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Omelete entrevista: O elenco e o diretor de Lanterna Verde

Ryan Reynolds, Martin Campbell, Mark Strong e outros discutem a adaptação dos quadrinhos da DC Comics às telas
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Dias depois de nossa visita exclusiva ao set de Lanterna Verde, o Omelete teve a oportunidade de participar na Comic-Con 2010 de uma nova conversa com o elenco e a equipe da adaptação. Depois do painel do filme em San Diego, o diretor Martin Campbell (007 - Cassino Royale), o produtor Donald De Line e os atores Ryan Reynolds, Mark Strong, Blake Lively e Peter Sarsgaard responderam mais algumas perguntas sobre o filme.

Campbell explicou que, de todos os super-heróis, Hal Jordan é um dos mais interessantes, simplesmente porque é um humano normal que foi escolhido para desempenhar um papel incrível. "Ele é abduzido, treinado para ser um membro da Tropa dos Lanternas Verdes e torna-se um dos maiores deles. É um arco incrível. Além disso, me atrai o fato de que, diferente de Superman ou Homem-Aranha nas telas, ele não esteja confinado a uma cidade apenas, mas tenha acesso a todo o universo, todos os 3600 setores dele patrulhados pelos Lanternas".

Ao produtor De Line, o fato de Hal Jordan ser um humano comum capaz de criar construtos energéticos limitados apenas pela sua vontade e imaginação, deve ser um dos elementos mais interessantes para o público. "O herói que ele pode ser depende apenas dele mesmo. É uma jornada de herói clássica - em que ele precisa descobrir o que tem dentro de si para alcançar seu potencial pleno. Em que ponto ele pode chegar se levar sua força de vontade e imaginação além de seus limites?", questiona.

Reynolds, que vive Hal Jordan nas telas, partilha dessa opinião. "Eu adoro a ideia de que o anel sabe quem Hal Jordan pode se tornar e o que ele tem dentro de si muito antes dele sequer desconfiar. Afinal, entre todos os humanos, o anel o escolhe. Parte da jornada de Hal é descobrir por que o anel o selecionou para ser o portador dessa habilidade incrível. Como ator, tem sido ótimo explorar isso e interpretá-lo. Hal tem uma arrogância que o torna um tanto irresponsável e ousado, mas quando se depara com esse anel e tudo o que ele significa tem que aprender um pouco de humildade em sua jornada para tornar-se o maior Lanterna de todos os tempos". Para o intérprete do herói, o personagem é uma mistura de Chuck Yager e Han Solo, "um herói masculino arquetípico que eu acho que não tem sido visto no cinema ultimamente. É um cara com quem você gostaria de tomar uma cerveja. Ele é espirituoso, mas não engraçado. Beija a garota enquanto dá uma porrada no vilão. É muito divertido de interpretar".

De Line, porém, lembra que o Lanterna Verde não tem a popularidade de outros grandes heróis da DC Comics junto ao grande público. "Temos que trabalhar um pouco mais pesado, já que o Lanterna Verde não tem o reconhecimento de um Batman ou Superman. Mas abraçamos esse desafio, determinados a torná-lo tão popular quanto esses personagens. Nosso diferencial é poder levar o público aos confins mais sombrios do universo e ao centro dele, o planeta Oa, onde conheceremos essa polícia interestelar, composta por criaturas de todas as formas e tamanhos".

Um desafio dessa escala - milhares de alienígenas, outros mundos, viagens espaciais - obviamente requer enorme investimento em efeitos especiais, técnicas e pré-produção. Campbell, apesar de já ter realizado dois filmes de James Bond, nunca empregou tanta computação gráfica antes em um trabalho. O cineasta, porém, não parece preocupado. "O segredo de lidar com os aspectos tecnológicos de um filme assim é contratar a equipe certa. Temos especialistas incríveis que trabalharam em O Senhor dos Anéis e um grupo maravilhoso de artistas conceituais cujo trabalho é lidar com essas coisas todas, dar vida a personagens como Tomar-Re e Kilowog. Eles tiram esse peso das minhas costas. Trabalhar em equipe é o segredo aqui", conta. "Em uma cena, por exemplo, tivemos 3600 Lanternas Verdes juntos. Para fazê-la colocamos os 25 que desenvolvemos em detalhes com nossa equipe de efeitos em primeiro plano, depois outros menos nítidos ao fundo... até que os últimos não são muito mais que pontinhos verdes".

O diretor também falou brevemente sobre a polêmica do 3-D filmado contra o convertido. "Nosso 3-D está sendo convertido na pós-produção, mas estamos fazendo isso com bastante tempo nas mãos e os testes têm sido muito encorajadores", explicou - repetindo uma frase que está sendo muito falada em Hollywood, indústria que segue buscando os preços mais baixos da conversão, mas aprendeu recentemente que não vale a pena fazê-la apressadamente.

Para Reynolds, a parte mais difícil desse processo técnico é o chroma key: "atuar olhando para o nada e imaginando essas paisagens e personagens incríveis", disse . "Acabo dependendo muito dos designers e especialistas em efeitos, que nos mostram tudo o que estão fazendo para que tenhamos ideia do que estamos enfrentando. É difícil, mas um bom desafio. Você tem que depender da sua imaginação, mas quando se está o dia todo no set, trabalhando em frente a uma tela azul, pode-se perder um pouco a objetividade... cria-se uma espécie de bolha, um ritmo próprio da produção. Mas aí os caras dos efeitos especiais e design apareciam pra mostrar uma ideia, um Lanterna Verde, eu mesmo vestindo o uniforme ou coisas assim e isso devolve aquele senso de fascínio. Nesses momentos, em que a visão desses caras para o filme é lembrada, mal posso acreditar que estou envolvido em algo dessa escala. É especial. Fico me sentindo até poderoso quando me vejo no uniforme!", empolga-se.

