."
Os midi Chlorians fazem parte...
Vamos fazer uma análise do Episódio 1 - -
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George Lucas, no episódio 1, conseguiu me surpreender ao construir um personagem de destaque extremamente interessante sobre a forma de uma criança de nove anos.
(Mais ou menos como ele havia feito, anos antes com o Jovem Indiana Jones na TV)
Alguns falam da má interpretação do Jake Loyd, mas eu não vejo assim, vejo um personagem que é realmente uma criança, interpretado como uma criança deve ser.
Pra mim THE PHAMTOM MENACE é um filme de nuances, de sutilezas.
As pequenas ações e micro reações de Anakin, que sugerem os traços de personalidade que definirão o seu futuro são muito interessantes de serem observados.
Ele é apresentado como um ser de grande harmonia, com um grande potencial para reação, mas também com grandes ressentimentos para com aqueles que tem o poder de lhe infligir grandes privações.
Pode-se ver claramente a carga de reação que ele vai adicionando com o decorrer dos acontecimentos. Carga essa que futuramente virá a explodir em algum momento.
Harmonia é o que define também os Jedi, de cujos feitos só havíamos ouvido falar, através dos outros episódios da saga. Sua filosofia está implícita e explícita através das várias seqüências através da história do filme
O diálogo inicial dos Jedi é uma de minhas passagens preferidas: “I have a bad feeling about this” “I don’t sense anything” “It’s not about the mission, master. It’s something elsewere... delusive...” “Don’t center on your anxiety, Obi- Wan. Keep your concentration here and now where it belongs” “Master Yoda says should be mindful of the future." " But not at the expense of the moment. Be mindful of the living force, my young padawan.”
Mostra um tipo de maturidade comportamental que Obi Wan tentou passar na série clássica (e conseguiu) mas através de explicações mais didáticas. Longe da eficiência de passagens como essa.
Os outros diálogos posteriores e todo o posicionamento que Qui- Gon adota diante das adversidades, dos problemas e dos impasses, nos permitem entrar em contato com um aspecto muito significativo do que vem a ser a filosofia Jedi.
Por isso Qui-Gon é o meu personagem favorito na saga. Ele aplica a filofia Jedi na prática, a todo o momento. Com exemplos.
Nunca antes se teve a oportunidade de se estudar e compreender tão a fundo os Jedis como neste filme.
Quando chegam em Otoh Gunga, o comentário sobre o círculo simbiótico composto pelos Naboo e pelos Gungan ajuda a definir toda a proposta central da trama do filme ; que trata de conceitos conhecidos como biosfera e biociclos, de cooperação e consciência ambiental e comportamental.
A introdução de Jar Jar na trama serve como lembrança da postura de humildade necessária para que possamos perceber como os seres aparentamente mais patéticos ou inúteis também possuem potencial para influenciar os acontecimentos, às vezes de modo definitivo.
[Vale lembrar - Binks foi o elo de ligação para a aliança entre Gungans e Naboos, que definiu os rumos da batalha final do filme]
A cena da despedida de Anakin e sua mãe “I don’t want things to change” “You can’t stop change... anymore than you can stop the suns from setting” fala por si só !!
Idéias simples, e por isso talvez ignoradas por muitos numa época como a nossa em que, segundo Lucas demanda de uma necessidade de que se resgatem valores antigos, sob uma nova perspectiva.
Uma reapresentação de valores e conceitos que encontram nas fábulas um de seus meios de melhor propagação.
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Mas , vamos um pouco mais além...
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Qui-Gon-Jin, através do seu relacionamento com os demais personagens através da trama, demonstra a essência da filosofia Jedi(e um dos sentidos da série): O respeito à todas as formas de vida, a observação de que todas se relacionam e se influenciam em diferentes níveis (em ‘círculos simbióticos’) .
>[Os Midi- Clorians estão na história por causa disso]<.
Qui-Gon movimenta-se dentro de um sistema de regras, mas escolhe ponderadamente os momentos de quebrá-las. Qui-Gon é o Jedi não ortodoxo que poderia estar no conselho, mas não está, por possuir tendências à rebeldia (semelhante aos humanos de Zion como cita Morpheus em Matrix Reloaded). Seu pensamento está ALÉM do modo Jedi convencional.
