Soul Kitchen
Filmes - Comédia
Soul Kitchen (2009)
(Soul Kitchen)
  • País: Alemanha
  • Classificação: 14 anos
  • Estreia: 19 de Março de 2010
  • Duração: 95 min.

Crítica: Soul Kitchen

Feel good movie de Fatih Akin defende o hype contra a caretice do capitalismo

 

O choque da tradição europeia com a miscigenação cigana marca os filmes do diretor alemão de ascendência turca Fatih Akin, como Contra a Parede e Do Outro Lado. Akin muda de gêneros, vai do documentário musical ao filme-mosaico, mas mantém sempre um certo grau de impacto.

Com Soul Kitchen é diferente. Mais uma vez, o diretor troca de gênero - ele flerta pela primeira vez com a comédia aberta - mas abre mão do impacto em nome do clima de bem estar. Não se engane com os elogios que o filme ganha aqui e ali: feel good movies atraem essas loas fáceis, e Soul Kitchen não faz por merecê-las.

A premissa antepõe mercenários e puros de coração. De um lado, um especulador que surfa na gentrificação (a transformação de bairros tradicionais de classe baixa em valorizados espaços de boom imobiliário) de Hamburgo e está de olho no galpão velho onde funciona o pé-sujo Soul Kitchen. Do outro, o dono do restaurante, que não quer vendê-lo mas também sofre para pagar suas contas.

Obviamente, o especulador (vivido por Wotan Wilke Möhring) personifica o alemão secular, loiro, pragmático - que pensa em vender o galpão para o personagem interpretado por Udo Kier, ator associado a nazistas no cinema. Já o dono do restaurante, o imigrante grego Zinos (Adam Bousdoukos), é o típico galã errante, que gosta de comida "com alma", escuta caixinhas de músicas etc.

Tematicamente, Soul Kitchen fica entre os filmes paternalistas de culinária, como Simplesmente Martha, que tratam gastronomia como um conto de fadas, e produções de nostalgia urbana contra a ferocidade do capitalismo, como O Filho da Noiva. Se os desdobramentos de Soul Kitchen são previsíveis (todo mundo tem direito a uma redençãozinha), a mão de Akin para a comédia física - tem gag mais velha do que o cara que cai no chão? - também não ajuda.

O que Soul Kitchen tem de mais interessante - e que está intrinsecamente ligado ao cinema anterior de Fatih Akin - é que sua defesa das coisas bonitas e pulsantes passa pela mistura. É uma nostalgia ao contrário, que só um cosmopolita poderia conceber: a vida cigana, as drogas, o rock, não são sinônimos de cultura diluída, mas de autenticidade. Não há problema, segundo essa ótica, em misturar cartazes da propaganda soviética com black music e pôsteres de cultura punk.

O hype, para Akin, é uma coisa do bem. Se a gentrificação de Hamburgo gera guindastes pelo horizonte (quando filma em prédios envidraçados, o diretor não deixa os guindastes saírem de quadro), por outro lado também gera butecos, restaurantes e outras ilhas onde o vintage é uma commodity aceita - e valiosa.

Nota do crítico (Regular) críticas de Filmes
 

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