Música

One Direction em São Paulo | Crítica

Depois de quatro anos de espera, boy band se entrega à paixão do fã brasileiro
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Rostos pintados com corações e bandeiras do Reino Unido, além de muitas, muitas lágrimas. Ainda faltavam algumas horas para o show da boy band britânica One Direction, sensação do momento, subir ao palco. Porém, o Estádio do Morumbi, em São Paulo, já estava tomado por um mar de fãs apaixonadas e histéricas. Qualquer movimentação era motivo para gritaria coletiva, intercalada com o coro de alguns sucessos do grupo.

Os clipes no telão – quase todos de artistas saídos do reality show The X-Factor UK, responsável também por lançar os meninos ao sucesso –, ajudaram a empolgar a multidão até a entrada da banda de abertura. Às 19 horas, outra boy band, a brasileira P9, subiu ao palco ao som de “Just Two of Us”, canção que faz parte da trilha sonora do filme O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro. Com pequenos problemas no som, Igor, Jonathan, Guilherme e Michael bem que tentaram, mas o público não correspondeu à energia e não foi muito receptivo ao repertório. Nem o sucesso “My Favorite Girl”, nem a adaptação da letra de “Sinta a Vibe”, com a inserção da frase “Show do One Direction em São Paulo, eu tô lá!” conseguiram empolgar a galera. Todos queriam 1D.

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Na troca de bandas, a terra da garoa não podia ter escolhido recepção melhor. Em alguns minutos, uma chuva pesada deixou o público ensopado à espera do show. Mas alguém se importava com isso? Bastou os cinco garotos pisarem no palco para a multidão – 64 mil pessoas, segundo a produção – ir à loucura. A chuva deu uma trégua para Liam, Louis, Niall, Harry e Zayn abrirem os trabalhos por volta das 20h15 com a faixa-título do terceiro álbum do quinteto, "Midnight Memories". Em êxtase, os fãs fizeram coro. E todos sabiam - ou fingiam muito bem, como as dezenas de pais que se apertavam na pista.

Com a multidão aquecida, começou uma sequência de hits intercalados com músicas dos três álbuns já lançados. “Little Black Dress”, "Kiss You", "Why Don't We Go There?" e "Rock Me" foram algumas das canções que colocaram o público para dançar e cantar a plenos pulmões. Mas foi com “One Thing” e “What Makes You Beautiful” que o Morumbi veio abaixo.

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Depois de quatro anos de espera, os fãs brasileiros pareciam não acreditar que estavam, finalmente, assistindo de perto o grupo britânico. E mesmo que ao vivo eles não sejam tão bons quanto nos discos, conseguem arrebatar a multidão com facilidade. O segredo da banda não está na voz, mas na empatia.

Simpáticos, os meninos conversaram com os fãs e, claro, arranharam alguns “Obrigado” e “Eu te amo, São Paulo”, em português. A bandeira do Brasil também ganhou destaque na apresentação. Durante a canção “Little Things”, lá estava ela, colocada no centro do palco. Neymar Jr. tampouco foi esquecido. Respondendo a perguntas de fãs que apareciam no telão, Niall fez questão de dizer que seria o atual ídolo do futebol se pudesse estar na pele de outra celebridade.

O momento de maior surpresa da noite ficou por conta de um vídeo do jogador Pelé. Na gravação, ele elogiou a boy band e ofereceu camisas da seleção brasileira de futebol. Minutos depois, Niall voltou ao palco com o traje verde e amarelo.

Mas não importa o quanto os outros quatro se esforcem, Harry Styles parece ser mesmo o centro das atenções. Bastava o garoto abrir a boca para a galera ir ao delírio. Não se ouvia quase nada além do grito ensurdecedor das fãs. Por outro lado, havia um Louis apático e sem muita inspiração no palco. Nem os gritos de “Louis, eu te amo” foram suficientes para despertar o garoto, que seguiu apresentando a banda e ignorando os fãs.

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De volta ao palco para o bis, “You and I”, "Story of My Life" e "Little White Lies" foram os hits escolhidos para começar a despedida do público paulista. Antes da última canção, Liam voltou a agradecer os fãs e afirmou que “era o maior show da história do One Direction”. Niall completou dizendo que o tamanho do Morumbi era inacreditável. Já Harry, sem perder a oportunidade, disse que estava tão encantado pelo Brasil que tinha até tatuado esse amor. Nada de calça abaixada e desenho à mostra para São Paulo, no entanto.

Com “Best Song Ever”, o quinteto deu o adeus definitivo ao público, com a promessa de voltar logo ao país. Fogos de artifício foram a trilha da despedida de uma multidão apaixonada que aproveitou cada segundo das cerca de duas horas de show e que já parece estar contando os dias para ver a boy band de novo.

Nota do crítico (Bom) críticas de Música

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