Foi Apenas um Sonho
Filmes - Drama
Foi Apenas um Sonho (2008)
(Revolutionary Road)
  • País: EUA, Reino Unido
  • Classificação: 16 anos
  • Estreia: 30 de Janeiro de 2009
  • Duração: 124 min.

Crítica: Foi Apenas um Sonho

Casal de Titanic juntos novamente em drama dirigido por Sam Mendes
Demorou até para alguém reunir o casal de Titanic (1997), o filme que mais dinheiro arrecadou em Hollywood até hoje. E que bom que o responsável por tal façanha tenha sido Sam Mendes, premiado diretor de teatro que migrou para o cinema em Beleza Americana (American Beauty, 1999). E se até agora muita gente acha que ele não conseguiu superar seu trabalho estréia, uma coisa é certa: Mendes não fez filme ruim. Muito menos filme fácil. Foi Apenas Um Sonho (Revolutionary Road, 2008) não é exceção.

O filme é uma adaptação do romance de Richard Yates, que acompanha a vida conjunta de Frank (Leonardo DiCaprio) e sua esposa April (Kate Winslet) desde o seu primeiro encontro. Narrado de forma não-linear durante a sua primeira metade, o filme vai apresentando os personagens principais e os que orbitam ao redor de sua casa, na Revolutionary Road do título original, subúrbio de Nova York.

Estão ali o casal de vizinhos que olha para a casa ao lado para ver como a grama deles é mais verde; os colegas do trabalho de Frank em um escritório em Nova York; e a corretora de imóveis Helen Givings (Kathy Bates), que lhes vendeu a casa e os visita com frequência ao lado do marido (Richard Easton) e o filho John (Michael Shannon), um ex-matemático que sofreu nas mãos dos tratamentos mentais da época.

Este trabalho de ambientação logo mostra o que pensa dos subúrbios estadunidenses: lindos, perfeitos e... vazios. E é por esse "vazio desesperançoso da vida", como bem descrevem os protagonistas, que eles decidem sair dali. Eles querem se mudar para Paris, onde ela trabalharia como secretária em algum órgão do governo e ele ficaria livre para estudar, viver e encontrar algo que o agrade em vez de ficar enfurnado em um cubículo de um trabalho que odeia apenas para garantir o holerite no fim do mês.

Quantas pessoas não gostariam de trocar o marasmo e a infelicidade eterna por uma aventura? Por que deixar de viver, de procurar a felicidade? Essas são as grandes questões que a história joga na cara dos espectadores. E as respostas podem até ser óbvias, mas não são fáceis. Da teoria à prática há mais armadilhas do que se pode imaginar. Tentações, dúvidas, provações e o medo de trocar o certo pelo incerto. Mesmo sendo o certo, errado.

Como se faz com certa frequência no cinema e na TV, cabe ao desajustado falar o óbvio. É por isso que Michael Shannon conseguiu uma justa indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Diferente dos outros seres vivos que habitam o subúrbio, seu personagem, John, não vive das aparências e não guarda seus pensamentos. Sua língua afiada corta quem estiver passando pela frente.

Mas não é Shannon o único destaque do filme. Apesar da Direção de Arte e Figurino também estarem entre os indicados ao Oscar, a trilha sonora e os dois atores principais poderiam estar em qualquer lista. DiCaprio mostra mais uma vez seu potencial como ator dramático. E Winslet é o que move todo o filme. Pena que os eleitores da Academia tenha decidido indicá-la ao Oscar pelo drama O Leitor, pois aqui ela está muito melhor.

Agora, antes de pegar suas coisas e ir para o cinema, um aviso: não vá esperando um novo Titanic. Foi Apenas Um Sonho é Sam Mendes. É drama. É atuação acima da média em diálogos que na boca de outros atores soaria pretensioso ou falso. Entenda isso e saboreie a genial última cena.

Assista a seis clipes do filme

Nota do crítico (Ótimo) críticas de Filmes
 

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