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Omelete Entrevista: Amy Adams

Exclusivo: Atriz de Julie & Julia fala sobre o filme, comida e sua carreira com exclusividade
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No romance baseado em fatos Julie & Julia, Amy Adams interpreta Julie Powell, mulher com um um emprego monótono, um marido carinhoso e uma vida sem perspectivas ou grandes emoções. Determinada a mudar isso, ela cria um blog batizado de Julie/Julia Project - inaugurado em 2003 na vida real - onde se dispôs a preparar as 524 receitas de Mastering the Art of French Cooking, a bíblia da comida francesa traduzida às donas de casa dos Estados Unidos pela icônica Julia Child, e registrar no blog suas impressões.

Nesta entrevista exclusiva ao Omelete, a adorável Adams, duas vezes indicada ao Oscar de atriz coadjuvante, fala sobre sua relação com a comida, como foi interpretar alguém que existe, sua carreira e como Retratos de Família e Encantada mudaram sua vida.

Fiquei surpreso em saber que você nasceu na Itália.

Eu nasci na Itália, mas não sou italiana, não. Meu pai era militar. Então eu nasci fora dos Estados Unidos, mas dentro de uma base do exército. Eu gostaria de ser de uma família italiana, eu seria muito mais interessante.

Bom, não sei não. Porque eu sou de uma família italiana e as coisas podem ficar bem bagunçadas. A Itália tem uma relação muito forte com a comida. Como é a sua relação com a comida? Além de te manter viva, é claro...

Bagunçadas? Ahaha. Sim, tirando o básico, claro. Eu amo comida. Tenho uma ótima relação com a comida; somos amigos, eu e comida, bons amigos.

Você gosta de cozinhar?

Sim, quando eu tenho tempo. Eu gosto de cozinhar, para a minha família e para os meus amigos.

Você teve que aprender a fazer todos aqueles pratos de Julie & Julia?

Sim, eu tive que aprender as técnicas apropriadas de corte e sabe, como bater um ovo, mas foi legal. Eu fiz aulas de culinária e aprendi todas as receitas, as que eu cozinho em cena, não todas as receitas da Julia Child, é claro. Mas as das cenas eu aprendi.

Eu devo dizer que eu adoro cozinhar e às vezes eu fico com preguiça, mas assistir ao filme me fez sentir vontade de aprender mais sobre culinária. É um ótimo filme. Antes de assistir eu tinha a impressão de que eu ia assistir algum filme de menina, mas é muito, muito bom. Como foi trabalhar com a diretora, Nora Ephron?

Obrigada! Ah, foi incrível trabalhar com Nora. Esse é o mundo dela. Ela adora cozinhar, ela adora comida. Mas não só pelo relacionamento dela com a comida. Ela também entende muito bem a dinâmica homem-mulher dentro de um casamento, é muito sincera. E é esse o talento da Nora, a escrita dela desenha relações muito próximas às da vida real e explora as relações.

É engraçado, e eu não sei o motivo, mas não há muitas diretoras realmente boas e conhecidas na indústria. Dá pra contar nos dedos. Por que você acha que isso acontece? É preconceito?

Eu não sei. Eu já trabalhei com diretoras mulheres e tive ótimas experiências. Acho que eu não posso muito falar sobre isso porque sou privilegiada. Eu gostaria que houvessem mais mulheres, acho que elas estão se tornando mais e mais proeminentes. Sabe, tem a Courtney Hunt, que fez Rio Congelado, que eu achei um filme fantástico. E Julie Taymor, que fez um trabalho incrível em Across the Universe e está dirigindo o musical do Homem-Aranha. E tem muitas outras diretoras por aí, parece que estão surgindo mais e espero que isso continue, acho que é uma tendência.

Bom, você conheceu é claro a verdadeira Julie.

Brevemente. Depois do filme, não a conheci antes.

Você evitou conhecê-la para não ser ser influenciada?

Não, não, foi só uma questão de conveniência, no momento. Eu tinha acabado de terminar o trabalho em Dúvida e fiquei um tempo fora da cidade. Quando voltei nós começamos a trabalhar imediatamente. Então quando já tínhamos começado eu não queria conhecê-la, já que tínhamos começado. Mas eu li os blogs dela e li o livro, e tive conversas realmente longas com a Nora sobre ela, e sobre o que a Nora queria trazer para as telas, para que as histórias fluíssem tranquilamente. Então eu confiei muito na Nora em relação à Julie.

E você a conheceu depois? Como foi?

Foi ótimo! Eu fiquei meio preocupada se ela tinha achado legal o jeito que eu a interpretei, porque sabe, ela é um ser humano de verdade. Foi legal, mas fiquei muito nervosa.

Ela gostou?

Pareceu que sim, sim, ela pareceu gostar.

Você deve ter alguma teoria sobre por que Julia Child nunca quis conhecê-la... você tem?

Eu não tenho. Eu gostaria de ter uma teoria melhor. Quer dizer, eu vi isso tudo pela perspectiva da minha personagem. Eu normalmente não faço perguntas que estejam fora da experiência da minha personagem enquanto estou filmando. Então eu acho que pra ela foi arrasador que Julia Child - essa mulher que foi uma presença tão grande na vida dela, não só durante o ano em que ela estava cozinhando, mas durante a vida inteira - poderia não gostar dela. Ela nunca teve uma confirmação de uma coisa ou outra, mas foi uma surpresa para ela. Mas eu acho que acontece o que o Erick diz no filme: "Talvez a Julia Child na sua cabeça não seja a mesma Julia Child da vida real".

Isso acontece muito na vida.

E acontece com frequência, sabe. Nós construímos imagens das pessoas na nossa fantasia. Nós as idealizamos para aquilo que nós precisamos que elas sejam. Eu adorei o que a Nora fez com os segmentos de Julia Child do filme: é quase uma fantasia. Em relação ao tom, é quase uma fantasia. É como a fantasia da Julie Powell sobre como foi a vida da Julia Child, ao invés do que realmente foi. Eu adoro que exista essa dualidade.

Você poderia falar um pouco sobre a sua carreira? Depois de Encantada as coisas mudaram para você, não?

É, eu diria que foi aí, sim. Foi meio que uma construção lenta até chegar em Encantada. Mas eu fiz Prenda-me se for Capaz e depois teve uma parada em relação ao número de trabalhos que eu estava fazendo. Depois eu fiz Retratos de Família e foi aí que eu senti uma virada, mas Encantada definitivamente mudou tudo.

Retratos de Família é incrível.

Obrigada. Essa personagem foi um verdadeiro presente pra mim. As coisas apenas estão mais corridas agora. Eu ainda me sinto eu mesma, mas apenas em constante movimento. Me sinto como uma máquina de movimento eterno.

O filme estreia em 27 de novembro.

Leia a crítica de Julie & Julia

Julie & Julia
(Julie & Julia) Direção: Nora Ephron Estreia em 27/11/09
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