Filmes - Ação
Aeon Flux (2005)
(Aeon Flux)
  • País: EUA
  • Classificação: 14 anos
  • Estreia: 24 de Fevereiro de 2006
  • Duração: 92 min.
  • Direção:
  • Roteiro:
  • Elenco:

Aeon Flux | Crítica

Aeon Flux

Aeon Flux
Aeon Flux
EUA, 2005, 93 min
Ficção científica

Direção: Karyn Kusama
Roteiro: Phil Hay, Matt Manfredi

Elenco: Amelia Warner, Caroline Chikezie, Charlize Theron, Frances McDormand, Jonny Lee Miller, Marton Csokas, Pete Postlethwaite, Sophie Okonedo

Quando foi anunciado que a pouco conhecida super-heroína Aeon Flux seria transportada para a telona com ares de superprodução, os especialistas afirmaram que seria mais um fracasso dos estúdios. E eles acertaram. Aeon Flux (2005) foi escondido da imprensa para tentar evitar o massacre das críticas, mas nem isso adiantou muito. O longa conseguiu um fraco segundo lugar na sua estréia estadunidense, faturando parcos 10 milhões de dólares. Uma cifra que não estava nos planos da Paramount, já que a produção custou 60 milhões.

A grande culpada pelo desastre foi a diretora Karyn Kusama. Ela conseguiu transformar a inovadora série animada de Peter Chung, exibida pela MTV nos anos 90s, num completo tédio. Na animação, Flux era uma provocadora, um fetiche ambulante que deixava o público masculino em polvorosa. Ela foi antecessora de beldades com Lara Croft (do jogo Tomb Raider), Trinity (de Matrix) e Buffy (da série de TV), isto é, mulheres gatíssimas que distribuíam sopapos sem perdão ou remorso.

Nos créditos iniciais da produção descobrimos que em 2011 um vírus matou 99% dos humanos. Os sobreviventes se instalaram na cidade de Bregna. Já no século 25, Aeon Flux (Charlize Theron) é uma assassina que trabalha para as Monicans, grupo rebelde que pretende acabar com o governo ditatorial e recebe ordens de Handler (Frances McDormand com uma peruca alaranjada tão frenética que nos remete à noiva do Frankenstein). Aeon é designada a assassinar Trevor Goodchild (Martin Cssokas), governante de Bregna e o responsável pela a morte de sua irmã. Frente à frente com Trevor, Aeon não consegue completar sua missão por ter uma ligação psíquica (!?!?) com ele.

Quem era fã do desenho não conseguirá engolir o roteiro de Phil Hay. A maioria dos detalhes está errada como também a escolha do elenco. É de se imaginar o porquê de certas escolhas com um material originalmente niilista e restrito emocionalmente. É difícil adaptar uma animação não linear e verborrágica como Aeon Flux. Para tal tarefa era necessário um verdadeiro conhecedor do desenho. Fora os problemas na adaptação, o longa não tem uma idéia original, chupando descaradamente coisas tão distintas quanto Tomb Raider, 1984 de George Orwell (conflito genérico contra o governo) e o final de Fuga do Século 23.

Para piorar, a diretora não consegue tirar uma interpretação decente do elenco, mesmo ele sendo formado por vencedores do Oscar ou indicados para o cobiçado prêmio. Parece que os atores fizeram um pacto para derrubar Karyn, da mesma forma que um time de futebol faz para tirar um técnico do comando.

Quando se trata de filmar as cenas de ação, o trabalho da cineasta consegue ser ainda pior. Destacam-se apenas as lutas, com ótimas coreografias, mas pessimamente registradas por sua câmera. O grande problema foram as escolhas da diretora. Mesmo Charlize tendo estudado balé por anos e ter uma elasticidade invejável, Karyn insiste em ângulos fechado e edição picotada para mostrar as lutas, preferindo enfatizar a heroína fazendo poses em planos iluminados. Dá pra salvar só o conflito entre Aeon e Sithandra (Sophie Okonedo), sua companheira na missão, que deve deixar os marmanjões excitados.

Os cenários sensacionais da animação, com uma arquitetura impossível formando uma paisagem que remetia ao visual de "Blade Runner", se tornaram uma Berlim maquiada. E, para piorar, no século 25 as pessoas irão se vestir como um desfile de modas italiano. O prêmio de pior figurino foi para Peter Postelthwaite. Por que o vestiram com uma camisinha gigante?

No final da sessão fica aquele gostinho amargo igualzinho ao de Mulher-Gato (protagonizado por Halle Berry). Vale a lição: Não adianta o produto ser bom e ter uma atriz linda e talentosa se os realizadores não forem fãs da obra ou capazes tecnicamente de retratar sua excelência.

Nota do crítico (Ruim) críticas de Filmes
 

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