O Dia do Atentado
Filmes - Suspense, Drama histórico
O Dia do Atentado (2016)
(Patriots Day)
  • País: EUA
  • Classificação: 14 anos
  • Estreia: 11 de Maio de 2017
  • Duração: 129 min.

O Dia do Atentado | Crítica

Thriller de ação constrói relato cheio de especificidades para combater o vazio da barbárie

O histórico do diretor Peter Berg (O Grande Herói, Hancock) e o próprio tema de O Dia do Atentado (Patriots' Day), filme que refaz a história do ataque à Maratona de Boston, em 2013, sugerem que estamos diante de mais um relato patriótico embalado como thriller de ação para elevar o moral americano, com suas noções muito claras do que é o bem e do que é o mal. O filme não se mostra tão simplista, porém, e encontra formas bem interessantes de ir além desse maniqueísmo.

Berg primeiro organiza tudo como um suspense de procedimento que hipnotiza pela variedade de perspectivas, tanto com suas subtramas (acompanhamos desde o princípio até personagens bastante secundários do desenrolar da investigação) quanto nos formatos: câmeras na mão, material de arquivo, imagens de noticiários, de câmeras de vigilância. O Dia do Atentado atrai pelo volume incomensurável de imagens, o que alimenta o suspense (porque partimos do pressuposto de que toda escolha de ângulo de registro traz uma informação nova), e a opção pela narrativa coral torna a história menos manjada (não se trata apenas da caçada aos irmãos Tsarnaev, mas de uma torcida pelas resoluções de cada subtrama individualmente).

A partir dessa estrutura, o que acompanhamos é um filme bastante competente na execução da ação. Tiroteios e explosões filmados com urgência são, obviamente, o elemento mais latente, mas o que dá substância a O Dia do Atentado é a câmera na mão que sabe se colocar sobre os ombros dos personagens e permanece colada aos corpos para encontrar uma intimidade que torne essas várias histórias individuais mais próximas de nós, no limite do que poderíamos considerar apelativo ou invasivo. O roteiro escrito por Berg com Matt Cook e Joshua Zetumer é fundamental nesse sentido, porque ao eleger momentos-chaves das várias subtramas (o texto é bem enxuto, embora o filme tenha mais de duas horas) consegue dar mais sentido a esses instantes de intimidade dos personagens, suas relações.

E aí está a grande sacada de O Dia do Atentado: escolher diversos momentos que podem parecer dispensáveis e enxergar ali pedaços de uma construção de olhar e de identidade, desde a cena em que o chefe de polícia começa seu dia conversando com a atendente da loja de donuts até o momento em que o jovem policial conta a seus amigos que tomou coragem para chamar a estudante do MIT para sair. Esses momentos triviais são impregnados de idiossincrasias (como o fato de o chefe ter o cuidado de deixar seu cigarro do lado de fora da loja antes de comprar o donut, mas sem largá-lo) que ajudam a formar um senso de pertencimento e de comunidade que estão no nervo de O Dia do Atentado.

Por que aí Peter Berg consegue ir além do maniqueísmo. De um lado temos os jihadistas que, acima de tudo, são figuras de caráter flutuante: o irmão mais velho que condena a imoralidade ocidental mas consome pornô compulsivamente; o mais novo que vive anestesiado, em busca de satisfações imediatas como dirigir um carro rápido ou experimentar uma arma de fogo. Se os irmãos terroristas se mostram personagens descolados da realidade, com seus sonhos de conquistas morais e teorias conspiratórias, do outro lado os cidadãos de Boston que acompanhamos neste filme têm a História a seu lado, o acúmulo das gerações, a cultura sempre em transformação dos imigrantes. Seja no sotaque, no esporte, na banda de rock que é o orgulho local, nas zoações que os policiais fazem um com o outro, na forma como autoridades públicas são tratadas como gente comum, o que vemos aqui é muito mais uma questão de resistência cultural contra a barbárie impessoal do que o mero bem contra o mal.

Em certo momento, o policial vivido por Mark Wahlberg suplica aos agentes federais que liberem publicamente as fotos dos suspeitos e "deixem Boston ajudar". Num filme que trata de fato a cidade como seu personagem principal, e isso é incorporado literalmente pelo roteiro (Boston como um sistema vivo, responsivo), é muito interessante ver como o próprio gênero do thriller de ação se transforma: a caçada aos terroristas não se dá como num filme "normal" - feito mais como uma propaganda de recursos bélicos e tecnológicos, em que de repente o FBI se comporta como uma máquina de eficiência procedural - mas sim com os ímpetos de justiçamento desordenado da gente local. Que personagem formidável e que casting preciso, por exemplo, é o da policial que insiste em ficar no telhado da casa ao lado do sniper profissional só para não dar brecha ao bandido escapar.

