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Austrália

Épico de Baz Luhrman com Nicole Kidman e Hugh Jackman se perde na sua grandeza
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Baz Luhrmann é um cineasta superlativo. Sempre foi. A diferença é que agora ele lida com orçamentos igualmente exagerados. Acompanhe quanto custou cada um dos filmes de sua "trilogia da cortina vermelha" em números estimados em milhões de dólares: Strictly Ballroom (1992) - cerca de 2,25; Romeu & Julieta (1996) - 14,5; Moulin Rouge (2001) - 52,5! Percebeu a curva?

E agora vem o problema: depois dessa primeira trilogia, ele queria já logo engatar a segunda, dessa vez com épicos. O primeiro filme seria uma história sobre Alexandre, o Grande, estrelada por Leonardo DiCaprio, que só não foi para frente porque Oliver Stone foi mais rápido com seu Alexandre. "Retroceder nunca. Render-se jamais", deve ter pensado o australiano. Com 130 milhões de dólares na mão, lá foi ele criar Austrália (Australia, 2008).

O filme é metade romance, metade western... e metade filme de guerra! Percebeu o erro matemático!? Baz Luhrmann aparentemente não. Parece até que ele não quis perder a chance de novo e montou sua tal nova trilogia condensada em apenas um longa. Aliás, o substantivo pode ser usado aqui também como um adjetivo, já que as 2h45min beiram o infinito. Quando você acha que está quase acabando, a Segunda Guerra bate no porto de Darwin, iniciando todo um novo arco a ser desenvolvido.

E não precisava ser assim. O que acometeu o australiano foi uma enorme falta de foco. Ao tentar contar tantas histórias de uma só vez, ele acabou montando seu quebra-cabeça apenas com as peças que ele achou mais bonitas, esquecendo do quadro maior, que acabou ficando cheio de buracos.

A história começa quando a lady inglesa Sarah Ashley (Nicole Kidman) decide juntar suas malas e partir para a Austrália, onde ela tem certeza que seu marido a trai com as mulheres locais. Ao chegar em Darwin, quem a levará à fazenda da família é o capataz conhecido como, er..., Capataz (Hugh Jackman carismático como sempre). O marido? Está morto. Mas se nem a Lady Ashley ligou para isso, quem sou eu? Sigamos com a história.

Antes de perceberem que foram feitos um para o outro, o Capataz e a "Sra. Patroa" vão ter as suas briguinhas e ela vai ter que se apaixonar pela terra a ponto de querer adotar o menino mestiço de aborígene que mora por lá (o bom Brandon Walters). A prova de fogo para o relacionamento seguir em frente é levar o gado da fazenda até a cidade, escapando dos empregados de King Carney (Bryan Brown), o barão do gado, que vão fazer de tudo para ela desistir e vender sua fazenda abaixo do preço de mercado.

Boa parte da história é contada sob o ponto de vista do menino mestiço, neto do Rei George (David Gulpilil), um pajé local. Mas é quando a Guerra chega a Darwin que ele ganha importância - ou quase isso. Fazendo valer a lei australiana que vigorou até 1971, o menino é separado de Lady Ashley e levado a um abrigo da igreja católica para receber educação de "gente branca". A essa altura, seus olhos já devem ter se acostumado à atuação caricata de Nicole Kidman, mas sua paciência deve estar prestes a estourar com insistência do cineasta em comparar seu épico a O Mágico de Oz (Austrália é também chamada de "Oz") e de fazer o menino dizer que vai cantar para chamá-la. Depois da Encantadora de Baleias, os australianos agora mostram ao mundo o encantador de malas.

Fechando o raciocínio: desde que conseguiu dinheiro para fazer a sua versão de Romeu & Julieta com DiCaprio e Claire Danes, Luhrman se perdeu na própria ambição. Aquele papo de "menos é mais" não lhe foi apresentado ainda. E é esse o grande, ou melhor, enorme problema de Austrália: o diretor perdeu a mão (e principalmente a cabeça) na sua grandiloquência. Se no seu início muitos tratavam o projeto como o ... E O Vento Levou do novo século. Agora, depois de assisti-lo, podemos classificá-lo como o Pearl Harbor de Baz Luhrmann. Entenda isso como quiser.

Austrália (2008)
(Australia) Direção: Baz Luhrmann Estreia em 23/01/09
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