HQ/Livros

Crítica: Éden

Humor filosófico argentino em quadrinhos
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“É como se o próprio livro tivesse vida”, diz o quadrinista James Kochalka na quarta capa de Éden. E se você já achou essa frase fofa, bobinha e um pouco fresca demais, então nem leia o resto desta crítica. E mantenha-se longe de Éden.

Agora, se você não tem problemas com quadrinhos que falam das pequenas coisas mágicas do cotidiano, sem medo de ser piegas e que tentam conversar com sua alma, vá logo atrás de Éden.

A HQ de Kioskerman – pseudônimo do argentino Pablo Holmberg – abriu caminho para o mundo através da internet. Antes dela, Pablo já tinha feito outra tira, chamada Señor del Kiosco, um pouco mais crua no desenho e no humor. Éden começou quando ele percebeu que não precisa ficar SÓ no humor.

Na primeira tira, o ser de coroa (veja na capa), que frequenta boa parte das tiras, conversa com um árvore. Diz a ela que existe “um vale com um lago, um bosque e muitas flores e animais” além das montanhas, que a árvore não pode ver. Ela diz: “Deve ser incrível”. O coroado ser coloca a árvore no seu carrinho de brinquedo e leva-a além das montanhas.

Em outra, o mesmo personagem depara-se com a Bela Adormecida. Beija-a na boca. Ela responde com mais “ZZZZZZ”. No último quadro, ele está sentado numa pedra, deprimido.

Só mais uma: e sem texto. Um passarinho canta no galho de uma árvore morta, ao lado de um riacho. Subitamente, a árvore mexe o galho como se fosse um braço e enfia o passarinho no riacho.

Sim, ainda há uma dose de humor em Éden. Mas ele sempre tem um tom mais filosófico do que propriamente engraçado. Você dificilmente dará alguma gargalhada com as tiras, mas aqueles sorrisos sinceros no canto da boca são inevitáveis.

Foi com essas pequenas reflexões – a maioria delas em quatro quadros – que Kioskerman conquistou leitores na Argentina e no Canadá. Ao mesmo tempo em que está saindo pela primeira vez em português, a Drawn & Quarterly publica-a nos EUA – onde começam a aparecer reviews apaixonados pela novidade, perguntando-se como a tira consegue dizer tanta coisa em tão poucos quadros.

É difícil explicar mais sobre Éden. Vá ler algumas tiras no site original e depois busque a edição em português (120 páginas, R$ 41, editora Zarabatana). Se você leu o texto até aqui, é certo que já é o público ideal.

Nota do crítico (Bom) críticas de HQ/Livros
Éden (2012)
(Éden) Direção: Bruno Safadi Estreia em 05/10/12
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