Filmes

A história por trás de Alice no País das Maravilhas

Livro que nasceu do pedido de uma menina por uma história faz 150 anos cada vez mais vivo e forte
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Fez sol no dia 4 de julho de 1862 em Oxford, na Inglaterra. E não é preciso verificar os jornais da época ou algum arquivo sobre aquecimento global para ter certeza. Naquele dia, Charles Lutwidge Dodgson e a família de Henry Liddell fizeram um passeio de barco entre a Folly Bridge e a vila de Godstow. Para distrair as meninas Lorina, Alice e Edith, Charles contou uma história que fez sucesso com seu pequeno público. Dois anos depois, a história foi publicada, tornando-se um dos mais importantes livros da literatura mundial.

Para a publicação, Charles usou seu nome artístico. Primeiro, traduziu seu nome para o latim, onde Charles virou Carolus e Lutwidge se tornou Ludovicus. Em seguida, os dois nomes foram trazidos de volta ao inglês, onde Carolus Ludovicos se tornou Carroll Lewis, terminando o malabarismo linguístico com uma inversão que transformou Charles Lutwidge em Lewis Carroll. Parece um plano infalível, mas na verdade esse foi um dos pseudônimos de uma pequena lista enviada pelo autor ao editor Edmund Yates, a quem cabe o crédito pela escolha. Sem ele, Aventuras de Alice no País das Maravilhas poderia ter sido assinado por Edgar Cuthwellis, Edgar U.C. Westhill ou Louis Carroll.

As duas Alices

Embora ligado para sempre às aventuras de Alice, a escolha do pseudônimo aconteceu anos antes, em 1856, quando Dodgson publicou um poema na revista The Train. O passeio do dia 4 também foi um de vários nos quais o escritor contou histórias para as meninas, mas foi o pedido de Alice Liddell que o fez colocar a narrativa no papel. A primeira versão da história, batizada de As Aventuras de Alice no Subterrâneo, foi escrita e ilustrada à mão pelo autor como um presente de Natal para Alice Liddell. Já a expansão do livro foi sugestão de George MacDonald, autor de livros infantis e amigo de Lewis Carroll, que leu a história de Alice para os filhos.

Incentivado pelo teste de audiência, Carroll fez algumas alterações para a publicação. Entram em cena o chá do Chapeleiro Maluco e o Gato Risonho, que não existiam no original. Com medo que o público confundisse seu livro com um manual de mineração, Carroll tirou o "subterrâneo" do título, substituindo por País das Maravilhas. Saíram também os desenhos do autor, substituídos pelo trabalho de Sir John Tenniel, que deixou de ser famoso pelos cartuns políticos da revista Punch para ser conhecido como o ilustrador oficial das histórias de Alice. E assim, em 4 de julho de 1865, três anos após o passeio de barco no Tâmisa, Alice no País das Maravilhas chegava às livrarias em uma primeira edição de dois mil exemplares e uma crítica feroz. Tenniel ficou descontente com a impressão, e uma nova primeira edição foi impressa em dezembro de 1865. Em um ano, Alice seria um campeão de vendas da era Vitoriana, com cinco mil exemplares vendidos.

Mais uma incentivadora do que uma musa, Alice Liddell passaria a vida sob a sombra da personagem do livro, a ponto de em 1932 escrever a um dos filhos que não queria ser ingrata, mas às vezes ficava cansada de ser Alice. A multidão de fotógrafos que a cercaram quando chegou aos Estados Unidos para a festa dos cem anos de nascimento de Lewis Carroll e as exigências de ser vista como uma eterna criança sem dúvida cobrando seu preço.

Para Lewis Carroll, o sucesso eclipsou seu trabalho como matemático, professor, fotógrafo inventor e estudioso no campo da lógica. A situação ficou ainda pior com as acusações de que o autor seria um pedófilo, polêmica reforçada pelo fim da amizade do escritor e a família Liddell no verão de 1863 e o sumiço de várias páginas de seu diário de junho daquele ano. Para alguns, Charles Dodgson foi um homem incapaz de se relacionar com adultos, dedicado a amizades com meninas, posição desmentida por seus diários e cartas. Em uma delas, ele tranquiliza sua irmã, preocupada com os boatos sobre seu relacionamento com uma mulher de 25 anos. Numa resposta que ficaria bem nas redes sociais, Charles Dodgson diz que toda pessoa capaz de falar, uma hora ou outra vai falar mal de alguém.

