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Doctor Who - 50 Anos | A Série Clássica

Conheça mais sobre os primeiros 26 anos da história e descubra os oito primeiros Senhores do Tempo
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TARDIS
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No ar há 50 anos, Doctor Who já se tornou um dos símbolos da cultura britânica, inclusive com fãs ilustres como a própria rainha da Inglaterra. A série da BBC conquistou o público de todas as idades com aventuras semanais de "um maluco com uma caixa azul". Mas como foi que tudo isso começou?

Em 1963, a BBC precisava de um programa para preencher a sua programação do sábado à noite, entre o Juke Box Jury, para adolescentes, e o programa de esportes Grandstand. A ideia era fazer algo voltado para as crianças, mas que também agradasse ao público adulto. Além disso, a BBC queria provar que não era uma emissora sisuda e que estava ligada nas últimas tendências, já que a ITV estava dominando o mercado televisivo na Grã-Bretanha.

É aí que entra em cena o canadense Sydney Newman, criador também da série The Avengers (que nada tem a ver com os heróis da Marvel), na própria ITV. Fã de ficção científica, ele foi convidado a se tornar o Chefe do Departamento de Drama da BBC e trouxe com ele sua estagiária do canal concorrente, Verity Lambert, a primeira mulher a se tornar produtora de um programa de televisão na Inglaterra.

Coube a eles desenvolver uma série com um personagem chamado Doutor que tinha uma máquina do tempo pequena por fora, mas "maior por dentro". Doctor Who era um título provisório e o programa serviria para ensinar lições de ciências e história para as crianças de uma forma divertida, mas sem durar muito mais do que poucas temporadas. Depois de muito brainstorming, a série chegou ao seu formato final, aquele apresentado em "An Unearthly Child", o primeiro episódio.

Por pouco Doctor Who não foi por água abaixo por causa de um fato inesperado: em 22 de novembro, um dia antes da estreia, o então presidente dos Estados Unidos John Kennedy foi baleado no Texas. Devido ao fato, a BBC decidiu reapresentar o primeiro episódio da série na semana seguinte, em 30 de novembro.

A série clássica de Doctor Who compreende o período de 1963 até o seu cancelamento, em 1989, além do filme de 1996. Essa época foi marcada pelas viagens do Doutor em sua TARDIS, combatendo os inimigos que conhecemos, além de Nimons, Zygons, Krotons e o Celestial Toymaker, entre muitos outros. Naquele tempo, os Senhores e Senhoras do Tempo viviam prosperamente em Gallifrey, e o Doutor levava companheiros não apenas da Terra contemporânea, mas também de outras épocas e outras galáxias, como um escocês do século XVII, uma garota gênio da matémática do futuro e até mesmo um androide!

O 1º Doutor - William Hartnell (1963-1966)

William Hartnell (1908-1975) foi escolhido por Verity Lambert, que havia assistido um filme com ele (O Pranto de Um Ídolo) e decidiu que era perfeito para o papel. Bill, como era chamado carinhosamente pelos colegas, tinha dúvidas se era a escolha certa para viver o Senhor do Tempo. No entanto, Hartnell conseguiu dar personalidade ao Doutor com as características que permanecem até hoje: a inteligência extraterrestre, a excentricidade e a omissão de seu passado obscuro.

O ator, que tinha muitos anos de experiência nos palcos e nas telas - sempre fazendo papéis de caras "durões" -, viu uma oportunidade de viver um personagem mais carismático e velhinho no Doutor. Muitas vezes apontado como rabugento, Hartnell na verdade recebia muitas cartas de crianças, que o elogiavam por sua interpretação.

Suas viagens eram acompanhadas por Susan Foreman (Carole Ann Ford), sua neta, e os professores de sua escola Ian Chesterton (William Russell) e Barbara Wright (Jacqueline Hill). Ele também foi o primeiro a enfrentar os Daleks, criados pelo roteirista Terry Nation e que viriam a se tornar os maiores vilões de toda a série. Robôs em forma de saleiro, com um desentupidor de pia e um batedor de bolos como braços e um olho que escaneia o ambiente ao redor, esses seres funcionam a partir do medo e do ódio. Suas vozes robóticas e frases imperativas conquistaram o público. O Primeiro Doutor ainda viajou com Vicki (Maureen O'Brien), Polly (Anneke Wills) e Ben (Michael Craze).

