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"Adoro que os brasileiros tenham se relacionado com a mitologia nórdica", diz Neil Gaiman sobre novo livro

Autor comentou processo criativo do mais recente projeto e falou sobre como é para ele ver Thor nos cinemas
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Neil Gaiman sempre mostrou apreço pela herança cultural escandinava, relativa aos povos que viviam no norte da Europa - não por menos, o escritor já introduziu o deus Odin em obras como Deuses Americanos e Sandman. Nada mais justo, portanto, que seu mais recente trabalho fosse dedicado a mergulhar de vez neste universo: Mitologia Nórdica, novo livro de Gaiman lançado no Brasil pela Intrínseca, reconta diversos mitos escandinavos através da ótica do autor. Em entrevista exclusiva ao Omelete, Gaiman conta que, apesar da familiaridade com o tema, demorou dois anos para que ele organizasse as ideias e embarcasse de forma definitiva no projeto.

"O livro começou a nascer em 2008, quando um editor me perguntou se eu estaria interessado em escrever um livro sobre a mitologia nórdica. Passei dois anos pensando até dar a resposta positiva. Levei dois anos pensando em como seria escrever sobre o tema, tentando descobrir qual seria o estilo e como eu faria isso. Eu queria que fosse algo que funcionasse e que fosse real."

Mitologia Nórdica é uma coletânea de quinze contos, começando com a história da origem do mundo e mostrando a relação, permeada pelos mais diversos conflitos, entre os deuses. A saga vai até o Ragnarök, o cenário apocalíptico que levaria ao fim do planeta. Intercalando passagens sombrias com narrativas divertidas, o livro é uma tentativa de trazer de volta ao imaginário popular histórias que foram fonte de entretenimento para povos antepassados.

Aliás, em relação ao passado, Gaiman diz  que gostaria de ver o antigo costume de organizar reuniões para contar lendas e fábulas acontecendo no mundo contemporâneo. "Eu adoraria que as pessoas lessem histórias para crianças ao redor da fogueira ou na beira da praia no Brasil". Gaiman pontua ainda que exerga com certa curiosidade a relação entre os brasileiros e suas histórias sobre deuses nórdicos.

"É interessante, essas histórias não são nem um pouco brasileiras, é tudo muito frio. A história é contada em uma realidade em que o mundo te mata, o clima te mata, não há nada prazeroso. O verão nos países nórdicos tem apenas alguns meses em que pessoas no Brasil pensariam que era apenas um dia fresco. Acho que isso é o melhor nos brasileiros. Tudo sobre eles é tão destemido. Eu adoro que os brasileiros tenham se relacionado com mitologia nórdica."

Sobre o processo de produção do livro, Gaiman conta que a primeira das histórias em que se debruçou foi a que é abordada no sétimo capítulo, "O Casamento Incomum de Freya". "Assim que terminei esse eu sabia que tinha feito algo que seria engraçado, acessível, mas que também poderia assustar", conta. O livro, então, ficou pronto no começo de 2016, após Gaiman se reunir com seu editor, terminar as últimas histórias e colocar todas elas em ordem. "Esse foi um tema que me deixou muito contente, pelo qual eu me apaixonei e a ideia de que eu posso dar isso para o mundo é uma coisa muito interessante para mim".

Um dos pontos principais para o autor foi que nenhuma história do livro seria criada do zero - o que Gaiman se permitiria fazer seria dar uma nova roupagem a elas. Ele conta que o processo de criação foi cansativo para alguém acostumado a criar seus próprios universos. "O que eu sou bom em fazer é justamente criar coisas e a minha regra era que eu não poderia. Mas eu podia criar a nível de detalhes colaborativos, ou seja, se a história diz que um personagem foi de um ponto para outro, eu podia fazer uma interpretação pra ele de como foi ir de um ponto ao outro." Gaiman diz que fez muito disso ao longo do livro - por exemplo, para construir a história do capítulo "O Hydromel da Poesia", o autor precisou buscar detalhes em outros contos para deixar a trama bem amarrada.