E por falar em uniforme, obviamente um filme de super-heróis não estaria completo sem as roupas que os transformam de pessoas comuns em paladinos da justiça mascarados. Reynolds, porém, lamenta que nas gravações tenha usado apenas roupas de captura de movimentos, já que o uniforme será totalmente criado por computação gráfica. "O uniforme é uma manifestação biológica criada pelo portador do anel. A primeira vez que o vi fiquei empolgadíssimo. Especialmente porque descartaram aquelas luvas brancas - e eu não vejo Hal Jordan como um cantor de ópera. Também gosto muito da maneira como os responsáveis pararam para pensar na mitologia do personagem e em como a Tropa criaria seus uniformes".

A atriz Blake Lively, por sua vez, não usou os colantes verdes da Tropa, mas disse ter adorado os figurinos terrestres. "Carol Ferris tem uma empresa de aviação e veste-se de uma forma que é coerente com o filme em geral, mas bastante particular dela. As roupas dizem a todo instante quem você é - e para mim, quando colocava as de Carol, e pintava o cabelo como o dela, podia me transportar mais facilmente para aquele mundo e encontrar quem Carol é. E por falar no cabelo, testamos uns 14 tons diferentes de castanho para o tingimento. Foi meio absurdo, mas chegamos a um consenso".

A atriz então recordou-se de uma história engraçada sobre quando foi contrada para o filme. "Eu estava fazendo outro filme e quando todos ali souberam que fui contratada ficaram empolgadíssimos. O engraçado é que todo mundo me dava os parabéns e na sequência já perguntava: 'seu cabelo será castanho, certo?'. Até um segurança, que nunca havia manifestado qualquer emoção, veio falar comigo e avisar "seu cabelo TEM que ser castanho, para a sua própria segurança. Eles vão atacar você se continuar loira'", contou.

Já Sasgaard, que interpreta o biólogo Hector Hammond, que se torna vítima de uma energia alienígena e desenvolve poderes paranormais - além de um rosto desfigurado e inchado - foi só reclamações em relação ao trabalho de maquiagem, que levava horas. "Tive uma experiência estranha com o figurino e a maquiagem. Havia alguns dias em que a única parte de meu corpo dos mamilos pra cima que ainda era minha era a ponta do nariz. Era agradável que eles pudessem deixar alguma coisa assim aparecendo através da maquiagem... eles chamam isso de "botão da sanidade". Você cutuca ela e diz "oh, ainda sou eu". Trabalhar com tudo aquilo sobre meu rosto foi esquisito. Todos estamos acostumados a fazer certas expressões que ajudam você a se comunicar no dia-a-dia. Com um rosto diferente sobre o seu, porém, você perde um pouco dessa sensibilidade. Eu passei horas na frente do espelho com aquela cara horrível estudando suas limitações e possibilidades. Era maravilhoso tirar tudo no final do dia e ver que eu ainda estava lindo. Mas foi duro... quando todo mundo chegava eu já estava lá há várias horas. Lá pelas 3 da tarde começava a perder minha sanidade, o que acho que até funcionou bem para o personagem. Foi intenso usar aquele cabeção".

Mark Strong, que interpreta o mentor de Hal Jordan, Sinestro, seguiu dizendo que a produção fez muitos testes e desenhos para chegar à versão do lanterna de bigodinho que acabou no filme. "Nesse processo de eliminação pudemos refiná-lo visualmente até um resultado que pareceu perfeito. O uniforme é uma espécie de segunda pele que será criada por computação gráfica", explicou. "Você tem que saber qual a função de seu personagem dentro da narrativa, descobrir a que ele serve. Com Sinestro isso é bem simples. Neste primeiro filme damos um panorama geral sobre ele, o conhecemos e descobrimos um pouco de seus objetivos", aproveitou para comentar sobre o personagem, que nos quadrinhos torna-se um dos maiores vilões do Universo DC. Mas Strong conhecia Sinestro das HQs? "Não tinhamos gibis da DC e Marvel na Inglaterra quando eu era pequeno. Os gibis que eu lia eram coisas inglesas como Bino, Wizard of Chips e outros que tinham personagens como Miinie The Minx e Desperate Dan. Mas tem sido fascinante finalmente conhecer esses super-heróis já adulto", completou.

Encerrando a entrevista, Reynolds, que já esteve em filmes dos dois lados, falou sobre a rivalidade entre a Marvel e DC, empresas donas dos dois mais famosos universos de heróis dos quadrinhos. "Acho que optar por uma ou outra é uma questão de gosto. Para mim, a DC tem uma qualidade clássica, enquanto a Marvel pode ser mais sombria e realista. Não vejo uma rivalidade entre as duas... mas tenho certeza que os puristas vão questionar isso. As diferenças estão nos personagens. Cada universo têm personagens empolgantes de um catálogo de milhares - e isso tem atraído Hollywood", concluiu.

O filme contará como Hal Jordan se tornou um dos Lanternas Verdes, integrantes de uma tropa que jurou manter a ordem no Universo, policiando galáxias - um equilíbrio que periga ruir com a ameaça do inimigo Parallax. O roteiro é de Greg Berlanti, Michael Green, Marc Guggenheim e Michael Goldenberg.

Lanterna Verde tem lançamento previsto para 17 de junho de 2011 em 3-D e 2-D.

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Lanterna Verde
(Green Lantern) Direção: Martin Campbell Estreia em 19/08/11
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