Guerra é Guerra!
Filmes - Ação, Comédia
Guerra é Guerra! (2012)
(This Means War)
  • País: EUA
  • Classificação: 12 anos
  • Estreia: 16 de Março de 2012
  • Duração: 98 min.

Guerra É Guerra! | Crítica

Mais uma comédia romântica de ação onde tudo é rápido e fugaz como uma ejaculação precoce

Há um mês, quando Chris Pine trocou de agência e foi processado por seus ex-representantes, vazaram na rede os ganhos do ator: US$ 3 milhões por Incontrolável, US$ 1,5 milhão pelo vindouro Star Trek 2 (mais percentual de bilheteria) e expressivos - na crise atual - US$ 5 milhões por Guerra é Guerra!.

Como Pine coprotagoniza a comédia romântica de ação do diretor McG ao lado de Reese Witherspoon e Tom Hardy, os salários dos outros dois devem estar nesse patamar - valores acima do que Hollywood paga hoje em dia para atores no mesmo nível. Depois de assistir a Guerra é Guerra!, o investimento faz sentido; é um filme de atores que, não fosse o carisma do trio, seria difícil de assistir.

Se as famosas dicas da revista Nova fossem um roteiro, seria bem parecido com o fiapo de história escrito por Simon Kinberg - não por acaso roteirista de outra comédia romântica de ação com trama mínima, Sr. e Sra. Smith. Em Guerra É Guerra!, Pine e Hardy são agentes da CIA e melhores amigos que se apaixonam pela mesma mulher (Witherspoon) e viram rivais. Há um vilão russo no meio (feito pelo alemão Til Schweiger), mas não acho que seja spoiler dizer que ele não se apaixona por ninguém.

Quando o personagem de Pine encontra Witherspoon numa locadora e usa o xaveco do pseudointelectual ("Alugue A Dama Oculta de Hitchcock! Tem um pouco de tudo: romance, humor, suspense", diz ele) já fica claro que Guerra É Guerra! é desses produtos que aceitam também um pouco de cada um desses gêneros para atrair todas as demografias. Até aí, é uma estratégia legítima de mercado. O problema é o elogio do impessoal, do anestesiante.

"Sshhh, para de pensar um pouco", sussuram no filme os amantes quando a coisa esquenta. Dizem que no amor e na guerra não há regras, mas McG segue uma lei, a da ação sem intermissão. Então as injeções de adrenalina são constantes mesmo nas situações mais banais (ela leva um dos pretendentes pra conhecer seu trabalho e eles brincam de jatos de água) e efêmeras ("Sabotage", dos Beastie Boys, toca por dois segundos apenas, o tempo de animar, sublinhar a cena de sabotagem entre os rivais, e ser esquecida).

A grande questão é que nada dura emGuerra É Guerra por muito tempo, nem a fantasia. É um filme visivelmente feito para alimentar um fetiche do que a mídia imagina ser a "mulher moderna" - desejosa de altas emoções e ao mesmo tempo antiquada - mas essa suposta modernidade é uma ilusão. Com sua composição que sem dúvida dá corda ao fetiche (Chris Pine e Tom Hardy sangrando suados e sujos assistindo às conversas íntimas das mulheres), Guerra É Guerra em seguida anula essa fantasia ao defender a moral e os bons costumes (ela se martiriza antes de transar com os dois e, desde o começo, já fica claro quem ela escolherá).

Nessa linha atual de comédias românticas de ação, Encontro Explosivo continua imbatível, justamente por ser um filme que abraça essas noções de revista feminina (o homem idealizado, a ação sem fim) enquanto ironiza-as. Guerra É Guerra não tem a mesma inteligência.

Guerra É Guerra | Trailer
Guerra É Guerra | Cinemas e horários

Nota do crítico (Regular) críticas de Filmes
 

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