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Resident Evil 5

Suspense e isolamento dão lugar à ação e colaboração em novo game
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No momento em que um lobisomem saltou sem aviso através da janela para dentro do quarto sobre um descuidado Edward Carnby em Alone in the Dark, os videogames nunca mais foram os mesmos.

Com aquele susto, logo de cara no game, com os jogadores ainda pegando o jeito do controle do personagem, começava o gênero do survival horror. Era o início da década de 1990, quando os games exigiam um PC 386 parrudão e uma torre de disquetes "arjeados". E ai de você se o disco 6 de 8 desse problema de leitura...

Quase vinte anos depois, aquela série não envelheceu bem. Continuações fracas e um filme dirigido por Uwe Boll no currículo, a franquia foi de mal a pior. O precursor do gênero já não tem nem perto do brilho de antes. A honra de tornar-se líder no segmento coube a outro ícone do estilo, a franquia que popularizou o horror de sobrevivência lá no primeiro Playstation, em 1996, Resident Evil.

A Capcom não brincou em serviço. A cada Resident Evil foram apresentadas novidades - e o quarto jogo, de 2005, revolucionou tudo ao trazer mais ação e menos sustos, com uma mecânica de terceira pessoa que foi pouco alterada desde então. O mais recente capítulo da série, Resident Evil 5, segue essa tendência e vai além - apostando nas partidas cooperativas, a febre dos consoles recentes. Mas não pense que a tensão do momento em que o primeiro cadáver zumbi mordeu seu tornozelo no game original se foi... Resident Evil 5 mistura a ação e o medo. E, mais importante, não esquece a narrativa!

A história geral da franquia continua muito bem amarrada. Evolui, traz novidades e não perde sua originalidade e características principais. Aqui, dez anos depois da destruição de Raccoon City, o antigo integrante da equipe S.T.A.R.S., Chris Redfield, trabalha para uma nova agência, a B.S.A.A. Essa organização trabalha policiando o destino das armas biológicas criadas pela Umbrella, à solta pelo globo desde o colapso da gigante farmacêutica. Sua investigação leva Chris até a África, onde ele precisa encontrar um fabricante de armas que está empregando a tecnologia de pesadelo e descobrir o que é o apocalíptico projeto Uroboros.

Ao lado de Chris está a bela - como todas as heroínas da série - Sheva Alomar, uma agente africana da B.S.A.A. É na parceria entre os dois (jogadores podem jogar juntos em tela dividida a qualquer momento ou através das redes do Playstation e Xbox) que a série incorpora o multiplayer. O jogo em equipe é fundamental para os avanços e para derrubar as verdadeiras hordas de inimigos que se enfileiram na tela. A jogabilidade é parecida com a do quarto game, mas tem duas diferenças fundamentais: a habilidade de caminhar de lado e o sistema de menu que agora é em tempo real, tornando ainda mais complicado enfrentar os mutantes transformados pelos produtos Umbrella.

Leva tempo para dominar o sistema. Infelizmente, como na invasão do lobisomem anão de Alone in the Dark, o jogo não espera ninguém. Depois de disparar sua arma uma mísera vez contra um transformado, você já terá que encarar algumas dezenas de psicopatas e o primeiro chefão do jogo - um carrasco colossal. Prepare-se para morrer muitas vezes (e a cena que mostra o que acontece quando você perece chega a dar asco). Mas depois de algum treino já é possível acertar as cabeças injetadas de sangue do bando mutante - basta sangue frio, já que a ação não é frenética como a dos games de tiro recentes, mas mais calculada, com inimigos circulando e avançando aos poucos por vez.

O título, porém, não é perfeito. Sinto falta da sensação de isolamento dos primeiros jogos da série. O "survival" permanece, o "horror" também, mas a ação se sobrepõe demais aos dois. Andam um pouco deslumbrados os produtores... parece que se esqueceram das lições básicas do suspense. Na cartilha deles a sugestão é deixada de lado... a escolha é proposital, assim como o cenário, claríssimo e ensolarado, muito diferente dos lúgubres ambientes do passado. Mas Resident Evil sem o terror não é exatamente Resident Evil... e o próprio nome da série ("horror residente") começa a perder sentido e pender mais para o nome japonês da série, Biohazard ("ameaça biológica").

Adoraria ver o que a Capcom voltaria a fazer nesse departamento com essa série que é um de seus carros-chefes... afinal, a tecnologia está avançadíssima e o visual de Resident Evil 5 é incrível, detalhado e realista, incluindo os impressionantes modelos de Chris Redfield e Sheva Alomar. Um jogaço, divertido e caprichadíssimo, mas poderia ser mais fiel aos primórdios da série. Quem sabe em Resident Evil 6?

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