E é interessante lembrar que não é só Gaiman que usa a mitologia nórdica para alimentar a cultura pop: um dos principais personagens da Marvel tanto nos quadrinhos quanto no cinema hoje é ninguém menos que Thor, deus dos trovões e das batalhas. Gaiman revela que ama o destaque que o universo de Thor tem recebido nas múltiplas mídias. "Os filmes são ótimos, adoro o Thor do Chris Hemsworth e o Loki do Tom Hiddleston. Eu adoro o fato de esses personagens ganharem o mundo. Qualquer forma que as pessoas possam descobrir a mitologia nórdica é boa, não importa como."

Lançado no Brasil pela Intrínseca com tradução de Edmundo Barreiros, Mitologia Nórdica mostra Neil Gaiman caminhando na trilha dos manuscritos originais sobre Argard, escritos em holândes por eruditos medievais.

Leia mais sobre Mitologia Nórdica

Neil Gaiman
10 de Novembro de 1960 (56 anos), Portchester, England, UK
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Para você deve faltar educação em nenhum momento te desrespeitei.

Ok, gosta de interpretação e amplificação de texto também?

Certo dia, após um forte trovão, disse que aquele era o prelúdio do Ragnarök..ninguém nunca entendeu...também brincava dizendo que vinha de Valhalla...tampouco entenderam... Quando se cresce com Robert E. Howard e Hal Foster...Se tem uma infância sui generis

Não sei eu gosto de mangas

Eu gosto de anime. Mas acho que A pessoas gostam de boas histórias independente de onde venh

Recomendo que leiam um autor chamado Jorge Luis Borges.

Foi mal, mas eu não achei desses dois... só achei a lista de golpes e combos... mas não vem com modo história kkkk

Parece que trouxemos o frio junto.

Eu tô lendo livro, maravilhoso, hoje mais cedo li Filhos de Loki, Gaiman é meu autor favorito, e pelo que penso, acho que sempre será.

no original chega a ser esttanho porque estamos acostumados com o das hqs

Eu comprei o livro assim que saiu...ótima leitura! E não deixa de ser curioso depois de anos lendo o Thor nos quadrinhos, vê-lo em sua forma "original"...

No Rio Grande do Sul a maior parte da colonização foi européia (alemã, polonesa, russa, Italiana...) e aqui faz um frio dos diabos, então, nada de novo sobre conhecer a cultura e as crenças européias antigas e estar acostumado a sofrer no outono e Inverno.

Putz! Brasil é um pais cheio de sincretismo com várias mitologias próprias mas com matrizes, africanas indígenas e europeias. Procure por "Deuses de Dois Mundos"! Pede para seus avos te contarem uma história e você verá a mitologia brasileira.

Prefiro mitologia europeia e oriental porque são mais elaborados que Saci-Pererê e Matinta Pereira. Ponto.

Exato, o Brasil já abraçou a cultura japonesa há tempos. Aqui mesmo onde moro, Natal, tem dois eventos grandes de cultura japonesa (Saga e Yujo) que acontecem duas vezes (ou mais) ao ano desde 2005 (ou antes, realmente não lembro do ano em que começou). A cultura japonesa é tão apreciada que muita gente sabe as aberturas em japonês dos animes e, ultimamente, prefere assistir legendado (acho que o principal motivo disso é a demora para o anime chegar de forma oficial, o que atrasa a dublagem). E realmente: temática feudal faz muito sucesso no Brasil. Os dois que você citou são muito queridos por qualquer fã de anime. E quando gostamos de algo com temática ocidental é por somente um fator: somos ocidentais e nos vemos representados nisso. Cavaleiros do Zodíaco, apesar da cultura eurocêntrica, usa toda a construção de signos que se relaciona muito facilmente com a nossa e tem personagens dos mais diversos lugares (inclusive Brasil, com o grande Aldebaran de Touro). Se o Brasil só gostasse da cultura eurocêntrica ou ocidental como um todo, com certeza não veríamos tanta reclamação de BRASILEIROS sobre a americanização do elenco de Death Note.

