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Omelete entrevista: Sandy Collora, o diretor de Batman: Dead end

Omelete entrevista: Sandy Collora, o diretor de Batman: Dead end
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Sandy Collora

Solomon Bernstein’s Bathroom

Três imagens de Archangel

Batman: Dead end

O Coringa em Batman: Dead end

Design para Predador 2

No dia 17 de julho, a exibição de um curta-metragem estava marcada para a famosa Comic-con de San Diego. A sessão, que deveria contar com umas 250 pessoas, de repente se tornou uma fila quilométrica e teve que ser transferida para uma sala com capacidade para 5 mil pessoas na mesma noite. Batman Dead End foi aclamado por críticos e fãs como a melhor adaptação para as telas já feita para o personagem. Uma produção feita sem a licença da Warner Bros. e baseda somente na paixão pelas histórias em quadrinhos foi feita pelo experiente-mas-desconhecido-do-grande-público Sandy Collora. Assim como muitos se perguntaram "quem é este cara, onde ele esteve todos estes anos?" o nosso colaborador Adriano Wilbur Moraes foi fundo e conta toda a história.

:: Omelete entrevista :: Sandy Collora ::

Talvez você não conheça Sandy Collora, mas você com certeza já viu seu trabalho. Há dez anos no Stan Winston Studio ele ajudou a desenvolver storyboards, conceito de arte, maquetes e monstros de filmes como Robocop 2, O Predador 2, Jurassic Park, O Corvo, e mais recentemente Homens de Preto e Dogma. Em 1999, ele abriu sua produtora, a Montauk Films, responsável pelo festejado curta-metragem Solomon Bernstein’s Bathroom e também criadora de Archangel, uma obra com uma arte bastante pessoal que mistura imagens de anjos em becos sórdidos rodeados por uma atmosfera onírica.

Nesta entrevista, Sandy Collora fala tudo, desde o começo de sua carreira até agora, seus planos e até a idéia de dirigir o remake de O Monstro da Lagoa Negra.

Você poderia falar um pouco do começo da sua carreira?

Claro. Eu comecei nesta indústria muito jovem, quando eu tinha 17 anos, no Stan Winston Studio, e trabalhei em shows como Leviathan e Alien Nation. Trabalhei também em alguns projetos pessoais na Stan, que na verdade chegaram a entrar na linha de brinquedos que nós desenvolvemos lá.

Então, você fazia maquetes, fantoches...

Fazia maquetes e design. Eu desenhava umas coisas lá. Comecei trabalhando na área de modelagem. É muita coisa que se faz por lá.

Mas, de certa forma, era algo que você já fazia

Quando eu era pequeno, na escola, eu desenhava bastante. Eu estava sempre desenhando umas coisas de quadrinhos, tipo Dungeons and Dragons.

Daí você desenvolveu este talento no Stan Winston e conheceu outros artistas, como Henry Alvarez…

Isso! Henry Alvarez é meu mentor. O conheci quando eu tinha uns 19 anos e trabalhei com ele numa porrada de projetos. Ele me treinou, me ensinou um monte de coisas, não apenas sobre escultura e arte, mas sobre a vida. É um grande amigo e alguém com quem trabalhei bastante.

No Stan Winston você ficava um tempo fazendo maquetes, outras horas trabalhando nos storyboards, daí voltava para as maquetes, e então o design conceitual. Como isso funciona?

Eles te dão um monte de coisas pra fazer. Eu não tinha muita chance de desenvolver meus próprios trabalhos, pois estava sempre trabalhando nos projetos do Stan. Eu comecei a fazer curtas-metragens bem depois, mas eu estava sempre fazendo esculturas.

Eu vi seus curtas Archangel, Solomon Bernstein’s Bathroom e Batman Dead End e fiquei muito impressionado com o controle que você mostrou na técnica de contar a história. Eu gostaria de saber o quanto você se envolvia nos filmes na Stan Winston. Você ficava só fazendo maquetes ou acabava se envolvendo com a filmagem destes projetos?

