Isolados
Filmes - Suspense
Isolados (2013)
(Isolados)
  • País: Brasil
  • Classificação: 14 anos
  • Estreia: 18 de Setembro de 2014
  • Duração: 100 min.

Isolados | Crítica

Sobra estilo e falta história ao suspense brasileiro

A primeira cena de Isolados concentra parte de suas qualidades e defeitos. Durante alguns minutos, o diretor Tomas Portella apresenta um plano sequência dentro de um vilarejo nas florestas de Teresópolis. Acompanhando uma garota que vaga entre casas e quintais, a câmera apresenta o ambiente soturno onde  todo o filme vai se passar, além de exemplificar uma ameaça que se esconde por trás das árvores: assassinos maníacos. Bastava a atmosfera criada para demonstrar o suspense que viria, mas a sutileza construída até ali se vai com a mangueira cuspindo água cheia de sangue que encerra a abertura.

A execução de elementos primordiais para filmes de suspense é bem sustentada em Isolados. A fotografia se aproveita das sombras da casa escolhida pela casal Bruno Gagliasso e Regiane Alves, que decidem tirar alguns dias para reviver o relacionamento. Cheio de buracos feitos nas paredes e luzes coloridas, o recinto transmite toda tensão necessária para se construir um thriller psicológico. No entanto, falta uma história que consiga se aproveitar de tais quesitos.

O roteiro de Portella e Mariana Vielmond passeia entre os clichês de suspense com méritos, mas esquece de desenvolver seus personagens. Não há problema em usar assassinos sem rosto ou coadjuvantes misteriosos tão comuns em semelhantes hollywoodianos. O defeito surge mesmo quando eles se destacam mais que os protagonistas e a própria trama. Isolados não dedica tempo suficiente ao passado do casal Lauro e Renata; o foco está nos acontecimentos imediatos, na ameaça por trás das paredes da casa. Tal escolha enaltece a tensão de algumas cenas, mas distancia a empatia com os protagonistas, além de deixar óbvio o desfecho do roteiro.

Isolados nunca se furta de deixar claro que filmes como Os Outros, O Sexto Sentido e Ilha do Medo são a principal fonte de inspiração. Tecnicamente o filme consegue representar com louvor essa influência, mas não repete o mesmo feito na hora de exibir uma boa história.

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Nota do crítico (Bom) críticas de Filmes
 

Uma palavra define esse filme: surtado !! Me lembrou MUITO "A Ilha do Medo". Curti bastante, achei um bom suspense !!

Antes de começar a assistir a Isolados não tinha grandes pretensões. Ao adentrar no universo do filme acabei por ser presenteado com algo que realmente tem a mão de um diretor que conhece de cinema e busca construir o filme de maneira inteligente. O cinema brasileiro realmente está crescendo e saindo da superficialidade para um cinema que sabe escrever histórias com imagens. Tirando algo em demasia que quase me fez pensar que realmente estaria embarcando em uma canoa furada, o filme consegue envolver o espectador e o diretor Tomas Portella com sua câmera e estrutura narrativa bem engenhosa nos coloca dentro daquele mundo de terror em que os personagens estão vivendo. Lauro e Renata (Bruno Gagliasso e Regiane Alves) são um casal que vai até uma casa no meio do mato para passar um tempo juntos. Aos poucos entendemos que ele é um psiquiatra e ela uma paciente dele. Paralelo a isso há uma onda de crimes no lugarejo onde a casa se situa. Mulheres estão sendo mortas e violentadas no meio do mato. Lauro acaba escondendo essa informação de Renata e resolve ir mesmo assim para a casa. No fundo, o filme tem uma ponta do excelente Anti Cristo de Von Trier. Digo uma ponta porque há ali um médico e uma paciente em uma casa/cabana no meio do nada. Além disso o personagem de Willen Dafoe é algo que simboliza, apesar de querer ajudar a paciente, a opressão em relação a mulher. Ele é uma metáfora de controle ou dominação do homem em relação à mulher. Lauro se assemelha a esse personagem por justamente controlar a vida de Renata. Ele que toma as decisões e que o tempo todo quer determinar o que Renata pode ou não fazer. Assim na essência o filme conserva um mínimo de uma história já contada. A maneira como a narrativa é construída é que revela o quanto o filme tem seu potencial. Logo no início o filme lembra um filme americano barato. Esse começo quase me tira do filme. A cena é construída de uma maneira que já assistimos inúmeras vezes. Pensei que iríamos imitar a maneira americana de fazer um filme. Além disso a cena da borracha cortada com água se esvaindo já era algo metafórico para a construção da cena e eis que então o diretor que também co-escreveu o roteiro quer colocar um algo a mais desnecessário em cena. Felizmente eu estava enganado pois após esse início o filme constrói toda sua atmosfera com recursos cinematográficos. O filme é pouco iluminado e então um ambiente de terror e medo é construído em meio a escuridão. As vezes não sabemos se é dia ou noite. O uso da câmera subjetiva consegue corroborar para o sentimento de algo que se esconde na mata ou na escuridão. Os quadros elaborados em primeiríssimos planos traz à tona a câmera de David Lynch filmando o pesadelo de Império dos Sonhos com a distorção do rosto dos personagens. Acrescenta-se a isso planos fechados sem grandes profundidade de campo. Dessa maneira somos envolvidos sem saber o que pode ter logo ali no escuro. E por fim o design de produção que se utiliza de uma casa que funciona bem como um pesadelo, não só por estar no meio do mato, mas sim pela construção de seu interior. O roteiro pode parecer falho, mas ao chegarmos no final conseguimos enxergar várias pistas no decorrer do filme através de seus diálogos que contribuem para que se chegar ao desfecho do filme. A única falha é colocar as vezes personagens que não vão muito adiantes e em certo momento encaixar cenas que facilmente poderiam ser cortadas na montagem final. Falando de personagens não vejo Gagliasso convencendo na hora de falar seus diálogos, por outro lado Regiane Alves parece conseguir estar bem segura no personagem. A homenagem a José Wilker é válida, mas seu personagem parece ter perdido cenas na montagem final. Parece colocado apenas para ter essa homenagem, já que sua participação não é importante para a trama. Construindo o filme com sabedoria ao utilizar recursos importante para contar a história, o filme mesmo não sendo algo original sabe desenvolver o potencial de sua história. Explorando cada canto da escuridão, seja interna ou externa, o filme consegue nos envolver em uma obra bem construída. http://embriagadospelocinema.blogspot.com.br/2015/07/critica-isolados.html

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