Dirigindo no Escuro
Filmes - Drama, Comédia
Dirigindo no Escuro (2002)
(Hollywood Ending)
  • País: Estados Unidos
  • Classificação: livre
  • Estreia: 8 de Agosto de 2003
  • Duração: 114 minutos min.

Dirigindo no Escuro | Crítica

É possível comparar Woody Allen com Didi (?)

Sucesso nos anos 70 e 80, Woody Allen e Didi construíram impecavelmente suas personas. Comparação forçada? Pois as trajetórias dos dois comediantes seguem caminhos semelhantes. Com a idade, veio o desgaste - e aquilo que era entendido como genialidade se tornou uma caricatura. O malandro nordestino soçobrou com o fim dOs Trapalhões, o neurótico novaiorquino perdeu o timing da acidez ao se associar à megaprodutora de Steven Spielberg, a Dreamworks.

Hoje, Didi aproveita seus filmes para fazer humor inofensivo e tirar uma casquinha das modelos do momento. Allen também, como pode comprovar o personagem Val Waxman de Dirigindo no escuro (Hollywood ending, 2002), que contracena com as musas Debra Messing (Will & Grace), Téa Leoni e Tiffani Thiessen (Barrados no baile, Fastlane), e investe no humor físico de quedas, tombos, topadas e empurrões. Em comparação com as crônicas sociais e a mordacidade com que o ator e diretor tratava tabus em outros tempos, essa é uma transformação e tanto.

Na trama, o genial cineasta Waxman amarga o ostracismo. Suas excentricidades não são bem vistas pelos executivos. Mas a produtora Ellie (Téa), ex-mulher de Waxman, atual noiva do chefão do estúdio, tem o plano para um grande retorno: contratá-lo para dirigir um filme sobre Nova York, tema que o diretor domina. Depois de certa discussão, justamente no primeiro dia de filmagens ele é acometido de cegueira psicossomática, espécie de perturbação psíquica. O diretor não pode correr o risco de outro revés em sua carreira, defende seu agente. Começa, então, a saga de Waxman para comandar, cego, uma produção hollywoodiana.

Em comparação com os outros dois filmes seus feitos com a Dreamworks, Trapaceiros (Small Time Crooks, 2000) e O Escorpião de Jade (The Curse of Jade Scorpion, 2001), Dirigindo no escuro pode até ser considerado mais rebuscado - por conter piadas e situações familiares apenas àqueles que conhecem a indústria do cinema. Pois, atualmente atacado pela crítica e pouco visto pelo público, Allen É Waxman. O teor autobiográfico é recorrente em suas obras. Essa proposta metalingüística, que mistura real e ficção, é promissora. Mas os debates que pontuam o início do filme, em torno da dicotomia arte/entretenimento, como na conversa sobre Hitchcock, logo se esgotam.

A cada instante, cada vez mais, o humor físico ganha o espaço da inteligência. E o filme termina, como seus dois antecessores de 2000 e 2001, em um monótono e previsível tom romântico. Diante de elementos desnecessários, como um filho de Waxman surgido sem explicações nos momentos finais da história, fica evidente que Allen, bem como seu alter ego, perdeu mesmo o pique. Ainda mantém certa vitalidade nas piadas disparadas sobre temas variados (que, na verdade, não fazem falta nem enriquecem a trama), mas tal instrumento costuma irritar, pela artificialidade, os espectadores não familiarizados com os solilóquios de um Allen centralizador.

Com o tipo de comédia mais palatável de Dirigindo no escuro, ele visa o público médio. Algumas piadas arrancam riso pelo tipo físico do ator, seus trejeitos, como na cena em que Waxman assiste abismado aos copiões finais da filmagem cega. Mas não espere algo parecido com um Crepúsculo dos deuses (Sunset Blvd., de Billy Wilder, 1950) do novo milênio, um manifesto rebelde contra a indústria do cinema vindo da própria máquina hollywoodiana. Não foi desta vez que Allen conseguiu aliar equilibradamente o artístico e o popular, o sonho que divide com Waxman.

Vale mais a pena apostar que ele, cada vez mais, seja como um Didi, que elegeu Jacaré e Bam-bam como parceiros. Duvida? Em Anything Else, seu novo filme, ele contracena com Jason Biggs (American Pie), Jimmy Fallon...

Nota do crítico (Regular) críticas de Filmes
 

Eu adorei e ponto! Woody Allen sempre perfeito!👏👏👏

Woody Allen cria um filme em que ao mesmo tempo critica aqueles que sempre lhe criticam e enaltece a influência européia na história do cinema. O diretor, roteirista, ator encarna Val Waxman, um cineasta que já viveu seu apogeu e agora vive tentando embarcar em uma empreitada que faça sua carreira decolar novamente. Enquanto não consegue acaba se sujeitando a pequenos serviços como realizar um comercial no Canadá a temperaturas extremamente baixas. Sua ex-esposa Ellie (Téa Leoni) vislumbra que o próximo roteiro a ser produzido pelo seu atual marido teria o diretor ideal na pessoa de Val. Mesmo a contragosto o produtor aceita e Val sem muita dificuldade também aceita (já que essa pode ser sua última chance como cineasta). Val só não esperava que uma cegueira psicológica fosse lhe atingir e que para não perder essa oportunidade ele teria que dirigir o filme as escuras. É interessante ver Allen fazer piadas com seu próprio passado. Assim como o diretor Val, Allen nunca foi bem visto por sua amada cidade (Nova York) e durante um bom tempo a crítica sempre escreveu coisas ruins sobre vários de seus filmes. Principalmente comparando os seus filmes contemporâneos aos antigos e quando decide realizar dramas é criticado por não fazer comédias. A França sempre foi um país que enalteceu cineastas que antes não eram bem vistos pelos críticos em geral. Um exemplo foi em relação a Hitchcock. Aqui essa influência é citada claramente. Em um gesto de visão sobre o futuro do próprio Woody Allen, Val acaba vendo que seu futuro na Europa será grandioso. Como sempre cito Woody Allen não perde tempo. Seus filmes sempre têm um começo rápido, sucinto para que o essencial entre e em seguida o filme seja desenvolvido. Logo no início há um contraste visual para dispor quem é bem sucedido e quem não é. Vemos Ellie em uma casa maravilhosa, debaixo de um sol forte enquanto Val está debaixo de um frio intenso e uma chuva torrencial. É interessante quando ele se diz cego em que há dois pontos, um em cada olho, que servem como função de enfatizar sua cegueira. Apesar de o roteiro estar sempre fazendo com que a história caminha para frente, dessa vez Woody Allen quis explicar demais o que não precisava. Um exemplo é quando seu filho traduz uma metáfora clara sobre sua cegueira. Apesar de a cegueira provocar cenas já vistas em outros filmes (clichês), consegue nos fazer rir. Um filme que apesar de pecar um pouco no que Woody Allen faz de melhor, o roteiro, o filme não deixa de provocar risadas e tem no mínimo um argumento interessante. http://embriagadospelocinema.blogspot.com.br/2013/09/critica-dirigindo-no-escuro.html

Discuta aqui no site Discuta aqui

O Omelete disponibiliza este espaço para comentários e discussões dos temas apresentados no site. Por favor respeite e siga nossas regras para participar. Partilhe sua opinião de forma honesta, responsável e educada. Respeite a opinião dos demais. E, por favor, nos auxilie na moderação ao denunciar conteúdo ofensivo e que deveria ser removido por violar estas normas.

Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.

blog comments powered by Disqus