Música

Butch, o DJ/produtor sem fronteiras sonoras

Alemão conhecido por sets que trabalham com diversas vertentes da e-music toca no Brasil - junto com Solomun - hoje
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Butch, ou Bülent Gürler, é um DJ/produtor fora da curva. Dono de uma história peculiar, o alemão começou a se interessar pela música e a explorar equipamentos já com 12 anos de idade. Não foi algo intencional, mas um toca discos de segunda mão e as músicas que seu irmão gravava durante suas saídas nos finais de semana, criaram o caminho ideal para que o jovem desenvolvesse seu estilo único e uma curiosidade que o move pelas diversas sonoridades eletrônicas até hoje. Butch é conhecido como um dos DJs que melhor transita por gêneros distintos, algo que ele já justificou anteriormente afirmando que, pra ele, a música não tem nada a ver com gênero, mas sim com como ela o faz se sentir. Então, ouvir um set “orquestrado” por ele é sempre uma viagem sem barreiras e fronteiras para quem busca não só diversão, mas também expandir suas possibilidades musicais e também se surpreender com a forma como o DJ encaixa cada uma de suas faixas. O germânico vem ao Brasil para algumas apresentações nesta semana e mostra toda sua técnica sem fronteiras em São Paulo, como parte da festa Hush, na qual deve abrir a pista para Solomun. O Omelete conversou com o produtor sobre alguns elementos de sua longa jornada na estrada e você pode ler a íntegra do bate papo abaixo.

De entrada, é sempre bom lembrar que Butch não é um entrevistado convencional, conhecido por sua forma cômica de encarar as coisas, às vezes com respostas engraçadas ou simplesmente displicentes, o alemão faz desses detalhes pontos importantes para sua persona. Assim, com essas características em destaque, Butch comenta que no início de seu caminho como alguém que buscava trabalhar com música, a ideia era ser o turntablist mais insano nas pistas. E segue “Eu não me importava com o esquema dos clubes. Eu só queria ser o melhor”. Mas hoje suas jornadas sonoras são amplas, fugindo dos limites dos gêneros, graças ao momento em que se apaixonou pela música eletrônica, quando completou idade suficiente para entrar nos clubes. “Quando isso aconteceu eu tive que aprender uma maneira totalmente nova de tocar. Foi um aprendizado realmente valioso e eu sou muito feliz por ter trabalhado com todo aquele background”. Butch, apesar de todas as vertentes musicais que costuma trabalhar em seus sets, e em suas músicas, aborda o fato como se tudo fosse bem simples. No entanto, ele é um produtor regrado que - quando não está em turnê - tem uma rotina diária de estúdio para criar suas faixas que começa pela manhã e vai até o início da noite. Além de criar coisas novas toda semana, o que segundo ele é “uma vantagem injusta que possibilita ter músicas que as pessoas ainda não ouviram”, o alemão também confessa que tem boas relações com pessoas as quais ama a música e que sempre enviam coisas bacanas. Em todo caso, se for alguém desconhecido… “Se alguém novo aparece com algo incrível eu fico sabendo muito rápido”, enfatiza.

Mas se o dia a dia do DJ/produtor é estar sempre em estúdio, criando novas faixas, ou tocando, quando sobra tempo para ouvir música? Ele explica que: “Eu ouço música quando estou viajando, inclusive de casa para o estúdio. Mas a pergunta é realmente muito boa, porque quando eu saio do estúdio, quase sempre eu não tenho muita vontade de ouvir música, eu só aprecio o silêncio”. Mas abre um adendo e diz que mesmo apreciando essa calmaria, “Eu ouço algo bom em um volume baixo e curto o momento”.

O tempo na estrada como forma de ampliar fronteiras

O alemão já está na estrada há mais de 20 anos, produzindo, criando e tocando, e faz questão de afirmar que desde quando começou a se interessar por música, no início dos anos 90, aprendeu “um punhado de novidades técnicas”, mas que sua ambição sempre vai ser “explorar e criar músicas absurdamente incríveis. Isso nunca mudou”. Ele comenta ainda que desde seus primeiros contatos com sonoridades que o fizeram dançar, lá com 12 anos de idade, seu entusiasmo com a música só cresceu. “Foi um excelente começo, mas eu estou muito feliz com a minha relação com a música. Quanto mais música eu faço, mais ela me atrai e me faz querer entender”. Isso pode ser visto claramente em sua extensa discografia.

Toda essa trajetória pelos caminhos musicais faz de Butch um dos nomes que desfruta não só do reconhecimento dos fãs, mas também de templos como o Watergate, em Berlim, onde ele e a equipe da casa desenvolveram a noite Down To The Rabbit Hole. A festa tem como seu fator principal, unir Butch mais um DJ que tocam sem limite de tempo, talvez o ambiente perfeito para quem cria tanto. Sobre isso ele confessa: “[A festa] tem forma que eu sempre quis: A noite perfeita no clube perfeito”, e segue, “Dois DJs, sem limite de tempo, só diversão. Isso realmente permite que a música nos leve pra onde ela quiser e dá para explorar tudo”.

E claro, não dá pra conversar com alguém que possui uma discografia como a dele e simplesmente não perguntar quais músicas ele indicaria para quem quer entender um pouco mais sobre os sons que ele cria e produz. No entanto, nem sempre as respostas vêm de forma satisfatória: “Eu não sei”, e sugere uma olhada nas suas coisas postadas no Youtube ou em outras plataformas…. (No final da matéria você pode ouvir um set de Butch gravado em 2014).

Por fim, mantendo seu estilo de respostas que fogem do senso comum, quando perguntado se está feliz com sua carreira e com a música que tem feito, comenta: “Eu não acho que a felicidade é algo realmente importante. Às vezes eu me sinto feliz, às vezes eu me sinto triste. Mas a coisa mais importante é ir para a cama com o sentimento de que você deu tudo que podia naquele dia, para fazer o dia ser o melhor possível. Trabalhar duro, ser amável e prestativo com as pessoas e dormir bem. Eu acho que isso é o mais importante."

Butch é uma das atrações da Hush, evento que acontece em São Paulo no dia 14 e que tem como atração principal o bósnio-germânico Solomun. Os ingressos estão disponíveis aqui. Mais informações sobre o evento você encontra aqui.

Butch ainda toca, no Warung Club, em Santa Catarina (17), e na Laroc Club, em Valinhos - SP (18).

Valeu, Heitor. Muito obrigado por ler e comentar por aqui. Estou nessa corrida pra trazer mais uma galera bacana pro radar. Daqui a pouco a gente chega lá. :)

Bela entrevista omelete!, Butch possui um dos sons mais característicos da atualidade junto com Seth Troxler. Fico feliz de ver o Omelete entrevistando artistas fora do mainstream. Ainda quero ver um dossiê das festas itinerantes de SP, tem muiiito material possível e alem de ajudar a disseminar a revolução cultural que vem acontecendo não só em sp, mas em todo o pais.

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