Para Roma, com Amor
Filmes - Comédia
Para Roma, com Amor (2012)
(To Rome With Love)
  • País: Espanha, Itália
  • Classificação: 12 anos
  • Estreia: 29 de Junho de 2012
  • Duração: 110 minutos min.

Para Roma Com Amor | Crítica

Woody Allen World Tour chega à capital italiana

É divertido acompanhar o olhar "turístico" de Woody Allen em sua fase fora de casa, filmando pela Europa. Depois de Londres, Barcelona e Paris, o cineasta que fez de Nova York sua base de operações durante tantas décadas aportou na capital italiana, onde realizou Para Roma Com Amor (To Rome with Love, 2012).

Diferente do seu filme anterior, Meia-Noite em Paris, no entanto, a história não reflete a alma cultural, romântica e atemporal da cidade, mas apenas passeia por obviedades e noções amplas do que é Roma. Faz-se piada com a dificuldade de locomoção pelas ruelas e observa-se com encanto ruínas e lugares, mas as ideias apresentadas são se concretizam em algo que vá além de uma exemplificação delas mesmas.

O filme tem quatro histórias distintas, que jamais se cruzam. Na melhor delas, um arquiteto de sucesso, John (Alec Baldwin), de férias na Europa, tem um encontro por acaso com Jack (Jesse Eisenberg), um estudante de arquitetura. Não demora para que o primeiro comece a dar conselhos amorosos ao rapaz, que se vê envolvido em um triângulo amoroso com a namorada (Greta Gerwig) e a melhor amiga dela (Ellen Page) - ambas representações dos arquéticos femininos de Allen (Gerwing até veste-se como as personagens dos anos 80 do diretor). O segmento lembra Meia-Noite em Paris na estrutura, que borra o realismo e o fantástico sem aviso. Não se sabe ao certo de Baldwin é parte da imaginação de Eisenberg ou se o jovem é uma manifestação da juventude do primeiro. As duas possibilidades são válidas - e ótimas.

Outro segmento traz o próprio diretor como seu personagem favorito: o paranoico e fracassado especialista em um segmento cultural. No caso, um produtor de óperas incapaz de realizar um sucesso sequer devido às suas ideias transgressoras. Ele viaja com a esposa para o casamento da filha (Alison Pill) com um italiano (Flavio Parenti). Chegando à Roma, conhece o pai do noivo (Fabio Armiliato) e apaixona-se pela voz do sujeito ao ouvi-lo cantando no chuveiro. É, de longe, a mais engraçada, pela excelente montagem teatral de "Pagliacci" ao final, que me arrancou gargalhadas.

Esse trecho contém ideias sobre anonimidade, fama e sucesso, mas sem efetivamente discuti-las. Só apresenta o problema, que resolve da maneira mais previsível e sem esforço possível. O mesmo acontece - com uma certa sensação de mesmice - no segmento com Roberto Benigni, que vive um romano trabalhador de classe média, Leopoldo Pisanello. Um dia ele sai na rua e é abordado pela imprensa, que decide investigar cada aspecto de sua vida. "Você é famoso por ser famoso", explica a ele um motorista. A história simplesmente não tem estofo suficiente para segurar a duração, mesmo que só ocupe 1/4 do filme.

A última, e mais fraca, fala de aparências e desejos - com um ar de novela das seis. Um homem provinciano (Alessandro Tiberi), chega à cidade para discutir uma oportunidade de emprego ao lado de sua mulher (Alessandra Mastronardi). Mas coincidências acabam fazendo com que ele tenha que apresentar uma prostituta (Penelope Cruz) à sociedade, enquanto sua esposa de verdade se vê às voltas com astros de cinema italianos.

São ideias interessantes, mas que ao final parecem uma colagem de insights do diretor sobre os temas propostos, sem muita preocupação em criar algo coerente com o cenário à disposição. Ainda que o resultado seja agradável (e dê vontade de passar algum tempo em Roma) e divertido de assistir, fica a sensação de que foi realizado pelas férias, pra "marcar tabela", como aqueles turistas que passam por 12 capitais em duas semanas pra dizer "eu estive aqui", e não para criar uma memória duradora.

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Nota do crítico (Bom) críticas de Filmes
 

Pra mim a melhor historia foi a de Roberto,sou suspeito para falar depois de a vida e bela,mas a fama pela simplicidade é linda e comica

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