Fora dos mitos e polêmicas sobre Carroll e os Liddell, Aventuras de Alice no País das Maravilhas encontrou seu espaço entre os clássicos que atravessam o limite entre literatura infantil e adulta. Como outros livros que partem do mundo real para um universo de regras próprias, onde o absurdo, o mágico e o ilimitado coexistem, a narrativa de Carroll é capaz não só de envolver seu público alvo, mas também de levar os adultos a voltarem à infância. É também um universo fértil para adaptações, seja a animação feita pela Disney em 1951 ou a visão pessoal de Tim Burton (2010), que trabalhou com seus habituais comparsas, Johnny Depp, como o Chapeleiro, e Helena Bonham Carter como a Rainha Vermelha, ou a mal sucedida derivada de Once Upon a Time, Once Upon a Time in Wonderland. Um processo em constante evolução e ebulição, reforçado pelos eventos que comemoram os 150 anos do livro.

Concordo plenamente! E engraçado que eu tive essa opinião desde quando e era criança, sem nenhum tipo de influência, até porque a unica influência fazem é que o filme é lindo, maravilhoso, blá, blá, blá... Quando eu vi aquela lagarta fumando eu achei um absurdo, isso eu sendo criança, perguntava a minha mãe como podia um desenho/filme para criança que tem uma lagarta que fuma (tipo narguilé) e ainda fica doidona... e depois já mais velha, descubro que o cogumelos é usado propositalmente para atingir alucinações... E até hoje não vejo esse tipo de história bonita como um monte de gente enxerga... fala sério... Só vejo uma história sombria...

Tem tantas histórias paralelas do livro, como aquela que aquilo seria um mundo psicodélico (porque a Alice come uns cogumelos e tem "vertigens"...), O Coelho Atrasado representa a correria do dia-a-dia, o Chapeleiro Louco também toma chá de cogumelo... a Rainha de Copas representava a Rainha dessa época vitoriana (que o autor viveu) como uma carrasca impiedosa que cortava a cabeça de seus desafetos, a Lagarta fuma ópio no bong... Enfim, independente das lendas urbanas, o livro e as personagens, na minha opinião, são clássicos que atravessam gerações...

Sobre pedofilia, muitos autores são mal interpretados dessa maneira porque escrevem com o paradigma das crianças (J.M. Barrie de Peter Pan também foi acusado disso, só para citar um exemplo). Todo autor é recluso e cheios de manias, e como são difíceis de se relacionar com as pessoas ditas normais, desgraçam a vida alheia que está mais próximas deles por não poderem ter ou tomar para si só como se um vida fosse um reles prêmio. O filme de Tim Burton, Johnny Scissorhands, mostra um pouco desse tipo de relacionamento. Que alma desses autores descansem em paz, por que merecem. Espero que estejam felizes em um mundo de maravilhas sem fim. Sempre.

O artigo teria tudo pra ser interessante mas é mas é tão mal escrito que não consegui chegar ao fim.

na verdade, o mais aceitável, é que ela era filha de um amigo do escritor, existem fotos dela, é só procurar algo como "real alice photo". por isto é complicado, o assunto já é um pouco obscuro, daí o pessoal ao invés de ajudar, esclarecendo, jogam mais lamas [lei-se lendas etc] sobre, complicando um entendimento melhor.

sim, mas ninguém está falando das animações como ocultas e blá, blá, blá, blá, mas as obras originais, os livros, que têm sim esse conteúdo, escondido. mágico de oz é outro que é bem tenso também, acho que pior que alice.

Sempre fui apaixonada pela Alice, deu até vontade de rever o filme :P

Ótimo texto, e espero que venham outros sobre livros clássicos. Imagino a raridade que deve ser encontrar um dos exemplares da primeira impressão que foi refeita.

Pinocchio é assim tbm. Se vc interpretar bem o filme da Disney, o filme fala coisas pesadas, to falando do nariz não, falo dos acontecimentos com ele no decorrer do filme.

Acho que American McGee's Alice merecia uma menção honrosa, mais a sequência Madness Return.

mas esse é o "ban" do livro, todo esse lado perturbado uma criança não consegue perceber, elas só conseguem ver o lado bonito da coisa, só quem é mais velho consegue ver isso

Até o Batman tem o vilão chapeleiro maluco. Rsrs. Clássico é clássico.

O livro é ótimo, sempre esquecem da continuação, Alice através do espelho. Os 2 muito bons.

livro do mal. sempre odiei e nunca consegui imaginar que é dedicado às crianças. não falo isto pelas "lendas" que envolvem o escritor e a sua obra, e a própria alice, mas o livro, assim como o através do espelho, têm uma atmosfera meio pesada, sombria. não deixaria uma criança sozinha ler esse troço não...

Tirando a animação da Disney, todas as adaptações para o cinema de Alice no país das Maravilhas são péssimas.

Falando nisso, poderiam lançar um novo game com a continuação de Alice Madness Returns, Adorei esse game!!

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