Filmes

“Tento encontrar o ser humano dentro da figura icônica”, diz o diretor de documentários Kevin Macdonald

Escocês conhecido por Último Rei da Escócia estará no Brasil para o Festival Cultura Inglesa
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Kevin Macdonald começou sua carreira em 1995 com um documentário curioso, The Making of an Englishman, que a história de sua própria busca pelo avô que nunca conheceu. De lá para cá o cineasta teve experiências diversas, incluindo muitos documentários musicais e dramas, como o premiado O Último Rei da Escócia. Em entrevista por telefone ao Omelete para divulgar o Festival Cultura Inglesa, do qual fará parte em junho, Macdonald revela como foi a transição dos documentários para a ficção:

“Eu fiz alguns documentários para a televisão e comecei a ficar interessado na possibilidade de fazer longas no cinema. Então fiz três documentários para a tela grande, e dois deles foram muito bem sucedidos, um ganhou o Oscar, outro ganhou o BAFTA e eles fizeram algum dinheiro, então os produtores falaram ‘você precisa fazer uma ficção’, eu não estava planejando, mas pensei que aquela era a minha oportunidade, então fiz O Último Rei da Escócia (2006), que foi a minha primeira ficção”.

O filme estrelado por Forest Whitaker narrando o regime do ditador da Uganda Idi Amin rendeu um Oscar para o ator e um BAFTA de Melhor Filme Britânico de 2006. Apesar do sucesso com o drama, o diretor não deixou de fazer documentários e voltou ao tema musical em 2012 com Marley, focando na vida e no legado do astro do reggae Bob Marley. Questionado sobre o trabalho com figuras tão icônicas da música, o diretor explica o que o motiva:

“Acho que o interessante é pegar esse ícones e tentar fazê-los de forma humana. Quando você tem alguém como Bob Marley, que eu fiz um filme, e Mick Jagger, que é uma lenda, você tenta encontrar quem é esse ser humano. O que posso dizer, isso para mim é muito interessante, tentar encontrar o ser humano dentro da figura icônica”. Being Mick, trabalho do diretor sobre o vocalista do Rolling Stones, é um dos longas que será exibido no festival, que também contará com duas masterclasses de Macdonald nos dias 7 e 8 de junho. Para ele, ter o contato com o público é uma das experiências mais gratificantes da profissão:

“Eu amo o contato com o público, é por isso que eu faço filmes e TV, porque nada disso faz sentido se você não tem um feedback. Um dos grandes prazeres de fazer filmes é sair do cinema e falar sobre isso, e também aprender com um público diferente ao redor do mundo. Eu não fui ao Brasil nos últimos 20 anos, e acho interessante ouvir o que outros cineastas têm a dizer, que podem render ideias para filmes futuros”.

Para deixar a carreira ainda mais diversa, Kevin Macdonald trabalha atualmente com a Amazon em Oasis, piloto do serviço de streaming sobre um missionário (interpretado por Richard Madden) que embarca em uma jornada épica através do espaço. Mas ele revela que ainda tem o desejo de falar sobre mais uma estrela do Rock N’ Roll:

“Eu adoraria fazer um documentário sobre Bob Dylan, mas o Martin Scorsese já fez. Existem muitos músicos que eu gostaria de contar a história, mas já fiz muitos filmes assim e talvez sejam os meus últimos, quem sabe? Mas também gostaria de fazer outros tipos de documentários, com tema político”.

O Festival Cultura Inglesa terá ainda uma mostra especial do diretor no Museu de Imagem e do Som (MIS), entre os dias 6 e 10 de junho, que exibirá filmes como Mar Negro (2015), Essa é a Minha Vida (2013) e Intrigas de Estado (2009).

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