X-Men - O Filme
Filmes - Ação, Ficção Científica
X-Men - O Filme (2000)
(X-Men)
  • País: EUA
  • Classificação: 12 anos
  • Estreia: None
  • Duração: 97 min.

X-Men: O Confronto Final | Crítica

X-Men: O confronto final

X-Men: O confronto final
X-Men: The last stand
EUA, 2006
Ação/Ficção - 104 min

Direção: Brett Ratner
Roteiro: Simon Kinberg e Zak Penn

Elenco:
Hugh Jackman, Halle Berry, Ian McKellen, Famke Janssen, Anna Paquin, Kelsey Grammer, Rebecca Romijn, James Marsden, Shawn Ashmore, Vinnie Jones, Aaron Stanford, Patrick Stewart, Ben Foster, Dania Ramirez, Olivia Williams, Daniel Cudmore, Ellen Page, Michael Murphy, Shohreh Aghdashloo, Cameron Bright, Bill Duke, Josef Sommer

Muito barulho ecoou pela Internet quando Bryan Singer anunciou que faria Superman - O retorno e não voltaria para o terceiro capítulo da cinessérie X-Men, franquia que ele estabeleceu como uma das melhores de super-heróis no cinema. E o barulho ganhou ainda mais potência quando o nome do substituto definitivo (depois de uma breve passagem de Matthew Vaughn pelo projeto) foi anunciado: Brett Ratner, mais conhecido pelos filmes A hora do rush. As coisas se acalmaram apenas mais tarde, quando o diretor deu aos fãs o que eles queriam: nomes e mais nomes de mutantes que figurariam no filme, fotos decentes da produção, toneladas de referências à mitologia dos X-Men e bons vídeos. Mas ainda restava a dúvida se o desacreditado sujeito conseguiria continuar a série com a competência dos primeiros longas, filmes geralmente apreciados até pelos críticos mais ranzinzas.

E não é que Ratner foi um Bryan Singer razoável?

Sem estrelismos ou crise de identidade, em X-Men: O confronto final (X-Men: The last stand, 2005) o diretor abraçou a cartilha deixada pelo antecessor e seguiu à risca o visual estabelecido e já conceituado da série. Claro que a mediana expectativa pela produção ajudou, afinal, não há momento algum em X3 que tenha a sagacidade da fuga de Magneto da prisão em X2, por exemplo, mas a premissa básica da trama escrita por Simon Kinberg e Zak Penn é tão bacana que ficaria difícil estragá-la. Sai o cérebro, entram os punhos.

A história tem como inspiração duas excepcionais fases dos quadrinhos da Marvel, a famosa Saga da Fênix Negra e o arco de estréia de Joss Whedon (Buffy) à frente do gibi Surpreendentes X-Men. Mas não espere fidelidade ao material adicional. Idéias são meramente pinçadas das duas e misturadas, tendo como único critério a diversão (a própria duração da fita já deixa claro isso: apenas 104 minutos, quase meia-hora a menos que o anterior). Nada de muito filosófico ou que dê margens a discussões como os embates de Charles Xavier (Patrick Stewart) e Magneto (Ian McKellen) nos primeiros filmes. Em X-Men 3 é tudo mais contrastante e o vilão mutante é menos cinza, tratado como um Osama Bin Laden superpoderoso (com direito a vídeos caseiros para redes de TV), o que tira grande parte de sua força.

O excesso de personagens nessa curta duração também incomoda, como era temido. A necessidade de atenção da oscarizada Halle Berry e sua Tempestade tira espaço de dois outros que poderiam ter sido muito melhor trabalhados. O Anjo (Ben Foster) é um deles. Egresso da telessérie A sete palmos, o ator que o interpreta rouba a cena em todas as seqüências em que surge com as longas asas do personagem, porém nada faz de útil! Tremendo desperdício de potencial. Outros, como Homem de Gelo (Shawn Ashmore), Vampira (Anna Pakin), Kitty Pryde (Ellen Page) e Colossus (Daniel Cudmore) também ficam devendo. Sem falar no Ciclope (James Marsden), que mal aparece. Mais sorte tiveram outros novos mutantes, o Fera (Kelsey Grammer) e o Fanático (Vinnie Jones). O primeiro tem tanta relevância à trama quanto pêlos. Antigo X-Man, ele assume uma secretaria de assuntos mutantes no governo e é o primeiro a se deparar com a grande ameaça do filme, a cura mutante, um soro que elimina o gene X transformando os homo superior em pessoas comuns. Já o outro, um mutante que não pode ser parado depois que começa a se mover, é um alívio cômico de meia tonelada que funciona muito bem nas telas.

Wolverine (Hugh Jackman), claro, e Jean Grey (Famke Janssen) são os que menos sofrem com a superpopulação. Há cenas de sobra para definir a ameaça da revivida telepata e sua transformação na mais poderosa força do planeta, a Fênix. Mesmo assim, enquanto ele ocupa praticamente cada quadro da fita, ela ganha exposição de verdade apenas quando está ao seu lado. Sozinha, fica a clara constatação de que mesmo a poderosa ruiva não é capaz de enfrentar o furioso Wolverine quando o assunto é popularidade. Mesmo que ela seja central ao roteiro.

O grande trunfo de X-Men: O confronto final, o ponto em que ele leva alguma vantagem sobre os demais, é o estabelecimento da raça mutante como uma realidade social. Não mais um pequeno grupo de párias isolados, agora eles formam uma comunidade. Organizam-se, debatem, se reconhecem através de signos e gírias e lutam pelos seus direitos. A metáfora dos filmes de Singer dessa forma segue forte, avançando um longo passo. Se esse elemento tivesse sido mais explorado e o diálogo fosse um pouco menos cartunesco (o filme veio das HQs mas ainda assim é um filme), provavelmente esta terceira adaptação rivalizaria com as demais em relevância. Dá vontade de mergulhar mais profundamente nesse universo e conhecer melhor as personagens deixadas de lado.

Não que a produção - que encerra a primeira trilogia dos X-Men - seja ruim. Longe disso. No que tange ao divertimento de fim de semana ela é extremamente bem-sucedida. A ação é empolgante, adrenalizante, e os efeitos especiais estão incrivelmente competentes para um filme que teve apenas 10 meses (!) do início das filmagens ao lançamento. Prova disse é a cena do ataque final de Magneto e seu exército à ilha de Alcatraz, uma fantástica coreografia que já está entre as melhores que já saíram das páginas da Marvel.

Com tantos altos e baixos, X-Men: O confronto final não é uma quase unanimidade como os primeiros. Ao final da própria sessão de imprensa, invadida por fãs fervorosos de todas as cores e tamanhos, os comentários eram exaltados e - em sua maioria - negativos, irritados com qualquer alteração aos 40 anos de quadrinhos mutantes, sem se darem conta que nem os próprios gibis levam a sério essa coisa toda. Morte, renascimento, mudança de lados na guerra, de personalidade, de filiação... tudo isso é parte da longa e instável história dos X-Men... se está no gibi por que não pode estar também na tela?

Nota do crítico (Bom) críticas de Filmes
 

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