Esse tipo de especificidade é o que torna O Dia do Atentado especial, porque a partir dele Peter Berg constrói não apenas uma narrativa com tipos muito humanos mas principalmente um discurso agregador que não se contenta apenas em repetir o slogan do "Boston Strong", e de fato encontra personagens e olhares capazes de torná-lo real.

Nota do crítico (Ótimo) críticas de Filmes
 

Não pq o pablo villaça era um otimo critico ate começar a colocar toda sua verborragia vermelha em toda resenha. o Hessel pode ser esquerdinha mas ainda assim é coeso no que importa que é o filme e nao a menssagem.

O dia do atentado HD> http://filmestelefox.com/

Bom saber que ele mandou bem...mas eu não arrisco rsrs. Valeu abraço

Esses momentos triviais são impregnados de idiossincrasias Idiossincrasia é uma característica de comportamento peculiar de um indivíduo ou de determinado grupo. O termo tem vários sentidos, variando de acordo com o contexto em que é empregado, sendo também possível ser aplicado para símbolos que significam algo para uma pessoa em particular. Vlw a dica de interpretação.

Apenas críticas do Hessel.

Boa. fiquei com os dois pés atrás ao ver que a crítica era do Hessel, mais dessa vez ele foi bem, como sempre encheu linguiça como de costume, mais foi bem.

Os infiltrados, o papel dele é preciso no filme, apesar de pouco tempo em tela.

O Dia do Atentado é um bom filme. O filme apresenta uma ótima direção que sabe utilizar os recursos para o desenvolvimento narrativo. Além disso, o filme sabe trabalhar as tramas e subtramas de maneira que cheguemos ao clímax com tensão necessária para adentrar as imagens. Apesar disso, o filme tem uma queda significativa após o clímax, isto ocorre, pois, o filme torna-se demasiadamente maniqueísta (Bom x Mau). Tal queda no terceiro ato não tira os méritos do filme.

Quem diria que o Walberg faria algo que preste...

Obrigado amigo! Volte sempre ao BLog, adorei a foto do seu avatar! kkkkkk

Muito boa, parabéns!

https://rezenhando.wordpress.com/2017/05/16/rezenha-critica-aftermath-2017/

Como ninguém fez do Aftermath do "Arnoldão" eu fiz: https://rezenhando.wordpress.com/2017/05/16/rezenha-critica-aftermath-2017/

O Dia do Atentado mostra o maior atentado terrorista nos EUA desde o 11/09 >> http://bit.ly/2pOBYtE

Já assisti ao filme há meses. Se o autor da crítica fosse qualquer outra pessoa, eu leria. Espero que o site finalmente perceba a quantidade de pessoas insatisfeitas com o crítico em questão.

Critica péssima feita por um idiota que se recusa a chamar terroristas de terroristas

pqp..vcs reclamam de tudo..huahuahuahuauha

O filme já foi lançado em blu-ray lá fora e aqui está chegando no cinema.

Tô curioso pra assistir a esse filme. Já vi algumas críticas interessantes sobre ele, cada uma mais diferente do que a outra. Sugiro que leiam essa do Bode na Sala, onde o crítico aponta o lado xenófobo do filme: http://bodenasala.com/2017/05/10/o-dia-do-atendado-critica/

Esta ai um dos poucos diretores atuais que sabem fazer ação de maneira competente , gosto muito do trabalho do Berg , Bem Vindo A Selva , Lone Survivor , é um cara que consegue colocar energia nas cenas e ainda te orientar da geografia da cena de ação, não assisti O Dia Do Atentado ainda ,mas com certeza vou conferir , afinal , Trent Reznor e Atticus Ross assinaram a trilha .

Mandou bem Hessel...

Adoro os filmes do Peter Berg,

O filme lançou em dezembro nos USA e só foi chegar no Brasil agora em Maio pqp hein

Fiquei curioso de ver o filme. Crítica muito bem escrita, Hessel (e se os leitores do Omelete não conseguem acompanhar nem essa daqui, acho q fica cada vez mais claro q interpretação de texto é o problema mais urgente desse país).

o trailer leva a crer que é maior filme patriótico clichê tipicamente americano

Acho esse filme Otimoo, me surpreendeu muito. Peter Berg manda muito bem tirando Batleship kkkk.

Guardada as devidas proporções, Hessel está virando o Pablo Villaça do Omelete.

Vi o filme a uns dois meses atras, muito bom o filme, incrível como uns merdas daquele fez tanto estrago. PS: Parei de ler em 11/05/2017 - 18:32 MARCELO HESSEL

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