O Estranho Que Nós Amamos
Filmes - Drama, Faroeste
O Estranho Que Nós Amamos (2017)
(The Beguiled)
  • País: EUA
  • Classificação: 14 anos
  • Estreia: 10 de Agosto de 2017
  • Duração: 93 min.

O Estranho que Nós Amamos | Crítica

Sofia Coppola se aproxima do terror mas renega os personalismos do filme de 1971

É sintomático que Sofia Coppola descreva em entrevistas a versão original de O Estranho que Nós Amamos como um filme B estrelado por Clint Eastwood. O fato de os longas de Eastwood dirigidos por Don Siegel entre os anos 1960 e 1970 serem realmente suspenses B (em espírito, em permissividade) se transforma hoje, e na fala da cineasta isso sai como um julgamento de valor: o The Beguiled de Coppola competiu e se premiou em Cannes, traz no elenco três gerações de requisitadas atrizes americanas, trata seus temas com as sutilezas da "sensibilidade feminina". Na comparação, é muito mais um filme hollywoodiano tipo A do que o longa de 1971.

Em linhas gerais, os dois filmes baseados no romance de Thomas Cullinan são muito similares. Transcorre a Guerra Civil Americana e um internato de garotas na Virginia é forçado a hospedar um cabo do exército ianque (papel de Colin Farrell no remake) depois que ele se machuca em batalha. Conviver com o inimigo é um choque inicial que as mulheres sulistas logo superam; tanto as alunas quando a jovem professora (Kirsten Dunst) e mesmo a dona do internato (Nicole Kidman) se afeiçoam pelo charmoso homem, o que gera conflitos que não dizem respeito apenas à disputa política entre a União e os rebeldes Confederados.

A principal mudança que Coppola faz em seu roteiro é suavizar a história passada da personagem de Kidman: de senhora incestuosa de fazenda, canalizadora de compulsões, ela se torna uma viúva moralmente defensável. O filme de Siegel, ao combinar os pecados do militar com o do outro homem que habitava a casa, deixava um claro manifesto desiludido sobre o país e a guerra - ianques e confederados unidos em suas perversões. Ao tomar um caminho menos retórico, mais vinculado ao ponto de vista das personagens femininas, Coppola opta por uma área cinza mais sutil, sem deixar de fazer um filme sobre a perda da inocência - como, ademais, era o filme de Siegel e como são os dramas da cineasta de Virgens Suicidas.

Não há outras mudanças drásticas, e o que se destaca na versão de Coppola é a escolha por uma série de pequenos ajustes "de respeito" que tornam seu filme menos idiossincrático. Isso está na forma como tudo é encenado sem movimentos bruscos, sem cores carregadas, e também na eliminação de pontos nervosos que correriam em paralelo (o remake não tem a escravidão em cena, por exemplo). Se Siegel fez um filme carregado de pontos de vista conflitantes, enviesados, com manifestações visuais de fluxos de consciência para não deixar dúvidas de que a ideia do filme era justamente o choque de olhares, Coppola opta por diluir conflitos e não enquadrá-los, e assim abrir tudo a interpretações externas.

O resultado pode parecer insatisfatório, na comparação, porque ao escolher o naturalismo este O Estranho que Nós Amamos se aproxima mais dos terrores recentes americanos, do chamado "post-horror", que se marcam por guardar potenciais secretos que não necessariamente se consumam. A cena da amputação, por exemplo, horror máximo, é recriada aqui (como todo o resto) de um jeito funcional, justificável, enquanto Siegel encenava praticamente um ritual de magia negra. O The Beguiled original se enriquecia por esses personalismos. Já Coppola sempre foi a cineasta do implícito, da narrativa lacunar evocativa, e ao fazer um filme de terror mais atmosférico que incisivo ela parece se segurar, num momento em que todos esperavam dela (pelo selo Cannes, pelo quilate do elenco, especialmente pelo gênero a que se filia) que se diferenciasse.

Nota do crítico (Bom) críticas de Filmes
 

Eu gostei,mas esperava mais acho que o filme ficou muito redondinho,a Sofia poderia ter se arriscado mais.

saiu nada

Outra crítica sobre o filme: https://cinematographecinemafilmes.wordpress.com/2017/09/29/o-estranho-que-nos-amamos-2017/

mais respeito com os deficientes

E vc um retardado.

