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O Hobbit | 80 anos do lançamento do clássico de J.R.R. Tolkien

Muitas vezes visto como um elemento menor diante de O Senhor dos Anéis, a história de Bilbo foi essencial para o trabalho de Tolkien
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O início é uma aula de como prender o leitor na primeira frase. “Numa toca no chão vivia um hobbit”. Não importa se naquele momento ninguém tem a menor ideia do que seja um hobbit ou porque viveria numa toca. É impossível deixar de seguir em frente e descobrir que a toca na verdade é uma confortável residência de muitos cômodos cujo dono é fã de muito conforto. No momento que os hobbits são descritos como criaturas com “quase” nenhum poder mágico, não há mais como abandonar a história.

O cinema transformou os filmes baseados nos livros do J. R.R. Tolkien numa franquia de US$ 5,8 bilhões de dólares, mas nada disso teria acontecido sem O Hobbit. Uma aventura ágil, cheia de suspense, com toques de humor e ambientada numa era distante na qual a magia ainda era cotidiana, o livro cativou leitores e críticos com a história de Bilbo, um hobbit que se envolve numa série de aventuras, culminando com a luta contra um dragão. Lançada em 21 de setembro de 1937, a primeira edição de 1500 exemplares publicada na Inglaterra pela editora George Allen and Unwin Ltd esgotou-se em dezembro do mesmo ano, um grande feito para um autor estreante. Habituado a criar histórias para os filhos, antes de O Hobbit Tolkien havia publicado apenas alguns poemas, e depois dele, dezessete anos se passaram antes que o autor tivesse uma nova obra pronta. E, para desagrado de quem o aguardava, o novo livro não seria a continuação de O Hobbit solicitada, e sim o gigantesco e complexo O Senhor dos Anéis, que está longe de ser ágil e é mais apropriado ao público jovem e adulto.

Mas O Hobbit dessa primeira edição também não é o livro que hoje habita as prateleiras. Não havia planos para uma continuação na história publicada em 1937, assim, o anel que Bilbo e Gollum disputam é apenas um anel mágico capaz de tornar seu usuário invisível. Tanto que ao propor um jogo de adivinhação, Gollum diz a Bilbo que lhe dará um presente caso o hobbit ganhe. Mas quando Bilbo vence, Gollum pede desculpas, pois percebe que havia perdido o anel e não tem presente algum para dar ao vencedor. Bilbo, que a esta altura já havia encontrado o anel em um túnel, diz que aceita como prêmio a ajuda de Gollum para encontrar o caminho e está tudo bem. Gollum mostra a saída ao hobbit e cada um segue com a vida. Foi só quando passou a trabalhar no que seria O Senhor dos Anéis e decidiu colocar o anel de Bilbo no centro da história é que Tolkien resolveu transformá-lo no Um Anel, o Anel do Poder, criando um enorme problema de continuidade. Assim, em 1951, a Allen e Unwin publicou uma edição revisada de O Hobbit com o encontro com Gollum devidamente alterado para encaixar-se na nova história.

Se as origens de O Senhor dos Anéis estão no sucesso de O Hobbit, as raízes da aventura de Bilbo estão ainda mais distantes. Em uma carta ao poeta W. D. Auden em 1955, Tolkien conta que escreveu uma história sobre um dragão aos sete anos, o que não pode ser considerado incomum para um garoto britânico. Mas é revelador que ele não se lembre do enredo e sim do fato de sua mãe ter corrigido seu texto explicando que o correto não era “um verde grande dragão”, mas sim “um grande dragão verde”. Apaixonado pelo estudo de línguas, Tolkien se tornaria professor de anglo-saxão, idioma falado na Inglaterra entre os séculos 5 e 12 e no qual foi escrito Beowulf, poema sobre um guerreiro que entre outras tarefas, enfrenta um dragão.  Especialista no texto, Tolkien foi um dos primeiros a defender seu estudo como obra literária e não apenas histórica. Ele acumulava ainda conhecimentos de latim, gótico, celta, espanhol, galês e finlandês, porta de entrada para outra história épica, o Kalevala, além de verdadeira paixão por criar idiomas fictícios.   

Todas essas referências já transitavam pelos escritos de Tolkien, uma coleção de textos produzidos durante a Primeira Guerra Mundial, em especial em períodos passados em hospitais. Mas o livro responsável por apresentar a Terra-média aos leitores e transformar seu autor no responsável pelo ressurgimento do gênero de fantasia só nasceria nos anos 30, quando Tolkien enfrentava a cansativa tarefa de corrigir provas e deu de cara com uma folha em branco. Nela ele escreveu a primeira frase de O Hobbit. O aluno que largou o inspirador espaço em branco na prova permanece desconhecido, mas outro garoto passou à posteridade como responsável pela publicação do livro. Filho do editor Stanley Unwin, Rayner Unwin tinha apenas dez anos quando recebeu do pai a tarefa de ler o manuscrito e escrever um relatório a respeito, onde elogiou o volume e o indicou para crianças entre cinco e nove anos. Se tivesse a menor ideia do que estaria iniciando ali, o garoto na certa cobraria mais do que o xelim que recebeu pela resenha. 

