Música

Steve Aoki fala sobre disco de hip-hop, remix da Disney, haters e mais

DJ passou pelo Brasil para uma série de shows
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Steve Aoki Entrevista Exclusiva

Steve Aoki, atualmente o sétimo melhor DJ do mundo, de acordo com chart da DJ Mag, e um dos nomes mais famosos da EDM mundial, esteve no Brasil recentemente para uma sequência de shows em diversas cidades do país. O DJ e produtor, também conhecido por ser incansável, fato que rendeu até mesmo um documentário disponível na Netflix, I'll Sleep When I'm Dead, que mostra um pouco da sua história de realizador de festas em dormitórios da faculdade, dono de gravadora até chegar a cena mainstream da música eletrônica.

Aoki durante sua passagem pelo país, concedeu uma entrevista exclusiva ao Omelete e falou sobre seu próximo disco, Kolony, com diversos artistas de hip-hop, seu próximo projeto de EDM, Neon Future 3, os haters, as parcerias, o novo disco do Linkin Park e até sobre querer fazer remixes para alguns clássicos da Disney.  Leia tudo isso e um pouco mais abaixo.

Aoki que está trabalhando em seu próximo projeto, o disco Kolony, é conhecido por fazer diversos remixes e parcerias com artistas de variados segmentos. Logo, não dá para negar que esse é um dos detalhes que chama a atenção para alguns momentos de sua carreira e que devem estar sendo levado ao limite graças às suas novas parcerias com diversos artistas do hip-hop. Sobre como esse processo de colaboração funciona, Aoki comenta que “Cada música, cada colaboração tem um processo diferente. Em alguns momentos eu prefiro ter bastante tempo no estúdio com o artista para que eu possa ver para onde eu posso ir. Às vezes eu não tenho essa oportunidade. Então eu só faço a música e envio para o artista. Às vezes escrevo até a letra da música e aí busco um cantor para colocar a voz”, destaca.

O DJ segue comentando que prefere quando tem tempo para sentar e criar junto com o convidado. “Minha forma preferida é quando podemos sentar juntos e começar do zero, mas nem sempre acontece. Então, depende da música…”.

O produtor comenta ainda que sua busca, antes de começar a gravar ou fazer uma colaboração, é para criar “a vibe” do projeto. “Na maior parte do tempo você precisa criar a vibe primeiro, você não pode só colocar os beats pra tocar. Você precisa criar a vibe antes para que seja possível permitir que o fluxo criativo possa surgir de maneira orgânica. Eu estava trabalhando com um dos meus convidados do último disco e nós tivemos uma semana juntos no estúdio. O que é muito raro pra mim, mas eu queria muito focar nele como um artista e dar espaço pra ele”, e segue, “Assim que a gente achou os parâmetros, nós passamos a trabalhar bastante com as nossas músicas, criando, mostrando batidas e também escrevendo. Mas durante esse processo eu percebi que não posso forçar um disco de EDM em alguém que não é do EDM. E então comecei a criar outras batidas e entendi que ele estava naquela música. Começamos a escrever acordes muito simples para que ele pudesse encontrar a vibe e a partir daí foi só manipular um pouco mais o áudio até chegar em algo que se encaixava no espaço dele. Depois ele foi para a cabine de gravação e entregou uma performance incrível para o que a gente estava buscando, entende?”.

Essa movimentação em direção ao hip-hop, para um dos nomes mais conhecidos da EDM, não é algo óbvio. Justificando esse novo momento, Aoki diz que para ele não existem barreiras na música. “Com esse novo álbum, eu mudei todos os meus arranjos, eu estou usando sonoridades diferentes. E isso deixa o trabalho ainda mais interessante porque eu quero ter certeza de que o DNA do Aoki está lá, mas o DNA do Aoki também está evoluindo e mudando, assim como meus interesses também estão mudando. Então, em algumas músicas que remixei, eu costumo usar os mesmos synths, o mesmo som de sintetizador… Com o hip-hop, eu não quero usar o snare da EDM ou dubstep, talvez eu use um sub muito parecido com o som do Roland TR-808, mas com algumas mudanças”, destaca.

Aoki continua comentando sobre o novo processo e segue com a perspectiva de produtor e dono de gravadora ao destacar a necessidade de deixar o artista à vontade para que ele consiga o resultado que busca em suas parcerias. “Por exemplo, se a única forma [de trabalhar com alguém] for pegar ou largar, eu não vou fazer. Afinal de contas, a coisa mais importante é conseguir a melhor sessão de estúdio com um artista. Então, é importante que eles se sintam confortáveis em ser eles mesmos. Eu quero ser flexível, eu quero que eles sigam a natureza deles”. E para deixar essa necessidade ainda mais clara ele usa um exemplo simples: “Se você vem até o meu estúdio eu tenho que ser flexível, porque é igual quando você vai à casa de alguém. Se as coisas forem muito rígidas, você vai embora. Mas se você se sente bem no lugar, você vai ter bons momentos e é isso que eu quero nas minhas sessões, ser flexível, móvel, poder mudar, principalmente se eu quero trabalhar com o artista”.