Por volta de 1965, Hartnell começou a dar sinais de piora na saúde, esquecendo suas falas (um reflexo da arteriosclerose ainda não diagnosticada) em uma época onde os rolos de filmagens eram caros. Os produtores, então, começaram a pensar em uma forma de substituí-lo. O ator veio a falecer em 1975.

Foi a partir da substituição de Hartnell que nasceu o conceito de regeneração, embora esse nome só tivesse surgido mais tarde (eles chamaram de renovação, ou renewal, no primeiro momento). Desde o início, o Doutor foi concebido como um alienígena. Portanto, nada mais natural que ele pudesse sofrer um processo que mudaria para sempre o seu corpo, mantendo as mesmas. E é aí que entra em cena...

O 2º Doutor - Patrick Troughton (1966-1969)

O processo da regeneração ocorreu pela primeira vez em 1966, quando Patrick Troughton (1920-1987) encarnou o papel de Doutor no episódio "The Tenth Planet". Seu nome foi sugerido pelo próprio Hartnell, e embora ele tenha recusado da primeira vez, acabou aceitando o papel, ainda que tivesse medo de ficar estereotipado - uma de suas primeiras ideias para o figurino era usar um turbante e muita maquiagem para ficar irreconhecível. Finalmente foi sugerido que ele se comportasse como um "cosmic hobo", ou "andarilho cósmico", inspirado em Charles Chaplin, e assim ficou.

Troughton permaneceu na série por três anos, dando início ao que ficou conhecido por "Regra de Troughton", ou seja, permanecer no máximo por três anos no papel de Doutor. Ele raramente dava entrevistas, alegando que o conhecimento dos bastidores tirava a "mágica" da coisa. Apesar de ter as memórias do primeiro Doutor, sua personalidade diferia em vários aspectos: ele era muito mais relaxado, animado e divertido, em oposição à teimosia e a rabugice de Hartnell. Acompanhado por Jamie McCrimmon (Frazer Hines), Zoe Heriot (Wendy Padbury) e pelo Brigadeiro Lethbridge-Stewart (Nicholas Courtney), que nessa época ainda era apenas Coronel, suas aventuras inauguraram mais um vilão da série, os Cybermen, além do famoso gadget que já virou marca registrada do Doutor: a chave de fenda sônica (sonic screwdriver no original).

Nessa época, a audiência da série começou a cair e o ritmo das gravações estava cada vez mais estressante para Troughton. A BBC gastava cada vez mais com os cenários, que mudavam a cada episódio. Os produtores, então, encontraram uma saída sagaz: a partir de agora, o Doutor seria exilado na Terra pelos seus compatriotas de Gallifrey.

Infelizmente, muitos episódios dessa época foram perdidos pelo fato da BBC não ter uma política de arquivamento, usando as fitas para filmar outros programas ou simplesmente destruindo por falta de espaço. Os fãs de Doctor Who conseguiram reconstruir alguns desses episódios usando apenas o áudio, gravado de forma amadora, com imagens estáticas dos episódios, o que ficou conhecido como "recon" (reconstrução). A própria emissora também fez um esforço ao conseguir algumas fitas que haviam sido distribuídas para serem televisionadas em outros países, como Austrália e Hong Kong.

O 3º Doutor - Jon Pertwee (1970-1974)

Jon Pertwee (1919-1996) é o Doutor que menos viajou na TARDIS, que estava "quebrada" após seu exílio na Terra imposto pelo Alto Conselho de Gallifrey, seu planeta natal - ainda com o intúito de cortar os custos de produção. O ator, que era o segundo da lista para possíveis Doutores sem saber, pediu para seu agente entrar em contato com a BBC e candidatá-lo ao papel. Como Ron Moody, o primeiro ator da lista, não estava interessado, Pertwee ficou com o cargo.

A primeira aventura do terceiro Doutor, "Spearhead from Space", é o primeiro arco em cores de toda a série, e apresenta o cenário da maioria de suas histórias: a UNIT, organização secreta do governo que lidava com casos "obscuros" (leia-se: alienígenas). Acompanhado pelo Brigadeiro, Liz Shaw (Caroline John) e Jo Grant (Katy Manning), ele desvendava casos na Terra usando roupas muito mais extravagantes que seus antecessores, por isso ficou conhecido como "dândi" (o hipster da época). Pertwee também tinha um companheiro bem diferente: Bessie, um carro amarelo com o qual solucionava seus mistérios, enquanto a TARDIS estava fora de cena. Sua excentricidade chegou ao ponto dele ser um mestre na técnica do "aikidô venusiano".