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Bem, olha por essa ótica, entendo o seu ponto de vista, Vini. De certa forma, você tem razão. Porém, é importante que nossos estudantes tenham contato com nossos grandes artistas desde cedo, mesmo que a partir do Ensino Médio. Tenha uma boa noite. Até mais.

Hobbit S2

Um texto tão bom, que fiquei com raiva quando acabou. Devia dar uma aulas pro Hessel pra ele aprender a escrever.

Tem a idade certa pra tudo, né. Deveriam definir um plano de leitura pedagogicamente planejado pra evoluir da infância até a adolescência, começando com Turma da Mônica e finalizando com essa literatura nacional das antigas. É a mesma coisa que querer ensinar Bhaskara pra crianças de 10 anos. Ela é importante, mas antes tem que preparar a cabeça da criança com continhas de soma, multiplicação, expressões de primeiro grau.... e assim vai.

Adoro Tolkien, mas O Silmarillion é algo extraordinário e o meu preferido. Ando acompanhando as notícias sobre as transposições cinematográficas dos livros e as notícias não são boas. Enquanto os direitos sobre O Hobbit e a trilogia de O Senhor dos Anéis foram vendidos diretamente por Tolkien no final dos anos 60 quando era vivo (morreu em 1973), as outras obras estão nas mãos da família que brigam ainda com Peter Jackson e a Warner por direitos relativos não aos filmes em si, mas a todo lucro correlato (nos anos 60 não tinha DVD, videogames nem todo esse merchandise que existe hoje). Além disso, O Silmarillion é obra do filho e ele não cede os direitos alegando um suposto desrespeito à grandeza da obra. Porém desconfio que se trate simplesmente do vil dinheiro, infelizmente.

Se não fosse os Filmes 99% da população Mundial nunca ia saber quem foi J.R.R. Tolkien, e na Trilogia Hobbit, foi a Elfa Tauriel que nem existia nos livros que ajudou a equilibrar o filme, se não ia ser um fracasso.

Hobbit e Senhor dos Anéis foram os melhores filmes fantásticos neste século e é claro no século passado. São filmes fantásticos conduzidos com maestria pelo diretor. Hobbit não ganhou tantos prêmios porque , acredito, que Hollywood queria realmente dar chance a outros times da área.

Leia O Silmarillion antes. Lá se explica toda a história e engrenagem da Terra Média e da terra ao Oeste, tão buscada pelos elfos.

O Silmarillion é incrivel. Sem forçar a barra, dá pra fazer uns 10 filmes diferentes só com as histórias desse livro.

Vini, respeito sua opinião. Mas, cara, Machado de Assis é simplesmente o maior escritor da história do Brasil! É bom que tenhamos contato com suas obras desde cedo. Claro, poderia haver um leque maior de opções para as crianças. Porém, ainda assim, Machado de Assis é indispensável!

Na verdade, isso é comum até pelo modo como se escrevia antigamente, Sr. Presidente. Aqui no Brasil, podemos citar um exemplo: Monteiro Lobato. Apesar de suas obras terem como o alvo o público infantil, a maneira como ele escrevia (que era como se escrevia há décadas atrás) pode ser um tanto difícil para crianças de hoje entenderem. Não apenas para crianças, mas para alguns adultos também.

Quando tinha uns 12 anos me apresentaram a fantasia com esse livro, alguém viajó ao exterior e trouxe o livro que, assim por acaso, mudaria completamente minha concepção dos alcances da literatura. Há uns 20 anos era muito difícil achar livros de Tolkien por este lado do atlántico e os poucos que o conhecíamos quase que entramos em convulsão ao assistir na grande tela a trilogia de Peter Jackson. Hoje em dia a obra do grande J.R.R. Tolkien está inegavelmente presente em todo o genero fantástico tanto escrito quanto visual, grandes autores contemporáneos dele como Ursula K. Leguin e C.S. Lewis o colocam como o pilar por cima do qual tudo foi criado, hoje em dia a mitologia de Tolkien se mistura tanto com o folklore nórdico que poucos conseguem enxergar os limites de cada um. Escritores atuais como George R.R. Martin ou até J.K. Rowling (que inicialmente o negava) reconhecem também sua influencia. Nós no Brasil o conhecemos tarde, muito tempo depois do que a grande maioria, mas isso só estimulou a curiosidade. Atualmente é parte da cultura popular, ainda a maioria não o conhece mas todos o reconhecem.

