Zodíaco
Filmes - Suspense
Zodíaco (2007)
(Zodiac)
  • País: EUA
  • Classificação: 16 anos
  • Estreia: 1 de Junho de 2007
  • Duração: 158 min.

Zodíaco

David Fincher de volta ao tema que o consagrou no cinema

David Fincher volta ao tema de Se7en, o assassinato em série. Mas não espere em Zodíaco os casos grotescos, estômagos estourados, esquálidos sofredores e a chuvarada de Os Sete Pecados Capitais. Fincher está praticamente irreconhecível em seu novo filme, agora baseado em um caso real, e em comum as duas histórias só têm a figura do gênio do crime. E se em seus trabalhos anteriores, como Clube da Luta e O Quarto do Pânico, ele abusa de uma estilosa linguagem própria e explora ousadas e hipnóticas técnicas de filmagem, neste as sutilezas e a pesquisa histórica parecem suas obsessões.

Aliás, a palavra é bastante apropriada. Mais que um suspense policial, o maduro - e não menos hipnótico - Zodíaco é um filme sobre pessoas obcecadas. Nele, Jake Gyllenhaal (O Segredo de Brokeback Mountain) interpreta Robert Graysmith, um cartunista do jornal San Francisco Chronicle que, fascinado por quebra-cabeças, começa a investigar o mistério do assassino do Zodíaco por conta própria. Suas pesquisam fazem com que seu caminho cruze com o dos policiais destacados para o caso, Dave Toschi (Mark Ruffalo) e Bill Armstrong (Anthony Edwards), e com o do repórter policial Paul Avery (Robert Downey Jr.) - cada um também determinado a descobrir a identidade do matador.

A obsessão de Graysmith gerou frutos. Ele acredita ter identificado o maníaco e escreveu suas experiências em dois livros, que servem de base para o filme, Zodiac e Zodiac Unmasked: The Identity of Americas Most Elusive Serial Killer Revealed.

As ações do assassino serial começaram em dezembro de 1968, quando um casal foi morto dentro de um automóvel na Califórnia. Os crimes seguiram até meados da década de 1970 e ele garante ter feito 37 vítimas, apesar do número jamais ter sido confirmado. Enquanto agia, alguém escreveu uma série de cartas enigmáticas à polícia e a vários jornais. Essa pessoa dizia ser a responsável pelas mortes e fazia novas ameaças. Imitando Jack, o Estripador, o autor fornecia evidências para provar seu envolvimento e sempre começava suas cartas com a frase "Aqui quem fala é o Zodíaco". O Zodíaco nunca foi capturado e muitos de seus pesquisadores (ele tem um verdadeiro culto na Internet), acreditam que ele ainda esteja em atividade, apesar das cartas terem parado há 30 anos.

O interesse de Fincher no caso, porém, desvia-se do habitual "quem matou quem" e não persegue a identidade, a resolução do caso - o que pode decepcionar muita gente (e talvez explicar a baixa bilheteria do filme nos EUA). Ele até usa diversos atores para interpretar o psicopata em ação, para que o público não fique tentando descobrir quem ele é. Também não há sustos, perseguições ou grandes momentos de tensão (fora uma assustadora cena num porão que é uma verdadeira aula de suspense), elementos convencionais da cartilha do gênero. A minuciosa e longa produção, que recria a época com extrema competência, persegue o impacto social de tal predador, como a incerteza dirige os esforços (oficiais e amadores) em pará-lo e os resultados desse empenho. Assim, os personagens da história tornam-se o grande ponto focal e o diretor coloca boa parte da responsabilidade do filme sobre os ombros dos atores - sem interferências de estilo e com grande sucesso.

Na que pode ter sido uma das suas últimas cartas à polícia, o Zodíaco, insatisfeito com Dirty Harry e outro filme menor baseado nas suas matanças, reclama: "Estou esperando um bom filme sobre mim". Onde quer que esteja, o assassino serial deve estar feliz com David Fincher.

Nota do crítico (Excelente) críticas de Filmes
 

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