Filmes

O Oscar e as Mulheres

As mulheres que escreveram seus nomes em Hollywood
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Nos mais de 80 anos da história do Oscar, não foram poucas as pessoas que marcaram a cerimônia, seja por recordes, polêmicas, discursos emocionados ou homenagens mais do que merecidas. E no ano que uma mulher pode pela primeira vez quebrar um tabu dentro da premiação, vale destacar o quanto elas foram mais do que marcantes em todos estes anos.

Para começar, temos uma das lendas mais antigas que cerca o apelido dado ao prêmio da Academia, no original Academy Awards, que pode ter sido criado por uma mulher. São duas as versões mais populares. A primeira é que Margareth Herrick, secretária executiva da cerimônia, ao ver a estatueta comentou que era parecida com seu tio Oscar. A outra é que a grandiosa atriz Bette Davis achou o pequeno homenzinho dourado a cara do seu ex-marido, também batizado Oscar. Fofocas à parte, fato é que o criativo apelido originado de uma sagacidade feminina perdura até hoje.

De todas as categorias, apenas em duas há distinção entre sexo, no caso a de melhor ator e atriz e melhor ator co-adjuvante e atriz co-adjuvante. E não faltaram grandes divas hollywoodianas a fazer história neste prêmio. A pequena Tatum O´Neal foi agraciada aos 10 anos por sua interpretação em Lua de Papel (1974), e é até hoje a mais jovem atriz a receber o prêmio. Já Jessica Tandy foi a mais velha, ao receber aos 80 anos o Oscar por sua tocante atuação em Conduzindo Miss Daisy (1990).

Mas certamente a grande recordista é a estonteante Meryl Streep. Ela ganhou apenas duas vezes, como atriz co-adjuvante em Kramer VS. Kramer (1979) e como melhor atriz em A Escolha de Sofia (1982). Além disso, recebeu outras 14 indicações, 2 para atriz co-adjuvante e 12 para melhor atriz, sendo a recordista em indicações para este prêmio. Porém a maior diva de todas certamente é Katharine Hepburn, a atriz que ganhou mais Oscars: Manhã de Glória (1933), Adivinhe Quem Vem Para Jantar (1967), O Leão no Inverno (1968), Num Lago Dourado (1981). Apesar de ter sido premiada todas essas vezes, ela nunca compareceu à cerimônia. Hepburn só esteve presente uma vez, em 1974, para prestar homenagem ao amigo Lawrence Weingarten, produtor de vários de seus filmes, honrado pelo conjunto da obra. Não foi surpresa que ao adentrar o palco, ela foi aplaudida de pé por todos os presentes.

Levando em conta outras categorias da premiação, algumas sempre se destacam pela presença feminina massiva, como no caso de Melhor Figurino. E é neste quesito que temos a mulher que mais ganhou Oscars em todos os tempos, a figurinista Edith Head. Ela trabalhou em mais de 400 filmes, recebeu mais de 30 indicações e ganhou o prêmio 8 vezes, um recorde na cerimônia. Seu último grande trabalho antes de falecer foi Golpe de Mestre (1973), que deu a Edith seu oitavo e último Oscar por recriar com perfeição o figurino usado pelos gângsteres da década de 30 interpretados por Paul Newman e Robert Redford. A presença de Head em Hollywood foi tão marcante que a Pixar a homenageou na animação Os Incríveis (2004) com a personagem Edna Mode, totalmente inspirada na figurinista.

Já nas outras premiações do Oscar, a presença feminina pode não ser uma regra, mas sempre temos alguma mulher disposta a roubar o espaço dos homens. E uma delas é Thelma Schoonmaker na categoria de Edição. Thelma começou sua carreira editando filmes europeus de Fellini, Truffaut e Godard para que eles coubessem no tempo estipulado para exibição nas emissoras de TV estadunidenses. Com a experiência, acabou se matriculando em um curso de cinema na Universidade de Nova York onde conheceu de forma inusitada seu grande parceiro cinematográfico: um colega de sala que estava com dificuldade para editar seus trabalhos, que consistiam em pequenos curtas. Como Thelma era uma excelente aluna, um de seus professores pediu que ela o ajudasse na edição destes trabalhos. Iniciava-se assim a parceria entre ela e Martin Scorsese, que renderia a Thelma o Oscar de melhor edição por Touro Indomável (1980), O Aviador (2004) e Os Infiltrados (2006), além de mais de 3 indicações.

Certamente a categoria mais polêmica do Oscar quando se trata de mulheres é a de Melhor Direção, com uma predominância esmagadora de homens. As poucas mulheres indicadas, mas nunca agraciadas, foram Lina Wertmüller, por Pasqualino Sete Belezas (1975), Jane Campion, por O Piano (1993), e Sofia Coppola, por Encontros e Desencontros (2003). Mas pela primeira vez nos 82 anos do prêmio da Academia uma mulher pode finalmente, e com méritos, faturar a estatueta pela direção de um longa. Trata-se de Kathryn Bigelow, ex-mulher de James Cameron, conhecida por filmes de ação como Caçadores de Emoção (1991) e responsável pelo grande sucesso de crítica Guerra ao Terror (2009), pelo visto o único capaz de bater de frente com o blockbuster Avatar (2009) nas premiações deste ano. Pode-se questionar as reais chances de Kathryn em levar o Oscar para casa, mas as estatísticas favorecem, e muito, a diretora. Citando apenas uma delas, temos a última premiação do DGA (Director's Guild of America) que agraciou a cineasta. Nos mais de 60 anos do prêmio, em apenas 6 ocasiões o vencedor do sindicato não levou também o Oscar. Fora isso, temos a vitória de Kathryn no BAFTA e sua indicação ao último Globo de Ouro. Resta agora a torcida de que mais uma brilhante mulher escreva seu nome na história do prêmio mais respeitado, glamuroso e polêmico da indústria do Cinema.

Leia mais no Especial Oscar 2010

Guerra ao Terror
(The Hurt Locker) Direção: Kathryn Bigelow Estreia em 05/02/10
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