E assim, nascia uma história que mudaria o mundo da fantasia. Conforme Tolkien escreveu: “Numa toca no chão vivia um hobbit”.

machado de assis é bom, cara. obviamente eu prefiro ler o hobbit do que dom casmurro mas n saber até hoje se a capitu traiu ou nao bentinho é uma coisa que fica na cabeça pra sempre assim como riddles in the dark que é meu cap favorito do hobbit

Uma teoria muito comum diz que ele é o Eru Iluvátar, que seria o deus supremo da mitlogia de Tolkien

Nem lá fora dão O Hobbit, lá tbm são os chatos clássicos.

tolkien é sem dúvida o maior autor de fantasia de todos os tempos. sem dúvida suas histórias nos mostraram um mundo fantástico, além de varios personagens memoráveis. parabéns tolkien você merece muito mais prestigio.

Ah, li também Simarillion, do Tolkien. Amo de paixão. Também queria um filme sobre Beren e Luthien. Se vão fazer tanto prequel de Cronicas de Gelo e Fogo, porque não fazem também sobre a Terra-Média?!

Putz, adoro O Primo Brasílio do Eça de Queirós e Dom Casmurro do Machado de Assis, como também adoro O Senhor dos Anéis. Não li ainda O Hobbit. Talvez não gostem do Realismo na literatura, escola literária tanto de Eça quanto de Machado. Sempre gostei.

Comigo é a mesma coisa, quando criança era obrigado a ler O Alienista, não entendia nada e achava o livro um lix0, criando aversão pelo autor e por outras obras dele que fui obrigado a ler. Hoje me lembro pouco da história do livro, mas lembro que tinha uma crítica interessante sobre o conceito de normalidade e como todos de certo modo somos loucos.

"Misty Mountain Hop" no talo !

Livro muito bom, grande classico

Graças a Deus, meu irmão adora Tom Bombadil, mas para mim a interação dele com os hobbits foi o momento mais difícil durante minha leitura da trilogia do Anel.

Um dos livros mais lindos que já li, passa mensagens maravilhosas, de companheirismo, lealdade, honra, entre outras, também trata do mal que a ganância trás para a alma. Quero um dia poder ler esse livro para meus filhos.

O Azaghal disse uma vez que ele não movimenta a história. Mas a verdade é que é um personagem divertidíssimo, ele alivia a tensão causada pela fuga de Frodo do Condado e o primeiro encontro com o Nazgúl. Eu, enquanto leitor me senti mais aliviado quando Frodo permanecia na casa do Bombadil. E estranhamente ele não é afetado pelo anel, quando até mesmo os magos são. Na minha concepção o Bombadil pode ser uma espécie de Deus que está acima do próprio Sauron. Ah, desculpe pelo textão...me empolguei.

Eça de Queiroz eu acho que escrevia já com intenção de ser chato e maçante. No ensino médio lá pra 2005 eu li Manuel Antônio de Almeida e adorei, li Machado de Assis e gostei, mas li Eça de Queiroz e fiquei abobada de como um escritor conseguia escrever personagens tão irritantes, antipáticos e incapazes de se simpatizar. Infelizmente até hoje ele é considerado um dos romancistas mais importantes da literatura lusófona e por muitos anos vamos ter que lidar com ele.

E olha que Machado de Assis é bem dinâmico em comparação a outros escritores clássicos.

O Hobbit na época era indicado para crianças de 5 a 9 anos. Hoje tem muitos adultos que não entendem a linguagem rebuscada do Tolkien no livro, que é justamente o mais simples dos que ele escreveu... O mundo está realmente perdido.

Tom Bombadil é altos personagem que nunca apareceu em nenhum filme... :/

Um Saramago pra criançada ler.

Machado de Assis chato ?!?!?! vou te passar uns Eça de Queiroz que tenho aqui... hehehehe

E Beren e Luthien, quando será lançado por aqui?

Queria eu que as escolas do Brasil dessem esse tipo de livro pras crianças lerem. Mas não, com 11 anos tão obrigado a ler Machado de Assis. Eu fui um dos que foi mal influenciado, peguei desgosto por leitura porquê me fizeram entender que livros eram tediosos.

80 anos!!! Já perdi as contas de quantas vezes li quando era moleque. E agora eu leio para o meu filho. Obrigado, Tolkien!

Ótimo post, Omelete shushushushus

John Ronald Reuel Tolkien mudou a forma como eu via a literatura, além do quê, seus livros me mostraram uma grandeza de mundo e fantasia totalmente inesquecível. Antes de Tolkien e a Terra Média, até parece que minha mente e criatividade eram limitados. Obrigado Mestre!

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