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Cisne Negro | Omelete entrevista Mila Kunis

A bailarina Lily fala da sua preparação, de disciplina e também de sexo e comida
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O suspense Cisne Negro (Black Swan), que estreia nesta sexta-feira no Brasil, está concorrendo a cinco Oscars, incluindo melhor filme e melhor diretor. Depois de vencer o Globo de Ouro e o SAG, Natalie Portman concorre à estatueta da Academia, mas sua atuação não seria a mesma sem a leveza de Mila Kunis - indicada ao Globo de Ouro de melhor coadjuvante - como contrapeso.

A eterna Jackie de That 70's Show interpreta Lily, bailarina desencanada e sexualmente poliglota, o oposto da travada Nina. Mila Kunis fala da sua preparação para o papel, do contato com o mundo do balé, da já famosa cena de sexo e como ganhou de volta os quilos que perdera nas filmagens.

Como esse é um papel diferente para você, como foi o processo de seleção?

Eu não sei como ou por que fui contratada. Eu nunca cheguei a pedir. Eu não queria que ele [o diretor Darren Aronofsky] ficasse com dúvidas a meu respeito. Eu só fui junto e dizendo: "Tudo bem, se você confia em mim, eu topo". Foi assim. Foi uma oportunidade incrível, da qual eu não me arrependo e nunca vou questionar. Eu agradeço Darren todo dia por isso.

Você já viu O Lago dos Cisnes no palco?

Eu não tive a oportunidade de ver a versão completa até mais ou menos um ano atrás. Toda vez que eu ia ver uma apresentação de balé, era sempre um pedaço dela, então eu nunca tive a oportunidade de assistir à obra por completo.

Como você conseguiu parecer tão sensual sem esforço, mesmo sem ser uma bailarina?

Foi longe de sensual e sem esforço. Foram três meses de treino antecipadamente. Eu não era uma bailarina. Você pode fisicamente fingir só até um ponto, então você tem que mergulhar nesse mundo, no modo como se anda, fala e lida consigo mesma. Então foram três meses de treino, sete dias por semana, quatro ou cinco horas por dia antes de começarmos a produção. E durante a filmagem foi mais ou menos a mesma coisa.

O que te surpreendeu mais sobre o balé?

A coisa sobre o balé que eu nunca soube é que é um dos esportes mais excruciantes de que já participei. Eu digo esporte porque eles treinam constantemente, todo santo dia. Seu corpo muda. Seus ombros caem, o peito abre e existe uma certa postura que eu não tenho naturalmente por ser desleixada. Então por três meses eu tive que ficar reta constantemente. E o modo como eles movem os braços e as mãos enquanto dançam acaba mudando o modo de falar na vida real. E os pés ficam diferentes por causa das sapatilhas. Existem diversas pequenas mudanças.

Interpretando esse papel, você sabia dizer quando ela estava realmente ali e quando era ilusão de Nina?

Sempre que Natalie e eu estávamos na mesma cena, eu tenho quase certeza de que fizemos de todos os jeitos possíveis. Qualquer coisa que ela fizesse, eu fazia o oposto. A verdade é que por mais que tenhamos trabalhado no roteiro e por mais que tenhamos ensaiado tudo, ainda não sabíamos como tudo sera encaixado. Foi tudo tão meticuloso que eu só tentava dar meu máximo em cada tomada, e cada tomada era completamente diferente. Não houve nada contínuo.

Como foi a experência de trabalhar com Darren Aronofsky?

Trabalhar com Darren foi realmente uma das experiências mais incríveis da minha vida. Ele é um diretor brilhante. É raro encontrar alguém em que você possa confiar tanto, que te permita mergulhar no papel e sentir que existe uma rede de segurança para te proteger caso você caia. Eu sempre olhei para Darren como a rede de segurança e ele foi ótimo.

Você pode falar um pouco sobre a cena sexo? Foi sua primeira cena do tipo?

Eu fiz um filme chamado Depois do Sexo, com a Zoë Saldana, onde ela interpretava minha namorada, mas nunca tivemos uma cena de sexo. Tivemos a cena do que acontece depois que você transa, então talvez isso não conte. Então esta seria minha primeira vez.

Você e Natalie chegaram a discutir alguma coisa antes de fazer a cena, para deixar as coisas mais confortáveis?

