César Deve Morrer
Filmes - Drama
César Deve Morrer (2012)
(Cesare Deve Morire)
  • País: Itália
  • Classificação: 14 anos
  • Estreia: 1 de Março de 2013
  • Duração: 76 min.

César Deve Morrer | Crítica

A Roma antiga e a atual ligadas por uma atemporal sina de penitência

Premiados com o Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim 2012, os irmãos Paolo e Vittorio Taviani misturam detentos reais e atores para fazer em César Deve Morrer (Cesare Deve Morire) um docudrama sobre dignidade e danação coletiva no presídio de Rebibbia, no subúrbio de Roma.

O filme começa em cores, com a encenação da peça Júlio César, de William Shakespeare. No clássico, nas palavras de Brutus - que mata seu pai, Júlio César, para satisfazer os senadores romanos que se opunham ao poder total do imperador - "a ambição paga sua dívida". Descobrimos em seguida que o elenco é formado pelos presos de Rebibbia, e o filme volta ao passado, agora em preto e branco, para mostrar o processo de montagem da peça.

Castigos por ambição, como o de Júlio César, são comuns em Rebibbia, onde boa parte dos presos paga pena por "formação de quadrilha do tipo mafioso". À medida em que os personagens são apresentados e conhecemos suas histórias, as disputas internas e os dramas vão se confundindo com a tragédia shakespeareana - a Roma antiga e a atual ligadas por uma sina atemporal.

Ao fazer essa ponte histórica, os Taviani buscam entender o que leva os italianos a se especializar nas conspirações, em sistemas hierárquicos políticos e econômicos que funcionam à margem da lei e que ignorando a existência do Estado. César Deve Morrer não dá respostas, porém; é mais um filme de diagnósticos que permite, poeticamente, aos seus escolhidos, uma pequena redenção por meio da arte.

"Desde que conheci a arte, esta cela virou uma prisão", diz um dos personagens olhando direto para a câmera. O ato de falar com o espectador é constante no filme; a teatralidade, presente desde a escolha pelo preto e branco, dá o tom aqui tanto nas cenas de ensaio quanto no próprio vaivém da rotina da prisão. Este parece ser não um caso de realidade que gera uma ficção (como no documentário brasileiro Prisioneiro da Grade de Ferro ou, em outro grau, nas montagens do Teatro da Vertigem), mas de ficção que nubla a realidade.

Talvez isso limite um pouco o alcance de César Deve Morrer, um filme que periga atrair (ou dispersar) a atenção do espectador por seus artifícios. Mesmo assim, é um filme profundamente italiano, tanto nesses excessos quanto no seu senso de solidariedade.

César Deve Morrer | Cinemas e horários

Nota do crítico (Bom) críticas de Filmes
 

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