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Homem-Aranha 2099

Homem-Aranha 2099
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Garota-Aranha

Há décadas, histórias sobre o futuro de super-heróis, seus filhos ou herdeiros já não são mais novidade nos quadrinhos.

Uma das superequipes mais cultuadas da DC Comics, a Legião dos Super-Heróis, estreou em abril de 1958 com três jovens inspirados no Superboy protegendo a paz universal no século 30. Batman: o cavaleiro das trevas, de Frank Miller, abalou os alicerces da arte seqüencial em 1986 ao mostrar o herói voltando à ativa após dez anos de reclusão.

Na Marvel Comics, o maior clássico do subgênero é Dias de um futuro esquecido, produzido por Chris Claremont e John Byrne para os X-Men. Hoje temos publicada a personagem Garota-Aranha, a filha de Peter Parker, num possível futuro próximo. E de 1992 até 1998, os leitores acompanharam as aventuras do Homem-Aranha e vários outros representantes de peso do Universo Marvel em 2099.

O MUNDO DE 2099

O cenário, apesar dos carros voadores e da tecnologia avançada, não era nada agradável. O mundo havia sido dominado por corporações sem escrúpulos como a Alchemax e a Stark-Fujikawa; a polícia privatizada beneficiava apenas os mais ricos, sem a menor preocupação em proteger inocentes ou fazer justiça; não restava liberdade alguma; e a única esperança residia na improvável volta de Thor, o deus do trovão.

Antes de nos aprofundarmos no que foi o futuro de um mundo de maravilhas, é pertinente falar de sua concepção. Começou com um álbum jamais terminado que vinha sendo produzido por Stan Lee e John Byrne, apresentando a personagem Ravage no futuro do Universo Marvel. O projeto expandiu-se em reuniões entre Tom DeFalco, Mark Gruenwald, Bob Harras, Ralph Macchio e Fabian Nicieza. Pouco tempo depois essa turma recrutou o ex-editor da DC, Joey Cavalieri. Em vez de um álbum, toda uma nova linha de séries mensais estrelando, além do citado Ravage, já bastante alterado em relação a seu conceito inicial, versões futuras do Homem-Aranha, do Justiceiro e do Dr. Destino. Logo depois foi a vez dos X-Men, do Incrível Hulk, do Motoqueiro Fantasma, da Geração X e do Quarteto Fantástico.

Escrita por Peter David e desenhada por Rick Leonardi, a revista do Homem-Aranha 2099 foi a melhor do pacote e deixou saudades nos fãs.

Miguel O’Hara, o aracnídeo do futuro, não ganhou seus poderes nos tempos de colégio, como seu predecessor. Além disso, nas histórias, a angústia adolescente não foi um tema explorado. Já adulto, trabalhava como chefe de um projeto de aprimoramento genético da Alchemax, inspirado nas capacidades do Homem-Aranha original.

O’Hara teve o destino drasticamente alterado após um trágico experimento que visava ampliar a força de um condenado, usado como cobaia. O saldo foi a morte desse indivíduo. Decidido a abandonar a companhia, Mig foi logrado pelo magnata Tyler Stone, que o contaminou com um alucinógeno chamado Êxtase. Uma vez ingerida, a substância tornava-se tão vital quanto oxigênio.

O’Hara parecia não ter escolha a não ser se submeter ao jogo da nefasta Alchemax. Como havia usado seu próprio código genético em algumas experiências, todavia, decidiu fazer uso do material para reestruturar sua própria estrutura molecular e assim livrar-se da dependência do êxtase. Teria funcionado, se seu superior Aaron não interferisse, misturado inadvertidamente a programação de O’Hara com os códigos do Projeto Aranha. Saído de uma câmara de visual remanescente do filme A mosca, o transformado Miguel O’Hara já revelou que seus poderes, também, não eram exatamente os mesmos de Peter Parker.

A força e a agilidade proporcionais às de uma aranha continuavam as mesmas. Daí para frente, o Aranha do futuro herdou um pouco mais de um aracnídeo genuíno. Garras retráteis brotavam de suas mãos e pés. Sua visão tornou-se mais sensível. O fluido de teia era produzido em seus ante-braços e lançado naturalmente (idéia, repare, aproveitada por Sam Raimi para a versão cinematográfica do Aranha) e nasceram ainda peçonhas capazes de inocular veneno.

Se Peter Parker pensou de início em ganhar dinheiro com seus poderes, e em combater o mal apenas após o assassinato do Tio Ben, Miguel O’Hara não teve as mesmas oportunidades e já foi obrigado, de início, a lutar por sua sobrevivência. Trajando roupa de moléculas instáveis azul com uma grande caveira aracnídea estampada na frente, tecido ultraleve colado para planar nas correntes de vento - o que viria a ser o uniforme do novo herói - o Aranha 2099 teve como primeiro desafio o superciborgue Risco, contratado da Alchemax para capturá-lo.

Tudo o que Miguel O’Hara não queria era virar super-herói. Pretendia se livrar de suas recém-adquiridas habilidades sobre-humanas o mais rápido possível. Para mostrar como sua atitude começou a mudar, é necessária uma rápida apresentação do elenco de coadjuvantes que marcou a série.

