Música

LCD Soundsystem - american dream | Crítica

Com álbum que resgata o melhor de sua sonoridade, grupo retorna, mostra relevância, mas se apoia na novidade antiga de serem os mesmos
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Dez músicas, 68 minutos, assim é o retorno do LCD Soundsystem após um hiato de seis anos. Não dá pra negar que a entrada com “oh baby”, faixa desacelerada, cheia de camadas, e sintetizadores que embalam a voz de James Murphy ganha a atenção de qualquer pessoa em busca de uma música capaz de te levar para um passeio, mas sem forçar a barra. Assim, american dream, o disco que trouxe o grupo de volta ‘dos mortos’, abre as portas para experiências de quem já conhecia a banda de Nova York e também para quem ainda não teve contato com todas as possibilidades sonoras exploradas por um time de músicos que tem na mistura entre o orgânico e a sonoridade eletrônica um de seus grandes trunfos.

E claro, fora o fato do embate dos fãs que questionaram o retorno do LCD após um show de despedida no Madison Square Garden, entre outros detalhes, o grupo segue com certa tranquilidade para a segunda faixa, “other voices”, relembrando sua mistura e as quebras dançantes que devem movimentar os corpos mais aflitos para encontrar a sonoridade que melhor representa um dos coletivos musicais mais queridinhos entre os descolados da década passada.

Com isso, algo que fica evidente já nas duas primeiras faixas, é que a vontade/necessidade de misturar essas possibilidades sonoras garante ao grupo trilhar um caminho já explorado - graças às muitas referências do novo material -, mas sem que a sensação de novidade deixe de permear essas criações.

O disco segue por uma pegada percussiva, marcada por graves e vocais levemente melancólicos de Murphy, como se a intenção fosse colocar as letras em destaque, fazer com que a sonoridade que dialoga - de alguma maneira - com a malemolência dos tambores latinos seja a cama para que cada uma das frases entoadas possam ganhar destaque. Isso fica nítido em “i used to”, “change yr mind” - que aposta em acordes dissonantes para construir sua atmosfera até chegar em sua entrega final, perfeita para ganhar diversos remixes -, e “how do you sleep?” - que lembra uma declamação acompanhada por ritmos percussivos até alterar suas nuances para algo próximo de um momento tribal eletrônico (sério) que empolga e cria o momento perfeito para receber o que vem à frente -. Até este ponto, fica claro como o trabalho com possibilidades musicais tão distintas em conjunto com nuances que se agregam de maneira tão melódica compõem uma peça realmente única e que, apesar de inseridas em conjunto com momentos melancólicos, ainda funcionam muito bem como um convite para dançar, esteja você de mau humor ou somente com vontade de se deixar levar.

A entrada da segunda metade de american dream surge como algo mais animado, dando pistas de que o início serviu, apenas, para preparar seus ouvidos para o próximo passo. “tonite” abre a série, seguindo para “call the police” com sua vibe U2 embebida em uma sonoridade espacial/especial que retorna à melancolia que só o “american dream” em seu momento atual pode trazer, mas dessa vez com um clima mais estilizado por camadas eletrônicas e também menos percussivas. A sequência final chega marcada por “emotional haircut”, com sua diversidade sonora rabiscada por timbres mais roqueiros, com altos e baixos que empolgam e conduzem para os 12 minutos de “black screen”, faixa que entrega um espaço tranquilo após toda a jornada do disco, com sua longa introdução e a construção de um clima oitentista que se encerra com pouco mais de cinco minutos instrumentais, talvez para garantir a ‘digestão’ de tudo que o grupo proporcionou durante este novo-velho caminho.

No fim das contas, o retorno do LCD Soundsystem não é algo novo. Não funciona como algo que veio para mostrar ou ampliar as possibilidades do que o grupo já fazia anteriormente, mas mostra o amadurecimento sonoro e, possivelmente, uma vontade de se reencontrar com seus fãs. O projeto, como um todo, funciona como a obra bem acabada de uma banda que entende seu status entre os amantes da música, não busca jogar de forma segura, mas também não acrescenta nada que pudesse causar o brilho nos olhos que seus outros projetos conseguiram. É um bom disco que pode ser trabalhado em diversas nuances para ganhar ainda mais corpo, mas funcionaria ainda mais se tivesse sido lançado há cinco anos.

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Nota do crítico (Bom) críticas de Música

Melhor álbum do ano disparado. Quem não gostou que vá escutar Calipso

O álbum não trouxe nada de muito novo em relação aos trabalhos anteriores da banda, mas pra mim tanto faz, eu não ligo, eles podem lançar o mesmo álbum até 2030 que eu vou continuar ouvindo e aplaudindo, porque nada se compara a essa banda, ela é única em todos os sentidos.

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