Toda vez que se faz uma cena de sexo em um filme é um pouco desconfortável, seja do mesmo sexo ou do sexo oposto. A parte boa de tudo isso é que Natalie e eu tivemos a sorte de já sermos amigas antes da produção, o que fez as coisas ficarem bem mais fáceis. Nós não chegamos a discutir muito. Nós meio que só fizemos. Fazia sentido para a personagem. Não foi só pelo choque. Não era algo que nós precisássemos justificar em nossas mentes enquanto fazíamos. Foi aquilo. A verdade é que nós eramos amigas antes do filme, então foi tudo bem mais fácil.

Você se preocupa em ser explorada pelo cineasta numa cena assim?

Eu confio no Darren. Fazer algo assim com Darren foi tão seguro e confortável quanto algo assim pode ser. Pessoalmente, eu nunca tive medo de ser explorada.

Você já fez algum papel onde queria ser perfeita?

Eu sinto que em todo papel existe uma parte de você que obviamente sente que você é capaz daquilo. Eu não sei se perfeita é a palavra certa porque eu não acredito em perfeição. Eu não acho que isso exista. Mas eu acho que se esforçar para fazer uma coisa direito cabe em qualquer papel. A parte física deste papel foi provavelmente uma das coisas mais difíceis que eu já fiz. Quando se trata de personagens, tanto de drama, comédia, terror ou romance, é tudo o mesmo. Você quer ser honesto com o personagem e interpretá-lo verdadeiramente, e você quer ser genuíno com o personagem. A parte física desse papel foi o mais próximo que eu cheguei de um surto mental.

Você já viu a busca pela perfeição tomar conta de algum de seus colegas, quer seja artisticamente ou fisicamente?

Sim, ambos. Infelizmente, em uma indústria e em qualquer ambiente relacionado ao trabalho, mulheres sempre se esforçam para atingir um certo nível de perfeição, quer isso seja ser magra ou bonita. É uma constante em nossa sociedade. É provavelmente um pouco mais elevado na indústria em que me encontro por tudo ser uma questão de opinião. Eu posso achar alguém bonito, mas a pessoa ao meu lado pode achar que não, então as pessoas se esforçam para atingir uma certa forma de perfeição constantemente, mas eu acho impossível, pelo fato de ser uma opinião. Então, sim, eu já tive diversos amigos que foram afetados por isso.

Quão aliviada você ficou quando esse filme acabou e pôde comer o que quisesse?

Ah, meu Deus, você não tem ideia! Eu levei cinco meses para perder 10 quilos e apenas algumas horas para recuperá-los. Foi mágico. No final das filmagens, assim que eu fiz minha última cena de dança, corri pra casa aquela noite e comi uma tigela imensa de macarrão. Eu estava tão animada. Voltar à minha péssima alimentação depois de ter hábitos alimentares ótimos deixou meu estômago meio incomodado, mas depois que as filmagens terminaram de verdade a primeira coisa que eu fiz foi comer comida chinesa no aeroporto em Nova York. Aí, quando eu cheguei em Los Angeles, entrei no meu carro e passei em um Drive Through, pedi hamburger duplo com cerveja e foi fantástico. Foi isso que eu fiz. Foi muito bom.

Qual foi sua primeira reação quando viu o filme pela primeira vez?

Eu já vi o filme umas vezes. Na primeira, a montagem ainda estava muito crua e eu pensava, "Ah, esse foi o filme que fizemos". Depois, quando vi o produto final, eu fiquei encantada. Eu estava lá e me lembro de grande parte, mas eu não tinha a menor ideia de como Darren estava filmando. A câmera é uma parte muito importante do filme. Você realmente esquece que tem uma câmera ali porque é um personagem completamente diferente, então eu fiquei encantada e eu estava lá. Eu falei, "Isso ficou sensacional!"

Você se considera mais um cisne negro ou um cisne branco?

Eu acho que sou um pouco dos dois. Eu acho que todos temos um pouco de cisne negro em nós, é apenas uma questão de deixar que ele apareça ou não. Mas eu diria que eu tenho um saudável balanço entre os dois, eu espero. Eu não sou tão aventureira quanto o cisne negro, mas às vezes gostaria.

Cisne Negro
(Black Swan) Direção: Darren Aronofsky Estreia em 04/02/11
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