[Anexo 2012-> (Mais tarde veremos isso no seu pioneirismo em conseguir manter a consciência íntegra mesmo depois da morte)
Seu mestre, Dookan, foi mais longe, apostou na derrocada da República.
A atuação de Qui-Gon (que estaria melhor ambientada, talvez, na fase pós- Império, onde Luke fundará a nova Ordem) provoca o treinamento de Anakin, cujo filho, também detentor de altos níveis de Midi- Clorian, trará o equilíbrio desejado.
Se Qui-Gon não tivesse localizado Anakin, provavelmente Palpatine o teria feito. Assim não haveria Luke, ou talvez ele não fosse capaz de tirar o pai de lado negro e o equilíbrio talvez não fosse restabelecido.
Qui-Gon representa a tendência opositora dentro do sistema (o ponto inverso do Yin-Yang). O ente qu e prevoca mudanças.
Vader , cruel, implacável, amedrontador...
Na trilogia clássica, somos apresentados para sua máscara, seu eu aparente. Mas Vader não é o mal absoluto como somos levados a crer.
Seu eu completo está inativo, atrás da máscara que ele ergue para não interagir, para não exercitar os relacionamentos, para não perder o ‘controle’.
Anakin, por sua vez, não é o garoto sublime. Sempre simpático, inabalável, positivista...
Sua máscara já está presente, esconde a revolta , a intolerância, a necessidade de ser o melhor.
Na relação entre Amidala e Anakin, entre Anakin e Palpatine, entre este e a República vemos como se dá um processo de comunicação que dissimula verdades e realidades (propositalmente ou não).
“A verdade depende do seu ponto de vista” (Obi-Wan) – E esta é mais uma das ‘lições’ da série -que eu preferiria chamar de princípios.
Jar-Jar-Binks !
Está na história para provocar a maior repulsa possível em alguns (mas ele também tem o seu propósito, acredite!) ... o protótipo do personagens descoordenado, desconcentrado, estúpido, burro, babaca, irritante, etc.
O tipo de ser que poucos gostariam de manter por perto.
... chegou a provocar uma exclamação de espanto em C3P0 (o palhaço da trilogia anterior) que o definiu como um ‘ser estranho...’ e em Obi-Wan talvez preferisse que Qui-Gon o tivesse deixado para morrer (‘porque tenho a impressão de que irá em busca de outra patética forma de vida ? ...’-quando Qui-Gon volta por Anakin)
Qui-Gon vê a oportunidade de salvar uma vida quando leva Jar-Jar.
Ele enxerga POTENCIAL onde todos vêem inutilidade.
Jar-Jar leva-os à cidade de Gunga, onde tomam conhecimento do que seria o maior exército do planeta.
E, mais tarde, encontrará a sua raça no local de refúgio e será a ponte para a aliança que definirá o destino do planeta, provocando uma derrota que desencadeará uma sequência de eventos que irá resultar na continuidade da história como conhecemos, bem como o alcance do equilíbrio da força no final do EP 6.
Quem diria ? Jar Jar Binks é importante, afinal de contas.
R2D2 também desempenhou esse papel através das trilogias como pivô de acontecimentos cruciais que permitiram o desenrolar da trama.
Valorizar o potencial onde ele está oculto ou onde parece menos provável é outro dos sentidos principais da série. E muito brilhantemente desenvolvido no episódio 1.
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Eu poderia citar também no EP 1 a forma como a então Rainha Amidala resolveu o impasse com os Gungans: Através da humildade, do posicionamento respeitoso e do conhecimento de que, às vezes, estar ‘por baixo’ significa também estar no controle.
Ou até mesmo a cena excluída onde Anakin briga com Greedo. Onde Qui-Gon dá uma lição sobre o desperdício de energia e a diferença de opiniões.
Entre outras várias e várias que vamos descobrindo na medida em que se revê o filme...
Aliás, o EP 1 tem como finalidade (e propósito máximo) fazer uma exposição competente do processo de realização da PAZ - objetivo máximo dos Jedi e a palavra que encerra o filme !!
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[ E esta, é claro, é apenas a minha humilde opinião, ...cada um é livre para defender o seu episódio preferido da saga da maneira que achar melhor.]
Qual é o seu episódio preferido ??