Eu achei o filme "intimista" e feminista. Além de ótimas interpretações das atrizes consagradas. Torcia para um "final feliz" mas... Ele (o cabo) confirmou a máxima "Quem procura... acha" rs

Concordo com boa parte do que você falou, mas não acho que seja tão distante da música em termos de exatidão. Tem coisas que são exatas e pronto. Pegue por exemplo as cenas de ação envolvendo o Batman batendo em bandidos em Batman Begins, são péssimas(e olha que estou citando um excelente filme de um diretor que sou fã), não tem como argumentar e dizer que é bom, a pessoa por motivos inexplicáveis pode até gostar, do mesmo jeito que alguém que não entende de música pode por motivos inexplicáveis gostar do som de alguém que erra várias notas e toca o instrumento errado, mas as cenas são inegavelmente mal feitas, com planos fechadíssimos e corte frenéticos que tornam a compreensão da coreografia em algo impossível. O cinema é cheio de coisas assim, mas a subjetividade ainda existe. Algo técnico pode causar um sentimento em mim e um sentimento completamente contrário em outra pessoa.

Por isso o "dissertativo-argumentativo", você expressa sua opinião com argumentos que tentam sustentá-la. Ainda assim é sua opinião pessoal, não é um fato concreto. É impossível você provar que uma fotografia de um filme é boa, você pode dissertar do porquê você acha que ela é boa e as pessoas podem concordar com base no que você explicou, mas não existe um manual de como fazer um filme, um modelo do que fazer, não é algo como música por exemplo que você toca ela certo ou errado. Quando mais se aproxima de "filme-de-arte" então, pior fica. Pense nisso, se alguém perguntar pra qualquer crítico que seja "Qual é o filme que você considera perfeito ou mais perto da perfeição?" é improvável que eles vão responder o mesmo filme. Crítica é opinião pessoal, de uma maneira ou de outra.

a função da crítica não é simplesmente dá rótulos com base em opiniões subjetivas, ela pode ter opinião sim, mas deve acima de tudo fazer uma análise da obra, procurando como o diretor fez para que isso ou aquilo funcione, procurando os motivos que o fizeram sentir aquilo enquanto assistia o filme.

Cinema não, mas crítica sim. Críticas são textos dissertativo-argumentativos baseados na opinião de quem escreve, não são trabalhos acadêmicos embasados em fatos.

Resumir cinema apenas à gosto pessoal e experiência própria, ignorando que uma obra tem mais fatores objetivos do que subjetivos, é algo absurdo.

Dessa vez eu tenho que concordar com a crítica do Hessel =/ O Filme é um baita clichê, tudo o que ocorre não faz a mínima diferença para as personagens nem para a estória - fica até irritante as cenas de novela com um malandro querendo pegar as menininhas e todas caindo de amor por esse estranho- chega a ser até previsível todas as cenas e por isso que não faz diferença o que acontece, pq cai no senso comum. Eu daria até menos ovos.

Se o diretor tem uma intenção e não consegue passar ela claramente no filme, eu saber qual era a intenção dele me deixa mais apto a julgar que aquela intenção não foi atingida. Ir com "preconceito" para um filme todos nós vamos, já que temos nossas percepções e gostos. Se eu não gosto de um estilo de um diretor e eu sei que o filme é dele não adianta eu tentar fingir imparcialidade pq eu não vou conseguir, minha pré-indisposição vai falar mais alto. Tratando-se de uma crítica é melhor ainda que as pessoas saibam qual é a posição do crítico sobre os fatores externos que influenciaram ele, assim o leitor já sabe se vai concordar ou não com o que foi escrito baseado nisso. As coisas mais importantes num crítico de qualquer espécie são a transparência e a consistência, querer exigir imparcialidade de alguém que está falando sobre gosto pessoal e avaliando algo com base na própria experiência é algo absurdo.

"Blábláblá bla sou kid mongol e femminazi"

"Blábláblá bla sou kid mongol...."

Hessel? Nem li

Blábláblá bla odiamos homens...somos femminazi

Se fosse Channing Tatum ao invés de Colin Farrell no papel, sabemos que a crítica seria outra............ Entendedores vão entender..............

