True Detective
Séries e TV - Drama
True Detective (2014)
(True Detective)
  • País: US
  • Classificação: livre
  • Estreia: 12 de Janeiro de 2014
  • Duração: 60 min.

True Detective - 1ª Temporada | Crítica

Don Quixote, contos de fada e egomania na Louisiana

Com tantas formas humanas e animais desenhados nas paredes, tantas indústrias no horizonte e salgueiros-chorões no pântano - figuras todas de uma paisagem deformada, que dão a True Detective seu tom de fantasia disforme e fatalista - não é de espantar que a primeira temporada tenha terminado como terminou. Tem mais Irmãos Grimm na Louisiana pós-Katrina de True Detective, com seus cenários assombrados por fantasmas recentes, do que na própria série de TV Grimm.

Desde os créditos iniciais, que sobrepunham as locações da série com os rostos dos protagonistas, já estava claro que True Detective seria o tipo de narrativa que faz de lugares personagens. Embora o nome do criador e roteirista Nic Pizzolatto tenha sido incensado, não foi uma temporada que funcionasse sob uma lógica de roteiro (o final pode desapontar quem coleciona pistas à espera de uma reviravolta) e sim sob uma lógica de mise en scène. A presença do cineasta Cary Fukunaga, diretor de todos os oito episódios do ano um, deu à temporada uma unidade estética que terminou definindo o projeto.

Dentro dessa lógica, na investigação de Marty (Woody Harrelson) e Rust (Matthew McConaughey) em True Detective 1 (como é uma série de antologia, a segunda temporada terá outras histórias, mais diretores, outros personagens, talvez outra proposta), o que vimos pelo caminho não foram exatamente pistas, mas sugestões visuais - que uma montagem de algumas paisagens no season finale inclusive faz questão de recapitular. O acampamento das prostitutas, o bar de strippers, a igreja queimada, a escola vazia; tudo aqui é encenado para emular um abandono.

Em filmes como Jane Eyre, Fukunaga já demonstrava uma predileção por criar atmosferas que fossem capazes de traduzir o estado de espírito dos personagens. Quando espectadores notam um suposto chauvinismo em True Detective, na verdade estão identificando o tema principal da temporada: o mal que se faz a mulheres no ocaso dos homens. No universo da série, a passagem do furacão Katrina pela Louisiana permitiu esse ocaso; na mente de Rust, é só a velha luta do bem contra o mal, da luz contra a escuridão.

Uma vez que estamos diante de uma configuração bem maniqueísta das coisas - o maniqueísmo, ademais, é próprio dos contos-de-fada que a série evoca - então parece natural que True Detective tenha uma visão um tanto romanceada e mesmo esotérica do que significa ser um Verdadeiro Detetive. Foi uma temporada ortodoxa no que se refere aos arcos dos protagonistas (os workaholics Rust e Marty falham dentro de casa e procuram a boa e velha redenção) mas, acima disso, foi uma temporada de arquétipos mais antigos: Rust como o cavaleiro quixotesco e Marty como seu escudeiro trapalhão, combatendo homens gigantes, tendo que lidar com a maldição da profissão que escolheram. "Maldição", aliás, esse termo do mundo das fantasias, é mesmo usado por Rust no episódio cinco, quando ele se refere à vida que leva.

Ao contrário de Don Quixote, porém, que fazia de si mesmo e do mundo uma imagem exagerada que não correspondia à realidade, a série adere à visão de mundo egomaníaca de Rust. Seus "superpoderes" são reais: da capacidade de "ler mentes", passando pelas visões à noite, a um domínio quase cômico da retórica. Por consequência, os tortos galhos secos da floresta mal assombrada de True Detective, que insistem em se espalhar pela Louisiana como uma natureza que reclama seu lugar, como vudu, são de fato a representação do mal a ser combatido (dentro da lógica de símbolos que Fukunaga impõe à série) e não apenas projeções quixotescas sobre moinhos de vento.

O crítico Harold Bloom acredita que Miguel de Cervantes criou um marco do niilismo e da anarquia quando escreveu Don Quixote, e no fundo talvez o flerte com o niilismo em True Detective seja a principal pista falsa jogada ao espectador. É com a missão nada cínica de remediar o abandono e restabelecer a ordem das coisas que Rust e Marty entram em sua aventura metafísica. Não faltam momentos de antiheroísmo nesta temporada, mas é justamente do avesso da anarquia que a série trata. Estamos, afinal, no mundo ancestral do mal puro, de supostos reis, das princesas indefesas e do sacrifício de heróis - um mundo imutável de precisas idealizações.

Se todos são culpados, como a certa altura diz um personagem, então o castigo de cada um é carregar o papel que lhe cabe.