Eu me envolvia em tudo. Eu fazia o desenho de produção, os storyboards, as criaturas e me metia também na fotografia. Eu fazia um monte de coisas. Como alguns deles eram projetos pessoais, eu tinha controle quase total e vários dos meus clientes viram o que eu podia fazer e se sentiram confiantes em me dar muito trabalho.

Quais eram seus projetos pessoais?

Guardians of Atlantis, os filmes Solomon’s Bernstein Bathroom e Archangel. Eu também filmei alguns comerciais.

Como você separa um trabalho comercial do trabalho pessoal?

Obviamente, o trabalho pessoal é muito mais intenso para mim porque é algo que está vindo do meu coração, da minha alma. Mas isso não o torna mais ou menos divertido. Só os torna diferentes.

Então, a técnica empregada é a mesma.

Sim, a mesma coisa.

Guardians of Atlantis era uma proposta para um programa de TV.

Sim, inicialmente deveria ser um programa de TV, mas foi desenhado como uma linha de brinquedos também.

Quando você começou a fazer isso?

1992

E como está indo?

Eu escrevi o roteiro e fiz alguns desenhos, alguns modelos e maquetes. Foi como começamos.

Então, quando você fez seu primeiro filme, Solomon Bernstein, você tinha 10 anos de experiência na indústria cinematográfica.

Exato. E toda esta experiência me ajudou muito. Foi muito legal finalmente fazer um filme. Acho que tinha um cineasta dentro de mim, querendo sair enquanto eu trabalhava nos efeitos especiais e afins. E eu finalmente tive a chance de fazer isso.

Solomon Bernstein é uma história bem pessoal, né? Ela tem todo este background psicológico.

Sim, era como um pequeno episódio de Twilight Zone. Este filme já tem quatro anos e eu continuo muito orgulhoso dele, mas eu amadureci muito como cineasta desde que o fiz e acho que estou mais familiarizado com o assunto.

Você conseguiu uma empresa para distribui-lo?

O filme está na internet, no Ifilm, e foi para alguns festivais, mas sempre sem o apoio de uma distribuidora.

E você fazia trabalho publicitário ao mesmo tempo?

Não, o trabalho com propaganda começou depois disso. Foi a partir deste momento que comecei a pegar uns comerciais.

E o filme sobre o Arcanjo?

Sim, este é o meu filme preferido. Archangel também é um filme bem pessoal. Ele é uma forma de expressar minhas crenças religiosas e minha sexualidade. O filme teve uma boa recepção, mas muita gente não consegue entendê-lo. Ele é mais artístico e se as pessoas não entendem, não adianta nem tentar explicar. Ele é o que é, e eu gosto disso.

Talvez porque não seja uma história contada de modo linear.

Não é nem um pouco linear, ela é mais conceitual e interpretativa.

É diferente dos seus outros curtas que são mais focados na história. Por que isso?

Eu gosto de fazer coisas diferentes. Experimentar formas variadas de contar uma história. Acho que é bom ter influências artísticas, mas usá-las apenas como influências e, a partir disso, criar seu próprio estilo como artista.

Você já trabalhou com 3D?

Não, eu não trabalho muito com computadores. Eu gosto de photoshop, este é o tipo de coisas que eu uso, mas eu nem pinto no photoshop. E não faço nada de computação gráfica. Eu tento fazer a maioria das coisas bem práticas para mim. Gosto de me manter meio longe deste tipo de coisas.

É uma preocupação estética?

Depende do que você está fazendo. Para alguns projetos, a melhor coisa é um cara vestido numa fantasia, em outros, a computação gráfica e, num terceiro , o uso de marionetes.

Você poderia falar um pouco sobre Batman Dead End?