Complementando... Aqui no br animes que remetiam ao Japão feudal tiveram bastante aceitação do público, como inuyasha e rurouni kenshin, contando até com centenas de episódios dublados. Já one piece que é muito mais próximo da cultura ocidental só recebeu dublagem no br da primeira temporada, 30 40 eps me parece. Em resumo, quando se trata de universo otaku o padrão eurocêntrico não pesa como fator determinante de nada.

Pra dizer a verdade, durante os anos 90 e 2000 era mais comum no Brasil o cara conhecer um personagem de anime do que uma divindade nórdica. Aliás, alguns tiveram o primeiro contato com Odin em saint seiya. Claro que o leque de interesses do brasileiro está também relacionado à distribuição de conteúdo e isso compromete bastante o rol de escolhas, como o meu caso que não pude terminar a saga blackwell pages sobre mitologia nórdica que ainda não foi lançado aqui em português. Outros conteúdos desse assunto, como os livros da Mirela Faur que eu li, precisariam de um mínimo de divulgação.

o boto

Engraçado o que ele pensa sobre o gosto dos brasileiros por coisas que - aparentemente não seriam do nosso feitio - no caso o "gostar" de coisas nórdicas (sou dessas também...). Essa parte que ele fala "(...)Tudo sobre eles [os brasileiros] é tão destemido(...). Eu já acho isso dos ingleses, mas...enfim...são percepções diferentes. Quanto ao livro, embora tenha lido algumas resenhas não muito sensacionais, quero essa obra por ser do titio Gaiman e o considero um excelente contador de histórias, o cara é foda e etc e tal.

Sim, o Japão tem obras influenciadas pela cultura europeia. Mas muita coisa já chegou aqui sendo totalmente oriental, como os tokusatsus e vários animes que apresentam coisas totalmente japonesas (como shinigamis, yokais, etc). Negar isso é esquecer que muito do que nós recebemos do Japão é o que passa nos EUA que, nesse ponto, é bem rigoroso na hora de aceitar produções "japonesas demais". Com a chegada da internet, diversas produções que antes não chegavam até aqui passaram a ser admiradas e assistidas por brasileiros. A exposição proporcionada pela internet possibilitou a existência de otakus e, no caso do que vem da Coréia, um culto ao K-Pop por parte da juventude de nosso país. Além disso, muito do que absorvemos vem dos EUA e Japão na questão cultural, sendo a Europa nosso influenciador apenas nos estudos e por razões óbvias: velho mundo que, além de nos colonizar, teve grande importância até os EUA se tornarem mais relevantes na economia e como produtores de conteúdo. A quantidade de produções dos EUA, do Japão e da China que assistimos MESMO quando não passam em nossos cinemas é muito superior à quantidade de produções europeias que, no Brasil, são pouco apreciadas.

Qual a verdadeira mitologia brasileira?

Não creio ser questão de valorizar ou desvalorizar, até porque a criação cultural dos povos é uma coisa dinâmica, que deve ser apropriada e modificada, como, aliás, Neil Gaiman o faz em relação aos mitos nórdicos no livro. Não acho que devamos discriminar a cultura européia ou qualquer outra, muito menos a nossa, que criou grande literatura e até hoje é uma das criadoras de música mais ricas (fora dos circuitos comerciais). Ruim é quando aparecem pessoas que defendem o tudo ou nada, tanto para a nossa cultura quanto para as estrangeiras.

Grupos no Brasil que até pouco tempo atras em termos de população geral tinha algum conhecimento sobre mitologia nórdica: Fãs do bom e velho heavy metal. Jogadores de RPG Alguns leitores mais aficionados de Senhor dos aneis... Conan.. gibis... Historiadores é claro... Ha uns 10 anos pronunciei no escritório a palavra Asgard e ninguém sabia do que se tratava ....e hoje o sucesso do personagem da Marvel consolidou esse mundo até em desfile de escola de samba.

Por que desvalorizar a cultura Europeia? A base da civilização ocidental. Podemos prestigiar a cultura brasileira sem fazer substituições, porém é imprescindível o conhecimento a certa da cultura que forneceu os alicerces para nossa sociedade. Desconsiderar a cultura Europeia só atende aos planos globalistas de desinformação e deseducação para implantação de uma nova ordem mundial, currículo esse que é implantado paulatinamente nas escolas brasileiras desde a década de 60.

