HQ/Livros

Black Widow #1 | Crítica

Apesar da leitura ligeira, Chris Samnee faz valer a espera pela nova HQ da Viúva Negra
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Quando entrevistei Mark Waid na CCXP, perguntei o que ele achava dos quadrinistas que recorriam com frequência cada vez maior à splash page - as páginas de HQs com um único quadro - como efeito de impacto. O roteirista deu uma resposta muito simples: "É um recurso como qualquer outro, mas deve ser usado com equilíbrio, porque como a diminuição de quadros acelera a leitura às vezes eu fico com a impressão de que a HQ termina rápido demais e não tem muito lá".

Black Widow #1, a primeira edição da esperada série da Viúva Negra sob o comando de Waid com o desenhista Chris Samnee, é uma leitura que passa rápido, mas sem essa sensação de vazio de que o roteirista fala. São 20 páginas de ação desenfreada e poucos balões, que valorizam o lado Jason Bourne de Natasha Romanoff, perseguida do começo ao fim pela SHIELD por ter furtado um misterioso objeto. A comparação com Bourne parece apropriada porque Waid nos disse, também na CCXP, que neste primeiro arco a Viúva será despida de suas armas e seus recursos, e terá que se defender sozinha.

A primeira edição é feita dessa única perseguição, mas a variação dentro dela é exemplar. Começa situando Natasha numa multidão (os engravatados da SHIELD), a heroína surgindo aos poucos de relance, até explodir de corpo inteiro pela janela do aeroporta-aviões (página dupla gloriosa que faz valer o gasto de splash page). Continua numa sequência pensada para nos demonstrar o talento de bailarina da russa e sua malícia - desde sempre suas características principais. E termina apoteoticamente num duelo que substitui o lado lúdico da perseguição por uma briga suja e sangrenta, capaz de dar à HQ uma dramaticidade que lhe confira o peso necessário para terminar de prencher aquele vazio.

Se Waid estrutura a perseguição de uma forma inteligente para nos reapresentar Natasha, suas habilidades e seu ofício, é o desenhista Chris Samnee que brilha traduzindo isso em quadros cheios de movimento. Quem aguardava a nova empreitada da dupla depois da bem sucedida fase dos dois em Daredevil, encerrada em setembro passado (leia a nossa crítica), tem em Black Widow um prato cheio, porque a ação de Samnee continua a mesma: ótimo senso espacial, traço limpo e dinâmico e quadros organizados com frequentes bordas diagonais nas cenas mais velozes, como se um quadro escorregasse urgentemente para o próximo.

Quem precisa de motion comic quando temos uma HQ como essa, que se folheia tão prazerosamente como se fosse o melhor desenho animado?

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Nota do crítico (Ótimo) críticas de HQ/Livros
Galeria de imagens (16)

Obrigado pela dica!

Levi, já há previsão de quando chega essa nova fase da Viúva Negra aqui? Estou roendo as unhas aqui! :)

Olá, Marc. Outro trabalho formidável do Waid foi a série do Demolidor, que a Panini publicou no formato de encadernado até recentemente, quando foi concluída. Lá, o Waid e o Samnee criam histórias bacanas e leves do Demolidor, mas com bastante conteúdo. Elas não são descartáveis. Acho que foi um dos melhores materiais que saiu por aqui recentemente. Se puder adquirir, deixe na sua lista de leituras futuras. Abraços.

Que crítica bonita de se ler... A introdução falando do recurso, e a descrição valorada cheia de movimento e imagem. Dou 5 ovos para sua crítica de 4 ovos.

Sou super-fã dele também.

Waid é excepcional. Se no Quarteto Fantástico era Wieringo quem conseguia transpor para o papel o movimento que Waid sempre quis dar as suas histórias, agora, é Samnee quem faz com maestria esse trabalho. Ansioso para essa maravilha chegar por aqui o mais rapidamente possível.

Waid tem o dom, ele é o cara.

Ainda não li, mas se a história for tão legal quanto as capas que foram mostradas, tá valendo..! :)

, Estou lendo a serie e até agora tá MEH!

Interessante!

Hessel direto ao ponto hein. Legal. Deu uma baita vontade de conhecer essa Viúva Negra do Waid, porque acompanhar os quadrinhos regulares hoje em dia tá osso.

é, com o Mark Waid não tem como errar pelo visto. O cara tá numa fase excelente. Tá tipo o Messi, até quando chuta errado faz golaço. Vou conferir (mas quando estiver lá pra edição 5, detesto ficar esperando pra ver a edição seguinte).

A HQ ficou muito boa mesmo, será que temos uma série tão boa quanto a do Gavião e a Bishop?

Vou ler.

Ótima crítica. Deu vontade de conferir

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