Love (2016- )
Séries e TV - Romance
Love (2016- )
(Love)
  • País: EUA
  • Classificação: Não definido
  • Estreia: None
  • Duração: indisponível

Love - 2ª Temporada | Crítica

Série de Judd Apatow busca amadurecimento na sua segunda temporada

Não é difícil reconhecer um filme do produtor, roteirista e diretor Judd ApatowSua mente criativa funciona dentro de uma espécie de “crônica do humor minimalista”, que sempre inclui aqueles clássicos da comédia de homenzinho: piadas bêbadas, escatologia, muitas citações a filmes de ação, games, maconha e uma espécie de reverência a tudo que é socialmente transgressor. É muito comum nas obras de Apatow, que haja um constante conflito entre os personagens “boêmios” e os personagens “responsáveis”, para que ambos, em algum momento, encontrem equilíbrio entre um lado e outro.

A primeira temporada da série Love – produzida para a Netflix – logo lembra de uma das maiores bilheterias do diretor, a comédia Ligeiramente Grávidos (2007), em que Seth Rogen Katherine Heigl vem um casal que transa casualmente e acaba surpreendido pela inesperada gravidez dela. É como se Love invertesse as polaridades e ao invés do “menino-problema” com “garota-responsável”, tivéssemos o oposto disso. A turma de Rogen no longa de 2007 tem seus viciados em cinema e em maconha vivendo sem lenço e sem documento, enquanto a personagem de Heigl aparece como uma mulher muito mais preocupada com o futuro. Love, nas devidas proporções, repete parte dessa dinâmica.

É como se Apatow quisesse sempre recortar em duas partes distintas a natureza do americano caucasiano regular. Em algum ponto da vida eles conhecem a “rebeldia”, o desafio ao “sistema”, apenas para que mais para frente, percebam que amadurecer é preciso para que a vida não seja uma constante frustração. Seus personagens estão sempre na zona confortável dos conflitos existenciais dos brancos, heterossexuais e de classe média, com pais ou amigos que sempre podem vir ao socorro dos que ainda não conseguiram um emprego aos 30. Trata-se sempre de um retrato de uma juventude – ou do fim de uma suposta juventude – que resolve seu tédio com sexo e entorpecentes, até que a necessidade de crescer bata na porta.

Love Me

Love faz pensar que Judd anda numa busca pelo entendimento do que é o amor, essencialmente. Casado com a atriz Leslie Mann, o diretor provavelmente se viu seduzido pela ideia de colocar sua identidade criativa por uma perspectiva romântica que geralmente não se revela sem cinismo em seus filmes. Love tem esse título já com uma certa ironia, mas a “história de amor” entre Gus (Paul Rust, também roteirista e cocriador) e Mickey (Gillian Jacobs) não é diferente de nenhuma outra proposta pela obra do seu criador. As dinâmicas entre o “transgressor” e o “comportado” são seu carro-chefe na maioria dos casos e por estarmos falando de uma série de TV, o tempo para se contar uma história com essas perspectivas é que lança sob esse legado uma expectativa diferente.

A história é a mais simples: Gus e Mickey se conhecem por acaso e mesmo que ele seja um nerd e ela uma “porra-louca”, os dois se apaixonam. Porém, vivendo nesse mundo onde para ser cool você precisa ser cínico, eles rejeitam estabelecer títulos ou declarações que os aproxime da ideia de monogamia burguesa. A primeira temporada é cheia do estilo Apatow de ser, com Gus e seus amigos estranhos que fumam maconha o tempo todo em meio a diálogos quase herméticos (se não fosse pelas boas e constantes referências pop) e Mickey entorpecida olhando para o mundo com tédio, se autodestruindo. As mesmas piadas se repetem constantemente e a sensação que fica é de que estamos vendo o mesmo longa-metragem de sempre, dividido em 10 capítulos.

A segunda temporada, contudo, começa a desenhar um planejamento que vai além da simples piada recorrente. Os roteiros privilegiam um panorama mais completo dos protagonistas e incutir neles um vislumbre de autocrítica: embora a autodestruição de Mickey seja mais evidente por causa das drogas e tudo mais, Gus também tem seus demônios emocionais que o tornam perigosamente condescendente. É aquela velha história do “artista de classe média”, que acha que tudo que é tradicional é entediante ou ridículo. A base do primeiro ano foi estabelecer isso e a base do segundo foi perguntar-se de verdade se algumas das convenções de uma relação não acabam existindo a favor dela.

