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Thor: Omelete Entrevista Kenneth Branagh e Kevin Feige

Diretor do filme e presidente de produção do Marvel Studios falam sobre o Deus do Trovão
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Depois do painel da Marvel na Comic-Con, tivemos a oportunidade de conversar com o diretor Kenneth Branagh e Kevin Feige, presidente de produção do Marvel Studios, que são as cabeças trás do filme do Thor. Na conversa, os dois falaram sobre como foi criar um filme de grande escala, a importância de escalar os atores certos para os papéis principais, o apelo da história do Deus do Trovão para o cinema e como este filme se encaixa no universo Marvel e no filme dos Vingadores.

O texto a seguir é uma compilação das entrevistas feitas pelos editores do Omelete e do site parceiro Collider, para trazer sempre o melhor material para você!

Kenneth, em um filme grande como este, houve alguma coisa que você conseguiu fazer que nunca tinha feito antes?

Kenneth Branagh: Pude gastar "algum" dinheiro a mais, mas nunca tive carta branca. O mais empolgante é que Kevin e a Marvel querem que este filme entregue espetáculo. E não só na execução dos efeitos visuais, mas também quanto ao conceito dos efeitos especiais. Estamos realmente tentando ir além das expectativas em todas as cenas. Então, se você tem uma ideia e se a criatividade está fluindo, ela pode ser expressada e é encorajada. Tudo custa dinheiro e, em algum momento, você precisa ter umas conversas difíceis sobre isso. Mas, no fim das contas, a questão mais importante é "Como podemos fazer com que esse filme seja o possível, na escala que precisa ter e com um tom intenso?".

Nós estamos acostumados a ver nos seus filmes o jeito como você move muito a câmera, criando planos longos. Vamos ver esse estilo nesse filme?

KB: Tem uma cena, na verdade, com que estamos muito contentes e que segue esse meu estilo. Sempre que posso tento usar um take contínuo para contar a história. Acho que uma cena mais longa pode ajudar no desenvolvimento da história e revelar coisas. Temos uma aqui, em particular, em uma cena de morte. Espero que ela fique no filme, porque me parece muito boa.

Ken, você tem um histórico com os quadrinhos e, em especial, uma paixão por Thor?

KB: Eu definitivamente tinha uma paixão por Thor. Não tenho um grande histórico como leitor de quadrinhos, mas eu amo o que esta história representou. Eu amava essa história épica, a cor, a grandeza dela, a viagem no espaço, todos os contrastes nítidos que aconteciam nos quadrinhos e todo o sangue e a corgagem da história. E, paradoxalmente, existe uma grande história humana no centro de uma história sobre deuses.

Você enxerga algum aspecto shakespeariano nesse filme? Porque sempre pensamos em você associado a esse gênero.[Nota do Editor: Kenneth Brannagh já adaptou para os cinemas Henrique V, Muito Barulho Por Nada e Hamlet, todos baseados em obras de Shakespeare]

KB: Bem, sim e não. Porque, na minha mente, Shakespeare - quando bem feito - significa paixão verdadeira e sem medo, locações variadas e exóticas, personagens coloridos e uma dimensão épica. Para mim, um Shakespeare bem feito é real e verdadeiro. Eu queria isso nesse filme. Mas estar familiarizado e não ter medo de grandes elementos na história - e o fato de que eles todos falam de um jeito engraçado - é algo que eu abracei. Comecei a ler este quadrinho quando era muito novo e acho que uma coisa fundamental e que me atrai para fazer um filme do Thor é a combinação do lado primitivo dele - um cara grande e forte, que pode ser perigoso, descuidado e amedrontador - e a jornada que ele precisa fazer para se transformar em algo mais que isso.

Em Shakespeare, as pessoas não querem mexer na "bíblia", não se pode mexer em Shakespeare. Em Thor também existe isso? Quanto você consegue mexer na mitologia de quem ele é? Quanta flexibilidade você tem para adaptar isso?

KB: Um ponto chave para nós, algo que discutimos quando entrei no projeto, e que já havia sido considerado e eu apoiei totalmente, foi ter um elemento contemporâneo na história. Eu queria que fosse na Terra, queria que isso fosse a âncora para a forma como contaríamos o resto da história. E acho que deu certo, especialmente para os personagens da Natalie [Portman] e Kat [Dennings], que são as representantes da plateia. Sabe, conseguimos nos identificar com ciência real, a paixão da investigação científica. Fazemos isso de um jeito que parece verdadeiro. E quando você consegue atrizes como elas, isso fica muito bom.

Kevin Feige: Nossos quadrinhos são diferentes da Bíblia, que é um livro. Ou Shakespeare, em que cada peça é uma coisa só. Thor já teve 600 edições, com artistas diferentes, uniformes diferentes, diferentes arcos de história. Normalmente, todos se conectam, mas nem sempre. Às vezes ele é o Don Blake, mas às vezes não é, então pudemos escolher o que julgamos ser os melhores elementos. Então não existe esse tom sagrado, ao qual temos que ser completamente fiéis.

Como você fez para manter Thor enraizado na realidade? Você usou algum filme como inspiração para pegar uma coisa tão fantástica e colocá-la no mundo real?

KB: Nós decidimos que sempre íamos levar a sério a ideia da violência, o treinamento militar e também a forma física para um rei. Sempre voltávamos para pegar a realidade disso e como apresentaríamos tudo isso no mundo real.

Quem era o primeiro ator que você queria contratar para este filme?