E depois de tudo, apesar das diversas vezes que Aoki precisou responder a pergunta sobre como será seu próximo álbum, ele comenta “[...] eu estou trabalhando em um álbum pop, um álbum de hip-hop”, e destaca que pela primeira vez em sua carreira fez músicas sem os característicos drops do EDM. “Kolony é um disco com diversos artistas do hip-hop, com sons influenciados pelo Hip-Hop, sabe? Eu poderia dizer facilmente que este é um disco de Hip-Hop, mas pensando sobre a minha essência é algo influenciado, de forma muito forte e pesada, pelos elementos do hip-hop”. Mas logo após comentar sobre esse novo caminho, Aoki faz questão de ressaltar que assim que finalizar o projeto retorna para Neon Future 3, seu outro disco focado em Big Room e outras vertentes que o fizeram famoso. “Eu tenho trabalhado em Neon Future 3 por mais de dois anos e quando sair já vão ter passado praticamente três anos desde que eu comecei. E ele é tão diferente de Kolony. Eu realmente fiz isso em Neon Future 2, e é, definitivamente, uma evolução quando comparado ao álbum anterior”, enfatiza.

Haters
Aoki, como quase todo DJ do mainstream, lida com um grande número de haters. Suas músicas costumam ser amadas e odiadas quase na mesma proporção… Sobre isso, o produtor é bem direto e comenta que se fosse ligar para o que as pessoas falam, ele provavelmente já teria deixado de tocar, “[...] seria cientista ou algo do gênero”. No entanto, ele complementa que desde o primeiro dia como DJ recebe críticas, “Se eles não gostam de você ou do que você faz, eles vão querer que você falhe, que você pare, pessoas que não gostam de você querem que você não exista. E o que eu vou fazer, me matar? Eu tenho que fazer o que eu amo fazer para as pessoas que amam ver isso. Fazer parte dessa experiência. Às vezes eu tenho que me lembrar disso, também. Eu sou um ser humano. Então quando aparecem os haters eu fico ‘Oi? Oh, meu Deus, isso é chato’, eu estou aqui. As pessoas odeiam minha música, não importa. Elas podem gostar de uma música que eu fiz, mas sempre rola ‘Eu amo todas as suas coisas antigas, mas as suas novas são horríveis’. E o que eu vou fazer? Eu vou lançar e as pessoas vão ter uma opinião sobre. Eu já sei que não importa o que eu fizer, sempre vai ser odiado e também amado, mas eu preciso fazer isso por mim, primeiro. Se eu fizer isso por mim, e dominar isso e fazer com que seja meu, o resto não vai importar”.

Sobre o novo disco de Linkin Park
Aoki lançou em 2013 a faixa “A Light That Never Comes” em parceria com o Linkin Park. A produção apresentava elementos da EDM em conjunto com a sonoridade do grupo norte-americano. Agora, após o lançamento do novo disco do LP, One More Light, e a significativa mudança sonora em direção a algo mais pop, Aoki comenta que “Eles sempre foram um pouco eletrônicos desde o começo”, e confessa, quando, perguntado se acha que ele pode ter sido um dos responsáveis por essa guinada na sonoridade do grupo - com arranjos eletrônicos e uma cara mais radiofônica - que eles também querem mudar e evoluir. “Seja lá o que o artista fizer, desde que eles amem isso e seja algo realmente deles, não importa o que os outros vão achar. Eu não posso dizer que eu sou a razão ou não [pra essa guinada]. Porque ‘A Light That Never Comes’ não era uma faixa pop, mas foi uma criação que transitou pelas rádios e, de certa forma, as pessoas gostaram. Mas pra mim não era pop, sabe? Ela tinha algumas características muito específicas para ser uma música pop”.

Festival eletrônico na Disneyland
Pra fechar a conversa, Aoki diz que tem boas expectativas para sua apresentação no primeiro festival de música eletrônica realizado em um parque da Disney. Electroland: Where The Music Meets Magic e confessa adoraria preparar algo diferente. “Se tiver tempo eu gostaria de fazer remixes com os temas de a Bela e a Fera, Aladdin, todos os clássicos. Tem muitas músicas no catálogo, mas vamos ver”.

Kolony, novo disco de Aoki, ainda não tem data de lançamento definido, mas já conta com alguns singles divulgados - ouça abaixo.

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