Gabriel O’Hara, o irmão de Miguel, tinha o hábito pouco saudável de se envolver com mulheres problemáticas. Quando sua namorada Kasey, uma despojada terrorista, é capturada pela Alchemax, Gabe recorre a Miguel, na cena em que apareceu, pela primeira vez, em 2099 o sagrado mantra com grande poder, vem grande responsabilidade. Para resgatá-la, o Homem-Aranha do futuro enfrenta um samurai da Stark-Fujikawa e, fuzilado pelos oficiais do Olho Público, cai no misterioso submundo, onde encontra e enfrenta o canibal Abutre.

O’Hara começava assim a se dar conta da importante responsabilidade que deveria assumir. De volta á cidade alta, descobre que seus atos estavam contagiando a povo, quase criando uma nova religião, com pessoas vestindo trajes similares ao seu, os chamados aracnitas. Quando visita sua mãe no asilo Lar Vale Feliz, relembra a relação complicada com o pai e vê o quanto ela admira o Aranha. O novo super-herói renasce, agora convicto de sua missão.

DESTAQUES DO FUTURO

A Volta dos Deuses foi o primeiro crossover a envolver todos os títulos da linha 2099. Homem-Aranha, Ravage, Justiceiro, os X-Men e Destino reuniram-se na trama que levou ao futuro Thor, Loki, Hela, Heimdall , os deuses cuja volta a população sempre aguardou, comandando a cidade flutuante de Valhalla.

Como foi revelado no decorrer da trama, tudo não passou de um plano arquitetado pelo vil Avatarr. Os deuses eram pessoas comuns geneticamente transformados e reprogramadas, e a cidade, uma ameaça de alto poder destrutivo. O vilão estava criando seus próprios heróis para dilacerar a influência positiva do Aranha e dos demais campeões da liberdade, capazes de inspirar independência individual. Desnecessário narrar o resultado da ação conjunta dos vários heróis contra o mal.

Ainda mais espetacular foi o encontro do Homem-Aranha 2099 com o original, Peter Parker, num especial de 1995.

Começa com o Aranha do presente, sem razão perceptível, em 2099, balançando-se no ar e sendo perseguido por representantes do Olho Público. Da mesma forma, Miguel O’Hara chega ao apartamento de Peter, para desespero de Mary Jane Parker. Mig vai até o prédio do Clarim Diário em busca de informação, certo de que aquele dia seria marcado por uma tragédia, que iniciaria o fim da era heróica do século 20. A cena em que ele cala a boca de J. Jonah Jameson com fluido de teia é antológica.

Em 2099, Peter Parker pondera sobre a possibilidade de passar o resto de sua vida num futuro longínquo, tendo a chance de recomeçar sua vida, mas sem Mary Jane e seus grandes amigos. Os dois aracnídeos acabam parando na desolado futuro do Duende Macabro 2211, e recebem a ajuda de um visitante inesperado.

Uma bela produção de Petar David e Rick Leonardi, recomendada a todos os fãs do Homem-Aranha, mesmo quem ainda não teve contato com sua versão futura. Foi publicada no Brasil em Homem-Aranha 2099 35, agosto de 1996.

Uma sucessão de decisões editoriais equivocadas resultou no cancelamento de toda a linha 2099, que teve suas pontas fechadas no especial Manifesto Destino. Não significa que estas maravilhosas personagens estejam definitivamente esquecidas. Recentemente, Peter David trouxe de volta o Aranha 2099 nas páginas de sua revista Capitão Marvel. Por enquanto, não há nada prometido em termos de um revival, mas a esperança persiste. O verdadeiro futuro, como devemos saber, ainda está para ser escrito.

Tenho quase todas as edições do HA e dos X-Men aqui. Pena que na época a Abril cortava muitas coisas das histórias originais. O início foi bastante promissor, mas com o tempo, tanto as artes como os textos foram ficando muito ruis. De qualquer forma chegou a ser uma excelente opção para quem queria uma alternativa ao universo tradicional da Marvel.

Meu personagem preferido dessa época era o Doutor Destino, ele conquistando os Estados Unidos foi foda. O Aranha e o Justiceiro eram bem legais também, mas o resto era fraco ate dizer chega.

O homem aranha 2099 era muito bom mesmo. Também gostava do Justiceiro que era bem louco e sádico. Tava outro dia relendo e impressionado com a violência do quadrinho!!!

Comprei a edição #1 do HA 2099 com dinheiro que deveria ter usado para comprar remédio de asma para minha tia rsrsrs...me meti na maior confusão qdo voltei pra casa com HQ na mão. Fui forçado a voltar até a banca pra pegar a grana de volta. A japonesa dona da banca ficou emputecida "No tem que retorná! Nada de retorna dinero! Nada de recramação!" Depois de muita luta, consegui a grana de volta. Uma semana depois tinha juntado grana suficiente pra voltar e comprar de novo na mesma banca...ainda bem que era o filho da japonesa que tava lá. Infelizmente, depois de várias mudanças, não sei onde foram parar minhas HQs de quando era criança...shame on me.

kkkk que trágico. tenho quase todas aqui.Sim eu disse Quase não tenho a 1ª (cry)

Alexandre, e eu que gastava dinheiro do ônibus em gibis? Volta pra casa a pé. Pensa na Guerra Civil que deu na casa da minha mãe, na época... É o que dá ser adolescente, na época... rsrs ABs!

queria a de numero 35, pelo menos em cbr...

Ainda tenho algumas revistas do Aranha2099 a primeira e a ultima edição e mais umas 20 nesse meio tempo. Tenho tb esse encontro dos aranhas que no final da umas aranhas doidas de tanto aranha juntos.

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