Tudo o núcleo do trabalho de Gus (na série de TV Wichita) - que ajudou muito o primeiro ano a sair do lugar comum - perdeu força nessa segunda temporada, o que foi uma perda sentida e lamentada. Mas, apesar de ainda fazer episódios inteiros sobre os diálogos entre os protagonistas, os roteiros investiram mais em construção de tensão, evitando quebras de expectativas ao obrigar-se a fazer piadas urgentes. Apatow se preocupou mais em construir uma dramaturgia em torno de sua proposta e isso se refletiu na condução da trama. Gus e Mickey começam a admitir aos poucos que para se ferirem menos, precisam admitir o estabelecimento de alguns “rótulos”. Mesmo para o cinismo de Apatow, tradições são necessárias à preservação do romance e da sanidade.

No meio de tudo isso, aqueles coadjuvantes excêntricos e irresponsáveis de sempre, um pouco de crítica à indústria cinematográfica-televisiva (e ao usar a própria filha para viver a estrela teen da série Wichita, Apatow reforça isso), formas estranhas de homenagear o cinema e uma boa trilha sonora. Love não vai revolucionar a TV, mas sua lição de amadurecimento é relevante. Nem toda transgressão é liberdade e nem todo sentimentalismo é burro. Às vezes a paz vem justamente da admissão de que amar é querer para si, só para si, mesmo que por pouco tempo. 

Nota do crítico (Bom) críticas de Séries e TV
 

Gostei muito dessa crítica, me proporcionou a uma reflexão e novos entendimentos sobre a série. Excelente! Achei que a melhor proposta do texto foi "Nem toda transgressão é liberdade e nem todo sentimentalismo é burro."

Tái uma série pra você ver em vez de Punho de Ferro e Jessica Jones. E ainda faz ocê rir algumas vezes.

Gosto da série, ela é bem melosa, mas pra quem curte comédia romantica eu recomendo. Apesar de que o final da segunda temporada os diversos acontecimentos me deixou na bad e ao mesmo tempo me contradizendo, mas nada que não possa me recuperar na 3 temporada e na vida rsrs

Faz sentindo, mas creio que na metade da terceira ele irá saber e a outra metade será o embate com ela, o que sempre esquenta a serie.

Eu, tenho uma intuição que vai ser logo no começo da próxima temporada que ele irá descobrir sobre o que ocorreu enquanto ele estava fora...

Legal cara, pelo que vi do final da segunda, acredito que já devem ter confirmado a quarta! rsrsr( to querendo dizer que eles fizeram essa temporada já pensando em no mínimo a quarta. Vê se concorda, a terceira vai ser metade ele sendo enganado e a outra metade ele esculachando ela? e a quarta seria o desfeche? mas é claro, se quisermos ela pode se estendida até a 22 temporada, basta ter público, isso significa patrocionador, que significa dinheiro.)

Já foi confirmada a terceira antes do lançamento da segunda. :)

muito subjetivo custava dizer: é legal é divertido ou é um porre o cara fala "relacionamento monogamico burgues" "heterosexuais de classe média" esquerdizou pra caramba só faltou falar mal do trump

kkkkkkkkkkkkkk não sei se tu falou do meu comentário, mas achei engraçado a ideia de um materialismo pop e escroto!!!!

o materialismo histórico pop tá escroto demais.

