HQ/Livros

Aqui Dentro e Lá Fora (21 de abril de 2010)

Leo Pulp e Solanin
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Agora, as colunas AQUI DENTRO e LÁ FORA se fundem e ganham uma periodicidade semanal. Era um projeto antigo e que vai servir pra gente dar mais vazão para as coisas que saem no Brasil e manter você também atualizado sobre o que está acontecendo longe das nossas bancas.

Vamos lá?

AQUI DENTRO: LEO PULP

O QUÊ: Aventuras cômicas de um detetive na Hollywood dos anos 30, satirizando o gênero noir e com inúmeras participações especiais das celebridades da época. Minissérie em duas edições da editora Mythos.

QUEM: Os italianos Claudio Nizzi (conhecido roteirista de Tex) e Massimo Bonfatti.

POR QUÊ: Você já viu ou leu inúmeras paródias do gênero noir - dos detetives particulares em escritórios esfumaçados atendendo beldades criminosas. É fácil satirizar o gênero, mexendo em um ou outro aspecto da grande autoconfiança dos heróis para criar comédia.

Leo Pulp é mais uma destas sátiras. O detetive durão se envolve em inúmeros casos que, invariavelmente, se cruzam com as estrelas (e aspirantes a estrelas) da Hollywood dos anos 30. E, seguindo um estilo baseado mais na sorte do que na técnica, dá conta de todos (e de todas).

Essa, na verdade, é a melhor ironia da série: Pulp está sempre no lugar certo na hora certa, dando de cara com pistas, com pessoas e com assassinos sem ter que se mexer muito em termos de investigação. É uma brincadeira com as “coincidências” que assolam as narrativas pulp.

Fora essa sacada, porém, o roteiro de Nizzi fica devendo no humor - que em vários momentos parece ser infantil demais (e as histórias não são nada infantis, com bastante sexo e sangue), às vezes parecendo ser coisa de "tiozão".

Os desenhos de Bonfatti, por outro lado, são excepcionais. O estilo é totalmente cartunesco, como se nota pelo queixo e nariz de Pulp na capa. Os quadros são tão carregados de referências e piadinhas (no estilo das pequenas charges de Sergio Aragonés na Mad) que o formato reduzido da HQ não parece fazer jus.

Aliás, não faz jus mesmo. Lançadas originalmente em três álbuns na Itália, as três histórias de Leo Pulp saem aqui apertadas em duas edições formatinho - e com uma impressão com muitas falhas. Sabendo disso, e considerando o preço alto de cada edição, o material acaba valendo a pena somente se você conseguir relevar os problemas editoriais. O que é complicado.

ONDE E QUANTO: Nas bancas. Cada edição de 144 páginas custa R$ 19,90.

LÁ FORA: SOLANIN

O QUÊ e QUEM: Trabalho mais conhecido de Inio Asano, jovem mangaká, contando a história de um casal de slackers e seus amigos tentando encontrar sentido na vida pós-faculdade, possivelmente enveredando para o mundo da música.

POR QUÊ: Solanin foi publicada originalmente entre 2005 e 2006 no Japão, onde sua boa recepção levou a um filme (estrelando Aoi Miyazaki) atualmente em estágio de pré-produção. Publicada em 2008 nos EUA, a história foi indicada a prêmios Harvey e Eisner, além de ser muito bem recebida por críticos.

Solanin não é o nome do herói, e sim da música que um dos personagens principais, Taneda, compõe para sua banda. É com ela que, no momento de confusão existencial pós-universidade, ele quer começar uma carreira na música - e nos seus termos.

Solanin lembra muito Scott Pilgrim ao retratar a geração slacker - o pessoal de 20 e poucos anos que ou não trabalha ou tem um emprego medíocre enquanto tenta descobrir o que vai mesmo fazer da vida. E sem muito entusiasmo. Scott Pilgrim, porém, é uma sátira desse mundo, enquanto Solanin - embora se permita bastante humor - vê a questão com tons mais sérios. Trágicos, aliás, como demonstra um ponto de virada inesperado no meio da HQ.

O ritmo é dos mangás mais velozes, naquela narrativa ainda estranha para os leitores ocidentais. Parece que a história começa no meio e você tem que ir pegando o que já passou - enquanto nos quadrinhos ocidentais os personagens são apresentados com calma e cada acontecimento é mais detalhado. Em quadrinhos japoneses como Solanin, o autor só faz uma mudança no estilo de desenho e isso já serve para indicar novos rumos à narrativa. É um jeito diferente de ler HQ, sem dúvida, e que fecha bem com a trama e os personagens de Solanin, que passam por grandes transformações na vida também a um ritmo veloz.

Quem está divulgando Solanin nos EUA é o autor americano Brian Wood, o que é muito apropriado - ele também é conhecido por seus bons personagens de 20 e poucos anos, principalmente em Demo e Local. Se você gosta desses trabalhos - ou mesmo se está vivendo essa fase da vida -, Solanin é perfeita.

ONDE E QUANTO: A versão em inglês, da editora Viz, saiu com a história completa (originalmente em dois volumes no Japão). Custa US$ 17,99 (R$ 33)

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