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Jacidio, who? | O fim das listas de melhores do ano? Resident Advisor abandona os rankings e todo mundo deveria fazer isso

Veja também novidades de Eric Prydz, Steve Angello, Kygo e mais uma porrada de coisas
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E aí gente, tudo bem com vocês? Mais um final de semana chegando e a gente tá como? Cheio de novidades pra contar e tomando vitaminas pra pegar mais uma temporada absurda de músicas, festas e coisas boas. Então, chega aqui que hoje tá loco.

Uma das publicações mais importantes do segmento eletrônico, a Resident Advisor não vai mais produzir rankings e isso é bom pra caramba!

Taí um tema que a gente precisa conversar. Muita gente costuma falar sobre a importância das listas dos melhores DJs, clubes e mais um punhado de coisas para o mercado da e-music. Porém, não é de hoje que esse material extrapolou a sua função e se tornou não só uma forma de influenciar festivais, cachês (ao redor do mundo) e também de aprofundar características negativas do universo eletrônico - falando especificamente do nosso tema -. Com isso em mente, a Resident Advisor (uma das publicações mais respeitadas e completas sobre a música eletrônica fora do mainstream) anunciou esta semana que - após 11 anos - que não irá mais realizar seus rankings de melhores do ano. Os motivos são os melhores possíveis - você pode ler o texto na íntegra em inglês aqui. Abaixo, separei alguns trechos importantes da mensagem.

De entrada, a publicação deixa em evidência que sua seleção - que de início contava somente com os colaboradores do site - tinha como ideia principal “mostrar os destaques do ano”, mas depois de dez anos realizando o ranking, “a ideia continua a mesma, mas a lista e a cena mudaram imensamente”.

O texto segue evidenciando que a lista que começou como uma forma de elogiar os artistas favoritos da equipe “acabou se transformando em algo que influencia diversas partes da cultura dos clubes, desde lineups, cachês de artistas e a atmosfera da cena em geral”, e caminha para o ponto principal do texto no qual considera que encerrar o ranking é importante, pois “se nosso objetivo era refletir o que foi o ano anterior, na música eletrônica, nossa lista de DJs e Live Acts de 2016 foi o ponto alto de um sentimento crescente: Que a homogeneidade dos resultados não representa a diversidade da cena”.

Entre os fatores listados estão considerações como o quase domínio da lista de DJs por homens - grande parte da Europa ou dos Estados Unidos - enquanto a listagem de Live Acts não apresentava, nem sequer, uma mulher. “Essas listas não representam a realidade da música eletrônica em 2016, uma cena com incontáveis mulheres incrivelmente talentosas tocando em clubes lotados toda semana”. Ao final, a equipe da RA destaca que “É importante lembrar que a dance music é uma forma de arte nascida nas comunidades queer, moldada por negros e composta por artistas de todos os gêneros. Mas isso não é algo que você vai saber quando olhar o resultado de um dos nossos rankings. Assim, no melhor dos cenários, a listas interpretam de forma deturpada a realidade da cena; no pior dos casos, elas ajudam a reforçar poderosas dinâmicas prejudiciais que continuam a favorecer homens brancos sobre qualquer outro tipo de pessoa. Isso é razão suficiente para fazer uma mudança ”. A equipe encerra a mensagem afirmando que “Este é um mundo que nós amamos e respeitamos e que nós queremos tratar com amor e respeito. Nesse momento, acabar com os rankings parece ser a melhor maneira de fazermos isso”. Essa é uma atitude que deve reverberar positivamente em outras publicações e, consequentemente, fazer com que mais pessoas passem a pesquisar sobre novos artistas, sem se balizar por números que - em alguns momentos - podem ser mascarados. Vamos ver como serão os próximos desdobramentos. Veja abaixo publicação no Instagram da Resident Advisor.

 

We're no longer running the RA polls. Here's why.

Uma publicação compartilhada por Resident Advisor (@resident_advisor) em Nov 22, 2017 às 4:48 PST

Eric Prydz lança mais uma e a gente fala sobre porque o cara não erra

Sim, semana passada Prydz já tinha mostrado algumas faixas novas de seu alias, Tonja Holma, mas como o cara é imparável, ele aproveitou para liberar mais uma de suas pedradas, dessa vez como Pryda, seu codinome de pegada mais dark e progressiva. Caminhe por esse mundo absurdo de Prydz com a faixa “Stay With Me” e não diga que não foi avisado.

Dubfire ganha documentário e você precisa ver

Conhecer a vida de um artista é essencial para compreender sua obra de forma mais profunda. O documentário Above Ground Level é uma dessas peças interessantes que se aprofundam no dia a dia de alguém que, quase sempre, só vemos nas cabines. O projeto conta um pouco da história do DJ Ali Shirazinia, conhecido como Dubfire, e vai desde sua infância no Irã, a formação do Deep Dish - projeto eletrônico no qual dividia as pickups com o também iraniano Sharam Tayebi -, até sua rotina como um nome conhecido da cena. O projeto que já está disponível na íntegra no Itunes conta com entrevistas de nomes expressivos como Richie Hawtin, Danny Tenaglia, Carl Cox, Pete Tong, Loco Dice, Armin van Buuren, Seth Troxler entre outros. Veja abaixo o trailer incrível do doc:

Kygo com Kids in Love chega aos corações de quem gosta do eletrônico pop

Preciso confessar que sempre gostei dos trabalhos do Kygo. O produtor norueguês, desde seu primeiro disco, Cloud Nine explora caminhos diferentes no momento de entregar suas sonoridades radiofônicas e manda muito bem com os elementos do Tropical House, tão comentado há algum tempo. Com seu novo disco, Kids in Love, Kygo - mais uma vez - trabalha com diversos vocalistas e entrega um material com potencial para acompanhar bons momentos dentro e fora das pistas. E, possivelmente nesse quesito mora todo o apelo do produtor: pensar em músicas que podem ser tocadas a qualquer hora, sem que os drops sequenciais sejam o cerne da questão. Ouça o disco abaixo.