Após o especial The Three Doctors, os Senhores do Tempo de Gallifrey finalmente liberaram o Doutor para voltar a usar a TARDIS. Essa foi a manobra que os roteiristas usaram para que ele não ficasse tanto tempo na UNIT e pudesse viajar pelo tempo e espaço, afinal, ainda era uma série de ficção científica.

Foi ainda nessa época que surgiu Sarah Jane Smith (Elisabeth Sladen), que acompanhou também o quarto Doutor e apareceu na série moderna, com David Tennant e Billie Piper. O sucesso da personagem foi tão grande que ela ganhou seu próprio spin-off, The Sarah Jane Adventures (2007-2011). A repórter que acompanhou o Doutor agora liderava um grupo de crianças que combatia aliens que aterrorizavam Londres, junto com K-9, o cachorro-robô que era seu fiel companheiro. Infelizmente, a série foi interrompida após quatro temporadas devido à morte da atriz em 2011, por causa de um câncer.

Não menos importante foi a introdução de mais um inimigo: o Mestre (Roger Delgado), que também era um Senhor do Tempo de Gallifrey. A ideia era trazer um personagem que representasse o que Moriarty é para Sherlock Holmes. Na vida real, Delgado e Pertwee eram muito amigos, tanto que o motivo que levou o terceiro Doutor a sair de cena foi a morte de Delgado em um acidente de carro na Turquia, que afetou o ator profundamente. Em 1974, Pertwee saía de cena envenenado por uma radiação no episódio "Planet of the Spiders" ao lado de Sarah Jane (pela primeira vez o nome "regeneração" era usado oficialmente) e chegava às telas o Doutor mais famoso da série clássica: Tom Baker!

O 4º Doutor - Tom Baker (1974-1981)

O cachecol colorido de três metros e meio de comprimento e as famosas Jelly Babies são as marcas registradas de Tom Baker, o mais famoso da série clássica. Criado em plena Guerra Fria, esse seria o Doutor que conduziria rebeliões de populações escravas de planetas distantes contra seus opressores. Ele era contra o poder dominante e tinha seu toque excêntrico mas, ao mesmo tempo, era amável e doce com seus companheiros. Essa mistura foi determinante para a popularidade de Baker, que se fez notar até mesmo para o público dos Estados Unidos. Em sua época, a audiência voltou a subir, chegando a picos de 10 milhões de espectadores (imagine isso em um lugar pequeno como a Grã-Bretanha, em plena década de 1970).

Com o quarto Doutor, viajaram na TARDIS algumas das companheiras mais marcantes da série: Sarah Jane, que estava lá no momento da regeneração, e as Senhoras do Tempo Romana I (Mary Tamm) e Romana II (Lalla Ward), além de Leela (Louise Jameson), uma selvagem de Sevateem. É dessa época também um dos arcos mais marcantes de Doctor Who: "Genesis of the Daleks", que mostrava a criação dos monstros inimigos, com a introdução do personagem Davros (Michael Wisher).

Após sete anos vivendo o papel, marca que nenhum outro ator conseguiu ultrapassar, Baker começou a achar que era o Doutor na vida real. Seus problemas com a bebida pioraram e, na entrada dos anos 1980, a BBC buscou renovação para a série. O produtor Graham Williams sai de cena e entra em seu lugar um cara mais polêmico que Steven Moffat: John Nathan-Turner (1947-2002).

Turner foi o produtor que permaneceu por mais tempo na série, desde 1980 até o cancelamento, em 1989, sendo responsável pela escolha de Peter Davison, Colin Baker e Sylvester McCoy para o papel principal. Assim que entrou, Nathan-Turner quis reformular tudo aquilo que, para ele, estava errado na série. Ele temia que o público pensasse que Doctor Who estava "bobo" e engraçadinho demais e diminuiu o cachecol de Baker, amenizou as cores, deixando tudo mais opaco, tirou de cena o simpático cãozinho K-9 e destruiu a chave de fenda sônica, além de modificar a abertura da série, tanto na música-tema como na mudança do rosto de Tom Baker, que era o mesmo desde 1974.

É claro que Baker não aprovou nada disso, já que estava acostumado a mudar os roteiros dos episódios na hora das filmagens e atuar como bem entendesse. Foi então que decidiu abandonar a série, para a tristeza de sua enorme legião de fãs.

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