Concordo 100%

Analiso apenas os personagens protagonistas. Amei a primeira temporada, ousou em muitos aspectos para fugir dos entediantes clichês das comédias românticas. Contudo, acho que pecaram muito no final da segunda temporada e isso vai refletir diretamente em uma terceira( ou não) temporada. Estavam desenvolvendo muito bem ambos personagens protagonistas, quesito evolução de aspectos da personalidade nota 10. Minha crítica é não terem aplicado o princípio do equilíbrio ou homeostático ainda no fim dessa temporada, a meu ver erro grave, pois quem paga o salário no fim é sempre o fã. Os personagens se desenvolviam com uma certa simetria, o que nos deixava com os cabelos em pé, torcendo por eles e pelo amor deles, até o momento que fizeram de Gus um babaca, a ponto de ser enganado pastelanicamente. O final dele sendo enganado quase como os trapalhões foi deplorável para toda construção do personagem que até ali se desenvolvia. Sinto que o(s) roteirista()s coloca sua(s) história em cena, sua experiencia amorosa em jogo. O protagonista, Judd Apatow e sua esposa... Enfim, o triste erro foi não ter dado a dignidade que o personagem de Gus merecia ainda no final da segunda temporada. Não estou legislando sobre a moral de uma traição ou não, só estou dizendo o que o grande público deseja e, talvez, todos: Amor. E Gus levou uma bola nas costas(literalmente) muito feia. É muito Provável( ou não né!) que a harmonia se reinstale na terceira temporada, com Gus descobrindo a traição e Mickey comendo o pão que o diabo amassou, mas é fato que o carisma pelos personagens diminuiu ao final da segunda temporada e que a ansiedade por ver a terceira seja muito menor que a de que foi ver a segunda. Avaliação primeira temporada 9/10 Segunda 8/10

Esse povo só curte série/filme/quadrinho, etc., se for estrelados por minorias, em especial se for pra retratar o quanto elas sofrem. Se tiver um ator branco e homem no elenco, e ele não for vilão ou um babaca, já era, a crítica negativa vem com força.

tá dificil. pleno seculo XXI e a imprensa ainda é preconceituosa e racista.

"Seus personagens estão sempre na zona confortável dos conflitos existenciais dos brancos, heterossexuais e de classe média" aaaaaaa esse omelete

Sim, só estou referindo que a visão predominante não é dele, mas dos outros criadores/executivos.

Ele escreve a série.

Boa Omeleft, depois da golpeada democracia brasileira e o demoníaco Trump, nunca é demais também reafirmar de tempos em tempos os infames "conflitos existenciais dos brancos, heterossexuais e de classe média"! ;)

A crítica está muito boa, exceção ao discurso sobre "classe" e "burguesia". Até se pode contextualizar nesse sentido, porque a série trata de temas correlacionados - emprego, família - mas é um mero pano de fundo sem importância para o que efetivamente seja a pretensão da série. Na minha visão ela trata de personagens com problemas, a maioria mundanos, e de como é difícil concatenar as peças para que os relacionamentos tenham êxito. Não se pode categorizar, conceituar ou definir sobre o que seja a série ou sobre quem são os personagens, pois eles mudam - e não necessariamente para melhor - e nisso está a comédia minimalista muito bem referida na crítica.. E não acho que seja uma série de Apatow, assim como Girls não o é. Ele é só o meio para que ela se realize, claro, com influência, mas não tão perceptível assim. É uma boa série. E Gillian Jacobs vale a pena.

Em alguns pontos gostei mais dessa temporada do que da primeira, acho que nesse segundo ano a série ficou mais sensível, o casal de protagonistas que era um pouco exageradamente desfuncional na primeira temporada agora funciona melhor, o episódio 5 é o melhor episódio da série, ao focar apenas na relação dos dois, em ambos se apaixonando, sem conflitos. Conflitos que talvez sejam o maior problema da série, que inúmeras vezes acaba desenvolvendo-os de maneira apressada, alguns problemas na relação dos dois são colocados do nada, por motivos exageradamente bestas, tudo sai da mais perfeita maravilha ao caos de maneira muito rápida, sem muito desenvolvimento e construção. Também achei o episódio final da segunda temporada meio chato, ela fugindo do ex sem que o Gus percebesse foi bem clichê. Vi muita gente reclamando que o Gus na primeira temporada não fazia bem o papel de cara legal, nesse ano acho que isso funcionou melhor. Love é uma ótima série, com momentos fantástico e alguns problemas que atrapalham um pouco a experiencia, mas ainda vale muito a pena.

Discuta aqui no site Discuta aqui

O Omelete disponibiliza este espaço para comentários e discussões dos temas apresentados no site. Por favor respeite e siga nossas regras para participar. Partilhe sua opinião de forma honesta, responsável e educada. Respeite a opinião dos demais. E, por favor, nos auxilie na moderação ao denunciar conteúdo ofensivo e que deveria ser removido por violar estas normas.

Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.

blog comments powered by Disqus