O filme do Batman só rolou porque sou um grande fã do morcegão. Eu adoro HQs. Eu queria fazer logo um outro trabalho para a minha carreira de diretor. Eu imaginei que com este filme eu conseguiria chamar a atenção e finalmente conseguir fazer um longa-metragem. E deu certo.

Como você conseguiu fazer isso?

Com muito cuidado. Eu tenho um monte de amigos talentosos e os produtores Simon Tams e Daren Ricks tiveram muita influência em fazer o projeto dar certo com o orçamento minúsculo que nós tínhamos. Junto com o nosso Diretor de Fotografia, Vince Toto, nós juntamos várias pessoas de muito talento e conseguimos fazer um filme que eu considero bem legal.

Você nunca teve problemas com pessoas tentando fazer você desistir do projeto?

Nós fizemos tudo na surdina, poucas pessoas sabiam que nós estávamos fazendo este filme. Foi difícil, mas acho que fizemos um bom trabalho.

Como o filme foi recebido em San Diego?

O lugar veio abaixo, a galera estava louca. Foi muito legal! Depois disso, o filme apareceu na internet e consegui mais atenção da imprensa. Até Howard Stern [N.E. o famoso locutor de rádio de NY] falou sobre o filme. Foi tudo perfeito. E agora estou falando com alguns produtores executivos, eles estão me oferecendo alguns projetos.

Que projetos?

Até agora, não tem nada fechado, mas a maioria é de coisas baseadas no gênero das HQs e monstros. Um projeto que eu vou falar e que vai deixar as pessoas curiosas é um remake de O Monstro da Lagoa Negra (Creature From The Black Lagoon).

Por que esta sua paixão por anfíbios?

Pois é, eu adoro o mar e monstros aquáticos. Sou um surfista e mergulhador e na minha opinião, acho que eu seria o cara perfeito para tocar este projeto. Logo, O Monstro da Lagoa Negra é algo que chama a minha atenção. É um dos meus filmes preferidos e eu espero que eles decidam me dar o projeto. Eu adoraria fazer este filme.

Você imagina repensar o desenho do monstro, ou manter a criatura do jeito que ela era, como uma homenagem?

Acho que seria uma combinação das duas coisas. Eu gostaria de redesenhar e fazer algo diferente e novo, mas que ao mesmo tempo fosse parecido com o original, para que as pessoas pudessem reconhecê-lo. Queria fazer mais do que apenas uma homenagem, queria algo mais estiloso e elegante, mas bastante amedrontador também.

E ao mesmo tempo, há projetos como Hunter Prey, Summer of 57…

Estes são roteiros que eu escrevi de forma independente com vários parceiros diferentes. Espero que, assim que conseguir provar meu valor, eu finalmente tenha a oportunidade de fazer algum dos meus trabalhos pessoais, coisas que eu escrevi sozinho e que vão além dos limites. Com longas-metragens, com estúdios quando eu tiver um ou dois projetos engatilhados. Talvez eles me deixem fazer algum dos meus próprios trabalhos.

E você tem o seu Montauk Studio desde 1999.

Sim, tenho o nome Montauk assinando as minhas prooduções. É uma coisa bem pequena, mas acho que nós temos alguns projetos grandes em desenvolvimento. Nós estamos tentando decolar. Vamos ver o que acontece no futuro. Eu cresci em Montauk, no Estado de NY, e é um lugar muito especial para mim. Eu volto lá todo ano para surfar e pescar. Por isso pensei que fosse o nome certo para a minha produtora.

Mas O Monstro da Lagoa Negra não seria feita pela Montauk, né?

Este é um projeto da Universal e seria feito pela empresa deles. Estes são os caras com quem estou falando sobre este projeito.

O que você acha da atual mania de fazer filmes baseados em super-heróis?

