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A Identidade Secreta dos Super-Heróis | Livro mostra a influência dos heróis na sociedade

Brian J. Robb, fala sobre a importância dos personagens na cultura e sua mudança ao longo do tempo
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Super-heróis tornaram-se ícones da cultura pop mundial com o passar dos anos. Eles começaram como pequenos gibis, rapidamente viraram propagandas de guerra e atualmente representam as maiores franquias cinematográficas do mundo. Por conta disso, o escritor Brian J. Robb estudou o crescimento desse fenômeno no livro A Identidade Secreta dos Super-Heróis – A História e as Origens dos Maiores Sucessos das HQs: do Superman aos Vingadores, que foi lançado no país pela editora Valentina.

Hoje o público tem acesso a diversos personagens com os mais diferentes poderes e história, mas todos só nasceram por conta de um dos maiores ícones dos quadrinhos. Em 1938, Jerry Siegel e Joe Shuster começaram uma revolução quando criaram o Superman, que estabeleceu características e parâmetros do que viria representar um herói com super poderes. “Ele foi o primeiro super-herói realmente significante a surgir nos quadrinhos, então seu nascimento deu origem a tudo que apareceu depois. Os heróis super poderosos que apareceram à partir do final dos anos 40 seguiram seu exemplo e eram aliens ou humanos mutantes. Tudo veio do Superman”, afirmou ao Omelete.

Robb explica que herói foi baseado em um famoso mito grego e os criadores procuraram adaptar as principais características de Hércules ao público do final dos anos 30. Isso fez com que outros autores usassem lendas antigas para criar seus heróis, sendo que a Mulher-Maravilha nasceu das Amazonas, o Flash seria uma reinvenção do velocista Hermes e o Batman é um herói mascarado baseado em Zorro e Robin Hood. Os heróis modernos lutariam pela verdade, justiça e um novo conceito: o estilo de vida americano, tornando-se, assim, uma máquina de propaganda durante a Segunda Guerra Mundial.

Entre os anos 40 – época que os principais nomes da primeira onda de heróis estava estabelecida – até o fim da Guerra em 1945, as vendas de quadrinhos nos EUA triplicaram e isso deu espaço para diversas figuras patrióticas nascerem, como o Capitão América. “Ele apareceu pela primeira vez em dezembro de 1940, um ano antes de Pearl Harbor com a agora infame capa desenhada por Jack Kirby onde o Capitão aparece dando um soco em Adolf Hitler”, explicou.

A Guerra ajudou a começar a era dos heróis, mas o fim dela significou um declínio vertiginoso nas vendas. Com isso, as editoras tentaram explorar novas ideias o que apenas as levou a entrar em conflito com o governo americano e famosos psiquiatras da época. Eventualmente, foi decretado o Comics Code, uma espécie de censura nas histórias que as deixaram juvenis, inofensivas e simples durante os anos 50.

“Personagens como o Batman e a Mulher-Maravilha passaram a ser minuciosamente examinados pelo congresso dos EUA que queria culpar a delinquência juvenil nos heróis dos quadrinhos”, afirmou o escritor. Isso forçou autores a se reinventarem e o código seria brutal até os anos 60, quando uma nova revolução surgiu graças a Marvel

A Casa de Ideias transformou o modo que o público via super-heróis. Ao invés de seres especiais, eles viraram pessoas comuns e muitas vezes descobriam seus poderes por acidente, tornando a luta contra um crime um fardo tão grande quanto um dever. “Eles precisam lidar com problemas da vida real e com situações que raramente o Batman e Superman encontravam. Drogas e a contracultura passaram a ser discutidos nos quadrinhos da Marvel”.

Essas transformações colaboraram para o crescimento exponencial dos heróis e, a cada década, novas visões de personagens clássicos são apresentadas ao público, que ainda consegue enxergar a essência criada no início do século passado. Em seu livro, ele detalha o crescimento e evolução de cada um deles até se tornarem potências cinematográficas de Hollywood. Contudo, o autor ressalta que os quadrinhos ainda seguem como um catalizador e um representante das mudanças culturais. “Culturalmente, eles ajudaram a sociedade a se entender, fazendo com que transformações sociais se tornassem mais aceitas graças ao intermédio dos quadrinhos”, finalizou Robb.

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