Steve Angello fecha sua trilogia de viagem espiritual com Paradiso

A gente viu por aqui que Steve Angello está em busca de fazer música com mais elementos sonoros do que o que é apresentado nos mainstages ao redor do mundo. O produtor sueco divulgou anteriormente o EP. Inferno, peça de sonoridade surpreendente, apostando em sons pesados e soturnos e mostrou que realmente quer fazer algo novo. Agora, com o EP. Paradiso, lançado recentemente, ele encerra a trilogia de viagem espiritual - iniciada com o EP. Genesis - e prepara o caminho para seu próximo disco Almost Human, que ainda não tem data de lançamento definida. Ouça as “Break Me Down” e “Dopamine”.

Brasil nas pistas - Dica nacional

O produtor brasileiro Alex Stein liberou nesta sexta-feira (24) o EP. Zeit. O novo material que conta com duas faixas inéditas (uma produzida em parceria com Kalil) mais um remix produzido pro André Winter, sai sob a tutela do label Senso Sounds de Oliver Huntemann, garantido boa ainda mais visibilidade para o material. Vale ficar ligado nos detalhes de cada uma das faixas, que apresentam nuances equilibradas e variações ideais para manter as pistas e a cabeça em movimento. Ouça abaixo:

O set monstro da semana

Esse set já está guardado na minha playlist há algum tempo, só esperando o momento certo para ser liberado. E hoje é o dia. Sasha, com seu podcast, The Last Night On Earth, costuma entregar performances incríveis e sempre inspiradas, mas dessa vez o galês foi ainda mais longe e disponibilizou uma hora extra de sua aventura sonora. Então, eu não tenho muito o que dizer sobre isso, a não ser: pegue seus fones e se prepare para uma das jornadas mais instigantes de 2017.

Vamos dançar onde?

Que final de semana, hein gente? Peguem o caderninho e anotem tudo que vocês precisam, porque tá lindo esse negócio.

Abrindo os trabalhos, quem se apresenta em SP nesta sexta (24) é o Fischerspooner, duo norte-americano que vem com um mini show na Casa da Luz. A dupla deve mostrar músicas do próximo disco que conta com a co-produção de Michael Stipes (R.E.M.). O show faz parte do line up da primeira edição brasileira da Festa Harder. Os ingressos antecipados já estão esgotados e tudo que você precisa saber sobre a festa está (como sempre) aqui.

Hoje também rola mais uma edição da DOM que traz para SP o DJ holandês Mark Knekelhuis residente da Red Light Radio e fundador do selo Knekelhuis. A noite ainda conta com a presença de Cassius A. aka Jacques Default, que vai abrir a pista com um LIVE e DJ set. Noite que promete levar a pista para outro patamar. Informações aqui.

No sábado (25) acontece um dos destaque da semana, a Ressonancia #5. A festa vem com um lineup de peso, com nomes como HNQO, Âme (LIVE), Matthias Tanzmann, L_CIO e a estreia do LIVE do Binaryh (conversei com eles essa semana e você pode ler aqui, entre outros. A festa começa às 20h, então arrume seu tênis pra dançar e pegue todas as informações que você precisa bem aqui.

No sábado também tem mais uma edição da Mamba Negra. Marcada pra começar às 23h e terminar às 13h de domingo, a festa tem no line-up alguns dos principais nomes da cena paulistana: Amanda Mussi b2b Ananda Nobre, Érica live + dj set, TETO PRETO live, Cashu, Benjamim Sallum e muitos outros. As informações que você precisa estão aqui.

No domingo, (26), durante o dia, tem a sempre incrível Caldo, festa grátis, de rua, com um line-up de responsa. A festa está marcada para começar às 13h e ir até às 23h. O local ainda não foi divulgado, mas é só ficar ligado na página do evento para saber todos os dados necessários.

No mesmo dia, os amigos cariocas também vão poder aproveitar uma sessão eletrônica de peso com a ODD RJ // transborda. Compondo o line-up estão nomes como Âme (LIVE), Davis - um dos melhores “fechadores” de pista que eu já vi na vida - e Vermelho. Então, se você não quer perder uma seleção dessas, é só pegar as informações oficiais aqui.

Eu disse que o final de semana está bom, né? Agora prepare o corpo para esses dias e noites intensos, escolha o que vai te fazer dançar como se não houvesse amanhã e a gente se fala na próxima semana. Se cuidem. Fui! :) 

Deveriam separar essas listas com certeza do universo de música eletrônica. Misturam artistas e consideram gêneros diferentes numa mesma categoria. EDM é uma coisa, música eletrônica abrange muito mais

Ótima justificativa para o fim dessas listas ... Muito bom!

Seria interessante o fim dessas listas até fora do nicho "música eletrônica". Acho uma bobagem sem tamanho, sendo que em muitos sites considerados alternativos, o dinheiro ainda fala mais alto.

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