Eu simplesmente adorei X-Men 2. Acho que é um ótimo filme. Ele mostra os personagens muito bem. Eu sou um grande fã do trabalho de Brian Singer. Ele fez Os Suspeitos (Usual Suspects) e outros ótimos filmes. Eu achei que O Hulk (The Hulk) também ficou legal pra caramba, alguns dos trabalhos que eles fizeram com Computação Gráfica (CG) ali é fantástico. Foi muito bem feito. Mas o meu filme de super-heróis preferido é o primeiro Super-Homem (Superman), do Richard Donner. Talvez seja porque assisti àquele filme quando eu era muito jovem e ele tem um valor sentimental. Acho que é a combinação disso com o fato de ser um filme bem sólido. Não há CG, nem roupas de borracha e outras coisas. Só um cara numa fantasia e uma capa, que é um visual que eu curto. Mas eu espero fazer parte de alguns destes filmes baseados em HQs que estão programados para os próximos anos.

Algum especificamente?

Claro que eu gostaria de dirigir o filme do Batman. Isso seria a realização de um sonho para mim. Acho que Christopher Nolan é um cineasta talentoso. Adoro Amnésia (Memento). Acho que ele tem a sensibilidade de conseguir fazer este filme dar certo e estou ansioso para ver o que ele vai fazer com o personagem. Bom, eu também adoraria fazer o filme do Super-Homem. Ele é o meu segundo personagem preferido. Quem sabe algo para a Liga da Justiça, com Super-Homem, Batman, Mulher Maravilha... Eu adoro a Mulher Maravilha. Um dos meus parceiros de roteiro, Nick Alvarez, que é filho do Henry Alvarez, escreveu um roteiro da Liga da Justiça que vai ser analisado em alguns dias.

Você acha que eles vão filmá-lo?

É muito difícil afirmar isso. Nós escrevemos o roteiro com esta aposta [de filmá-lo]. Nós amamos a Liga da Justiça e queremos fazer este filme. Eu acabei de mandar, vamos ver o que eles acham. Vamos ver o que vai acontecer.

Você trabalhou em vários filmes, como Homens de Preto e O Predador 2, você poderia dizer qual você gostou mais?

Homens de Preto foi muito legal. Eu trabalhei com Rick Baker e alguns dos melhores desingers da indústria, Chris Wang, Jose Fernandez. Foi legal também porque Rick jogou a gente numa sala de reunião e nós ficávamos lá só fazendo desenhos dos monstros, maquetes e estas coisas. Foi muuuuuuuito divertido. Eu também gostei de trabalhar em The Arrival, com o David Toey. Neste projeto, eu desenhei o alien, alguns meio-ambientes e outras coisas. Foi muito legal trabalhar com Dave. Ele é gente boa pra caramba.

As coisas do Stan Winston sempre terão um valor sentimental pra mim... Leviathan, Alien Nation, O Predador 2, porque foram as primeiras coisas que eu fiz. Meu envolvimento naquela época era bem menor porque eu estava apenas começando, mas estes trabalhos foram especiais pra mim e eu aprendi muita coisa. Trabalhei ao lado de muita gente talentosa.

Predador é um dos meus monstros preferidos. Steve Wang, o cara que fez o desenho é um grande amigo meu. Ele é o responsável por muitas das esculturas da Stan Winston. E Steve e eu nos conhecemos há muito tempo. Nós somos bons amigos e colaboradores. Ele é o cara com quem estou trabalhando atualmente na criação do Monstro da Lagoa Negra. Ele é o cara que eu gostaria que vestisse a fantasia do monstro neste filme.

Você poderia dar algum conselho para novos cineastas?

Seja apaixonado pelo seu trabalho. Seja honesto e aberto para aprender com outras pessoas. Cresça como pessoa, desenvolva-se artisticamente e se expresse usando seu trabalho. Eu acredito que se você faz um bom trabalho as pessoas vão acabar prestando atenção em você. Eu acho que você tem que colocar todo o seu amor nos trabalhos que você faz e se dedicar 100%. Faça o melhor que você puder o tempo todo. Basicamente é isso.

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