Eu tô até agora procurando o significado do primeiro parágrafo e ainda não achei! :)

o problema é que vai além da intenção do diretor. O diretor pode ter uma intenção, mas não deixar essa intenção clara no filme por incompetência, e acabar passando outra ideia, fazendo o público acreditar que a intenção do filme era outra. O público não vai assistir o filme sabendo da intenção do diretor por o que ele falou em entrevistas, o público vai descobrir a intenção dele, a proposta do filme, enquanto assiste o filme. Assim o Hessel acaba indo com um preconceito, pois mesmo que a diretora tenha dito isso na entrevista, pode ser que o filme acabe passando algo diferente, que nunca será devidamente apreciado se o crítico for bitolado pelas ideias extra filme. Além disso, muitas vezes o que o um diretor fala pode gerar desagrado no crítico, que pode acabar indo assistir o filme com maus olhos, com vontade de não gostar. Por exemplo, o Iñarritu falou em uma entrevista que o filme dele(o regresso) deveria ser visto num templo, logo se tem a ideia de que o filme é algo ambicioso que mudará sua vida, além é claro de que o diretor é um babaca arrogante, então o cara se depara com um filme sim ambicioso, mas que é acima de tudo um filme sobre sobrevivência, vingança e solidão, mas o crítico que ver algo transcendentivo, além de já querer detestar o filme pela babaquice do diretor, logo temos uma crítica parcial, preconceituosa que não julga o filme pelo que ele verdadeiramente se propõe.

No que a intenção do diretor é um fator extra?

crítica do Marcelo Hessel é igual a "não li e não gostei"

Crítica do Hessel to aqui pra aumentar meu vocabulário. idiossincrático-Check

idiossincrático sintomático enviesados...,sinceramente,agora entendi pq minha professora fanática de Biologia disse que meu "trabalho" no segundo grau era "insipido"

Cadê a crítica de Valerian?

Eu entendo o que as pessoas falam das críticas do Hessel, tem que ter um pouco de paciência para ler, mas dizer que a crítica é ruim só por causa do autor é demais. Leiam e se não gostarem ok. No mais, quero ver esse filme! /o/

Então essa omelete é bem cabeluda. Porque essa é uma das coisas que mais reclamam das criticas dele. É referencia pra lá, o que o diretor falou na entrevista pra tal publicação pra cá. Mas falar do filme mesmo que é bom é raro. Então não acho que o que falei foi tão sem sentido assim.

mas tudo isso deve ser analisado dentro do filme, fatores extras não deveriam influenciar. No caso do Hessel, ele já vai com uma visão preconcebida para assistir o filme, muitas vezes levando o sentimento dele em relação a alguma declaração do diretor para o filme. Não ato ele odeia e odiará qualquer coisa que o Nolan e o Iñarritu fizer.

Faz muito bem!

A intenção do diretor conta pra interpretação do filme.

É trabalho do crítico buscar referências para seu texto, especialmente opiniões e descrições que as mentes criativas normalmente falam, já que tal tem influência direta na obra final. Podes ter a opinião que for sobre o Hessel, mas não vamos procurar pelo em ovo.

"É sintomático que Sofia Coppola descreva em entrevistas." Como o Hessel leva em conta fatores além filme, né? Já não é a primeira vez que vejo ele avaliar um filme baseado no que o diretor(a) teria falado na entrevista tal o twittado não sei o que. Falar do filme em si mesmo é raro.

Hahahaha...tabela Hessel, bem assim.

Só vejo para ver quantos ovos tem e comparar com as críticas sérias.

essas criticas do hessel eu passo !

Pelo trailer e pelo oq vi parece ser bem melhor que o original. Este novo parece ter um clima maior de suspense e atuações excelentes.

5 ovos pro filme do tatu é inacreditável

Para quem é novo aqui no Om3lete e não sabe o esquema das críticas do Hess3l, vou explicar: 2 ovos: Provavelmente é um ótimo filme (exceções foram Alien: Covenant e Esquadrão Suicida); 3 ovos: O filme provavelmente é excelente; 4 ovos: O filme provavelmente é regular; 5 ovos: O filme tem o Channing Tatum ou é um filme do Paul W. S. Anderson.

Abri o site do Omelete > Vi nas últimas notícias a crítica deste filme que foi grande destaque para a maioria dos críticos em Cannes esse ano > Vi que o Omelete deu 3 ovos apenas > Vi que a crítica foi escrita pelo Marcelo Hessel > Criei esse post e saí da página.

O original era muito bom. Passava direto no Corujao nos anos 90. A crítica ficou muito boa. Mas só acho que citar a cena da amputação é um baita Sp0iler

Discuta aqui no site Discuta aqui

O Omelete disponibiliza este espaço para comentários e discussões dos temas apresentados no site. Por favor respeite e siga nossas regras para participar. Partilhe sua opinião de forma honesta, responsável e educada. Respeite a opinião dos demais. E, por favor, nos auxilie na moderação ao denunciar conteúdo ofensivo e que deveria ser removido por violar estas normas.

Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.

blog comments powered by Disqus