Música

Grizzly Bear - Painted Ruins | Crítica

Banda faz disco acessível sem abrir mão das canções elaboradas
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Cinco anos depois do ambicioso e denso Shields (2012), agora o Grizzly Bear voltou para provar que as ambições aumentaram ainda mais. Painted Ruins aprofunda os devaneios de Daniel Rossen e suas preocupações sobre a posição que sua banda ocupa no mundo do indie rock e - principalmente - sobre o mundo ao seu redor.

Num cenário musical de estilos cada vez mais mesclados, o rótulo “indie” não parece mais descrever com justiça o som do Grizzly Bear. E nem servia mais há 5 anos, quando Shields trouxe uma complexidade sonora que já tinha pouco a ver com o imediatismo do “indie”. O álbum era desafiador: camadas e mais camadas sonoras conduzindo o ouvinte por caminhos nada óbvios de estrutura e melodia.

Agora o desafio continua em Painted Ruins. Mais abstrato que Shields, - que ainda tinha momentos diretos e sublimes como "Yet Again" - o novo disco explora mais caminhos na mesma direção, chegando mais longe do que o anterior em complexidade e textura. Não quer dizer que o disco seja difícil de escutar - pelo contrário, é um espetáculo para os ouvidos - mas o novo trabalho não se revela de cara, é preciso amaciar os tímpanos para perceber aos poucos cada nuance que ele traz. E não são poucas.

Painted Ruins é, como sugere o título, um quadro do que significa estar vivo em 2017, com todas reviravoltas sociais e políticas que o mundo vive, ainda que não seja um disco propriamente político e sim reflexivo. É o ponto de vista individual sobre um cenário global e como a sonoridade complexa traduz essa visão. E isso é justamente o que deixa faixas como "Wasted Acres" e "Mourning Sound" tão interessantes: a banda consegue ambientar seus temas com elementos que criam cenários além dos próprios instrumentos, como sons de armas e caminhões fazendo um contraponto no mínimo inusitado com a base meio folk, meio new wave da música. O refrão surpreende com outra virada inesperada e o resultado é um dos singles mais interessantes do ano.

"Losing All Sense" e a caótica "Aquarian" (que começa conturbada e depois fica irresistivelmente grandiosa com seus ataques de guitarra à la Pink Floyd e Radiohead) são dois bons exemplos de como a banda continua e explorar novas sonoridades sem se preocupar - tanto - com o mercado e seu formato. São músicas mais soltas, quase progressivas, que respeitam o tempo necessário para a mensagem se concretizar e nada mais. Longas e lindas seções instrumentais pavimentam o caminho para que o vocal faça seu desfile, brindando o ouvinte com uma das mais belas surpresas de todo o disco.

"Neighbors" mantém acesa a chama da angústia que todos nós sentimos de vez em quando de que a vida passa rápido demais e, quando chegarmos lá na frente, o que teremos pra contar? “Quem sou eu abaixo da superfície?”, Rossen indaga. O lado bom disso tudo é que ele, apesar de não poupar questões filosóficas, não nos deixa refletir em silêncio. 

Painted Ruins é uma pequena obra de arte pronta para ser contemplada.

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Nota do crítico (Ótimo) críticas de Música

Aquela banda que nunca decepciona <3

Excelente crítica, Grizzly Bear sempre surpreendendo, é realmente um disco que precisa ser escutado várias vezes para que seja totalmente aproveitado, assim como foi em Shields, este novo embora tenha essa sonoridade mais descompromissada em algumas faixas ainda assim consegue mesclar elementos mais orgânicos, e isso torna a instrumentação ainda mais rica, sem falar claro nos ótimos vocais de Rossen e Droste. Pra mim já entra como um dos melhores discos do ano, sem dúvidas a banda acertou novamente.

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