Até a cultura POP japonesa que chega aqui é cheia de influência europeia hehehe. O vem do Japão e se populariza aqui tem claramente forte traço europeu por personagens de cabelos claros e olhos azuis, histórias inspiradas em personalidades, mitos e lendas do continente Europeu como Cavaleiros do Zodíaco, Full Metal, One Piece, Fairy Tail, Hellsing, Sword Art Online, Fate e tantos outros. O Studio Ghibli, por exemplo faz um bom trabalho mostrando a cultura ORIGINAL do Japão em seus filmes, com aqueles enredos baseados nos espíritos da natureza. Mas essa parte não consegue ser tão bem assimilada aqui. Já viu arte e histórias do Japão sendo ensinadas na escola como a europeia? Temos que aprender quem foi Picasso, da Vince e Van Gogh. Temos que estudar as revoluções europeias, a religião do continente, a geografia política, o clima, literatura e o sistema europeu simplesmente porque boa parte de nossas raízes vem de lá e nos é renegado o ensino formal de outras culturas.

Alguém disse que Brasileiro só quer saber de consumir cultura européia. Eu até concordo que devíamos valorizar mais Machado de Assis, Lima Barreto, Suassuna, Mário de Andrade, Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, Jorge Amado, Érico Veríssimo, Clarice Lispector e outros, que, na minha opinião, criaram a melhor literatura do final do século retrasado para cá, mas enfim, como o governo ditatorial brasileiro considerava várias dessas figuras subversivas, meio que não descobrimos o quão inspiradora e importante é nossa própria literatura. Mas dizer que brasileiro só ama coisas europeias e americanas é exagero. Até porque Paulo Coelho, de quem não gosto, é sucesso na Europa e USA e aqui também. Nos quadrinhos, a MSP é uma das editoras de quadrinhos mais bem sucedidas do mundo, se brincar, como editora, deve ser maior que Marvel e DC, hoje em dia.

Cartman falou tudo!!

Experimenta: Estonianas, Letonianas e Romenas para você ver. Qualidade de primeira.

"Brasileiro não valoriza coisa nacional, só quer coisa da colônia, mimimi"... O estrondoso sucesso da série de neovelas gráficas da MSP tá aí pra mostrar que tendo coisa de qualidade nacional o público consome feliz e ainda sonha em ver filme!

Tenho interesse no livro.

Então brasileiro não admira cultura oriental, por exemplo? O que falta para que valorizemos nossa cultura é que autores e roteiristas se debrucem para contar histórias da mitologia brasileira (e nem estou falando de folclore, o que já seria algo bom). Gostamos do que vem de fora porque, apesar da distância, somos mais expostos desde cedo a produções com qualidade muito superior à produzida no Brasil. A culpa não é da população, nem da colonização, é simplesmente uma questão de exposição. Por anos as crianças se divertiram aqui com Turma da Mônica e Sítio do Pica-Pau Amarelo, ambas apresentando diversos aspectos de nosso cotidiano e de nossa cultura. Décadas se passaram e não temos nada novo nesse sentido. Pior: se existe, não conhecemos e por isso não valorizamos.

Eu curto apenas as europeias(russas ( ͡° ͜ʖ ͡°), dinamarquesas) e uísque, não dá para virar a cara. O resto que se fod...

Filhos de Anansi é muito bom!

Mitologia Nórdica é muito mainstream. O que mais gostei dele foi me ter apresentando a mitologia africana, com o seu livro Filhos de Anansi.

Melhor escritor da ATUALIDADE!

Ora, brasileiro adora qualquer coisa que vem da Europa, não têm a capacidade de ver beleza, poesia, blablabla no que é fora do mundo eurocêntrico. Mas é só uma questão de cultural de dominação mesmo.

Infelizmente, para grande maioria isso é verdade.

Avante Tupã.

Brasileiro só não valoriza o que é nacional, se fosse um livro de mitologia brasileira teríamos um monte de pastores e gente relacionada a igrejas dizendo que era coisa do diabo.

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