O Artista
Filmes - Comédia, Romance
O Artista (2012)
(The Artist)
  • País: EUA
  • Classificação: 12 anos
  • Estreia: 10 de Fevereiro de 2012
  • Duração: 110 min.

O Artista | Crítica

Favorito ao Oscar faz uma homenagem bem oportuna ao cinema hollywoodiano

Poucas evoluções no cinema foram tão abruptas quanto o advento do som, em outubro de 1927, com O Cantor de Jazz. Em 1928, dos 294 filmes feitos em Hollywood, 220 eram mudos. No ano seguinte, o salto: de um total de 290, apenas 28 não tinham som. (Números tirados do ótimo livro The Hollywood Story, de Joel W. Finler.)

Esses dois anos de transição pegaram muita gente de surpresa - especialmente atores que não estavam preparados para os talkies, como em Cantando na Chuva, a história da substituta de uma diva do cinema mudo que perdeu o emprego no sonoro porque sua voz era horrorosa. É nesse período - precisamente, de 1927 a 1932 - que se passa O Artista (The Artist).

Na trama, o galã George Valentin (Jean Dujardin) sequer tenta se adequar à nova realidade. É o tipo de ator à Rodolfo Valentino (a semelhança no nome não é por acaso) que estava habituado a exagerar nas feições para suprir a falta de diálogos. Orgulhoso, Valentin não acredita que os talkies substituirão os filmes mudos e acaba defasado, enquanto sua fã Peppy Miller (Bérénice Bejo), que deve sua carreira a Valentin, aos poucos torna-se uma estrela do sonoro no ex-estúdio do galã.

Diz muito sobre o Oscar o fato de O Artista e A Invenção de Hugo Cabret serem os campeões de indicações à cerimônia em 2012, respectivamente em 10 e 11 categorias. São dois filmes de época que voltam às origens do cinema em chave nostálgica, em um momento em que os grandes estúdios se defendem como podem da evasão das salas e da pirataria. Ironicamente, o francês O Artista é o único dos indicados a melhor filme que foi rodado em Los Angeles. Da sua recriação de época à escolha do elenco coadjuvante, cheio de nomes hollywoodianos, o longa de Michel Hazanavicius faz uma celebração americanófila que talvez explique seu favoritismo no Oscar.

E é inegavelmente uma bela celebração. Se Hazanavicius antes era conhecido pelas paródias descartáveis de espionagem dos filmes do Agente 117 (estrelados por Dujardin; o primeiro deles também com Bérénice Bejo), em O Artista ele faz uma homenagem esmerada que, apesar do formato (a janela 1,33:1 igual à dos filmes antigos pode gerar estranheza), é capaz de tocar mesmo o espectador que nunca viu um filme mudo - ou mesmo preto-e-branco. Difícil errar com o sorriso largo de Dujardin e um cão como o terrier Uggie (a dupla formada para acentuar o caráter ator-objeto de Valentin, que decorou tiques e coreografias mas não sabe aprender novos truques, é uma grande sacada do roteiro).

Por mais simpático que seja, O Artista também não deixa de ser um filme calculadinho, tanto no que tem de moderno (o texto cheio de jogos de palavras com "falar" e a tentação constante de cair para a metalinguagem, na incapacidade de Valentin de ouvir as pessoas) quanto de perfeccionismo estético-histórico (a iluminação chama atenção porque o filme foi rodado em cores e depois vertido para preto-e-branco digitalmente, o que permite maior controle de contrastes, como em O Homem que Não Estava Lá).

É possível que O Artista seja lentamente esquecido depois do Oscar, mas, por enquanto, aproveita seu momento de feel good movie feito na medida para todos os públicos, não só os saudosistas. Quem deve ganhar mais com o sucesso do filme, porém, são as carreiras de Dujardin e Bérénice - duas grandes presenças de cena que fazem a diferença em O Artista e provam que atores não são tão descartáveis quanto o avanço tecnológico pode sugerir.

O Artista | Trailer legendado
O Artista | Cinemas e horários

Nota do crítico (Bom) críticas de Filmes
 

ótimo filme!

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