KB: Nós achamos que o único ponto de partida possível era o Thor, e tinha que ser alguém que nunca tínhamos visto antes. Fizemos uma grande uma grande busca por esse ator e sabíamos que precisava ser alguém que chegaria preparado para malhar muito e, ao mesmo tempo, ser um ator sensível. Eventualmente encontramos tudo isso no Chris Hemsworth.

KF: E Natalie Portman, pouco tempo depois disso. Sabendo que queríamos uma cientista mulher - e está cheio de exemplos assim que não deram certo em filmes de gênero -, tê-la no elenco nos deixou mais seguros com esta ideia, depois que ela concordou em fazer o filme.

KB: E ela estava muito disposta. Ela estava muito apaixonada pelo papel, o que foi muito legal.

E por que vocês escolheram Chris Hemsworth? O que vocês viram nele?

KB: Chris foi uma combinação de inteligência, força bruta - que ele estava disposto a ampliar com treinamento e regime rigorosos - e a alegria, e o fato dele estar tão empolgado com uma cena de atuação mais séria quanto em uma grande cena de ação, que são igualmente importantes para o desenvolvimento do personagem. Ele é esforçado, um verdadeiro líder, mesmo sendo tão jovem. Ele fica meio na sombra do Anthony Hopkins, mas os dois lideravam o grupo, criando um conjunto, o que é importante para um filme como este, porque você precisa sentir que existe uma família, que existem amigos dessa família e que são parte desse mundo. Então o ator precisa conseguir levar tudo isso.

Por que vocês escolheram fazer um filme do Thor, entre os outros heróis da Marvel?

KF: Escolhemos fazer um filme do Thor, já sabendo que Homem de Ferro ia sair, que nosso novo Hulk ia sair, e achamos que com o sucesso de Homem-Aranha, X-Men e Quarteto Fantástico, que era hora de mostrar uma versão diferente de super-herói. Uma versão cósmica do universo Marvel, que sempre esteve presente nos quadrinhos desde o início dos anos 60. E achei que era hora de mostrar isso para o público que vai ao cinema.

Agora que já vimos alguns trechos do filme, é possível perceber como Thor parece com os filmes do Homem de Ferro. E é claro que isso foi feito intencionalmente. Existem outros elementos que vocês colocaram de propósito, para manter o visual Marvel?

KB: Existe integração de elementos da história. Por exemplo, você vê como Thor interage com a S.H.I.E.L.D. Acho que vocês verão que, em várias partes, temos a oportunidade de expandir. Em todos os lugares do filme acho que vocês verão um elemento comum a todos os filmes e, ao mesmo tempo, um tom muito distinto. Uma coisa importante que queríamos fazer na Comic-Con era mostrar como Thor se encaixa no mundo dos Vingadores. Ele pode viver lá, mas também traz uma coisa bem exótica que é muito marcante no filme.

Kenneth, como você vê o 3-D? Quais são seus pensamentos sobre usar essa tecnologia?

KB: Eu estava meio cético, mas isso foi há dois anos. Mas devo confessar que gostei muito de assistir a filmes bem feitos em 3-D. Então começamos a pensar em como fazer isso. Filmamos desse jeito, ou não? Não tínhamos certeza e as câmeras são grandes, para as cenas de ação que temos. Teremos muitos efeitos especiais, será que vamos conseguir renderizar isso em 3-D? E precisamos de tempo para converter isso do jeito certo.

Já filmei com essas questões em mente, mas não quis filmar com as câmeras 3-D. No entanto, conforme comecei a trabalhar os aspectos técnicos, como interações, profundidade, espaço positivo e negativo - que é o divertido da parte técnica que você precisa estudar -, comecei a ver que existia um jeito para contar essa história. Mas a base teria que ser os personagens e o tom da história, isso você tem que acertar independente do jeito que for lançado, mas vi que a versão 3-D pode ficar fantástica, que eu ficaria empolgado de assisti-la, então fechei com o 3-D pouco tempo depois disso.

Entre todas as adaptações de quadrinhos que estão chegando aos cinemas, você acha que Thor é o mais macho de todos?

KB: O mais macho? hahahaha Isso é interessante. Eu acho que existe um certo primitivismo. E, às vezes, a solução dele é simplesmente quebrar as coisas - e as pessoas. E, sabe, isso é um ponto de vista nada sensato, o que traz conflitos muito interessantes e também muito humor. Acho que conseguimos fazer um filme muito divertido. E algumas coisas que fazem sucesso na página dos quadrinhos é a coisa do "peixe fora d'água". Você pega um personagem desses, que quebra coisas, e faz ele entender que talvez ele não deveria fazer isso.

Kevin, diferenças criativas acontecem muito em Hollywood, e foi muito revigorante e raro ver isso reconhecido, da maneira que foi no seu comunicado sobre a saída de Edward Norton do filme do Hulk. Se você tivesse que fazer tudo de novo, você ainda seria tão sincero?

KF: Sim. Francamente, não achei que estava sendo tão sincero. Mas precisava estar claro para todas as partes. E achei que a declaração dele depois foi ótima. Não há ressentimentos.

Você precisava ser tão claro porque estava preocupado com a reação dos fãs, quando descobrissem?

KF: Não, foi porque já estávamos conversando com outros atores e não queríamos que fosse uma competição.

Obrigado!

Thor estreia em 6 de maio de 2011. O Omelete entrevistou Kenneth Branagh, Kevin Feige, Chris Hemsworth, Natalie Portman, Kat Dennings, Tom Hiddleston e Clark Gregg. Publicaremos essas entrevistas nas próximas semanas. Fique de olho!

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(Thor) Direção: Kenneth Branagh Estreia em 29/04/11
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