Nota do crítico (Ótimo) críticas de Séries e TV
 

A qualidade dessa primeira temporada é inquestionável. Uma das melhores temporadas que vi nos últimos tempos. Sei que se trata de uma antologia, mas com tanto a explorar sobre o universo de Chambers e o "Rei Amarelo", além da própria mitologia que a série constrói muito bem nesses 8 episódios, daria facilmente para investir em outra temporada seguindo a história de Rust e Hart. Uma pena que pelo que parece, a segunda temporada não chega nem perto da qualidade da primeira.

Mudou de 2 estrelas pra 4 devido a pressão neh? para de tentar ser inteligente, Hessel vc é uma piada...

Qualquer nota menor que 5 de 5 é uma heresia para essa temporada...

O que falar da critica de alguém que só da notas altas para filmes de super herói. A série é excelente.

Achei estranho ninguém falar sobre o tal "Rei" que é citado durante a série. Sem falar que a fotografia é toda amarelada, justamente por causa desse tal Rei e uma tal cidade chamada Cracóvia. Robert W. Chambers é o autor do livro "O Rei de Amarelo", em que a série faz clara alusão. Vale uma pesquisada. A propósito, só consegui fazer essa ligação, porque estava lendo o livro justamente na época em que estava assistindo a série.

Meu deus, que crítica ridícula, sem mais! A coisa foi tão feia que de 2 "ovos" que esse rapaz deu, o pessoal do site mudou para 4 de 5 possíveis depois. Me recuso a acompanhar mais algum comentário deste cidadão.

http://www.planocritico.com/critica-true-detective-1a-temporada/ gosto muito de ler criticas nesse site aqui

Poxa Hessel, merecia pelo menos 4 ovos... Acabei de terminar o oitavo episódio e mano que série! Tecnicamente eu não manjo nada, mas como leigo achei ótima. A série trata sim de dois investigadores lutando contra gigantes, como Dom Quixote, mas também sobre laços de amor, sobre família, além de muita tensão... pra mim o Rust como infiltrado foi do cara..* ..... E no final o niilista-mor emocionado é muito bonita... enfim... tem muita coisa pra se ver nessa produção simplesmente fantástica.

Um absurdo dar 2 estrelas pra uma série do nível de True Detective. Lamentável Hessel. Até tento entender seu ponto de vista em certas críticas, mas depois de uma dessas não dá. Lembrou as 3 estrelas pra Inception.

Não houve crítica, nem nenhum tipo de resenha. Hessel começou bem e terminou tentando divagar por conceitos abstratos de maneira vaga. "Mas é justamente do avesso da anarquia que a série trata." Pqp! De onde tirou isso? Qual o mote anti-anárquico presente ali? Gosto muito do site, porém tenho que dizer que, independente de concordar ou discordar, este texto não atendeu ao que se propôs.

E o Hessel forçando a barra novamente com essas críticas vazias. O cara até tenta, mas nunca acerta. Tá de parabéns amigão um dia você consegue escrever uma crítica que preste. Um beijo na alma!

Sabe quando a pessoa se esforça para parecer inteligente??? Assim são as críticas do tonto do Marcelo Hessel! Primeiro que em uma crítica onde o público é geral, e não um público especializado, o crítico deve ser o mais objetivo e claro possível. Segundo, fazer diversas referências a diretores, livros, filmes etc., vincunlando-os à série objeto da crítica, deixa aquelas pessoas que não conhecem tais diretores, livros ou filmes sem entender muita coisa. Por exemplo, logo no primeiro parágrafo temos "Tem mais Irmãos Grimm na Louisiana pós-Katrina de True Detective, com seus cenários assombrados por fantasmas recentes, do que na própria série de TV Grimm."!! Quem não viu/leu/pesquisou a respeito fica sem entender nada!! E é assim durante toda a crítica. Com todo respeito, mas é o típo de crítica burra, onde o crítico parece que fez a crítica para ele mesmo! Olha aí uma crítica bem mais gostosa de ler: http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-105735/ Outra crítica boa: http://www.estantenerd.com/2014/06/critica-true-detective-1-temporada.html Tudo o que eu falei serveria também se o tonto do Hessel tivesse elogiado a série!

Realmente uma aventura acompanhar a temporada inicial de True Detective, os personagens são bastante bem construídos e a história tem começo, meio e fim, ao contrário por ex de bombas como Under The Dome onde a audiência dita o rumo da história. Monaghan está ótima como a esposa e só faltou explicar por que Cohle se afastou da namorada médica. Em tempo, o que era aquele buraco negro na sequência final do assassino?

Concordo em partes com a visão da crítica, porém, acho que o interessante da série não são os crimes em si ou a forma de solução, mas a natureza humana diante aos interesses, diversidades filosófica e a própria lógica que uma região pode provocar, seja no modo de vida ou nas crendices. Um componente que deve ser mencionado é a trilha sonora, um blues bem raiz e denso que às vezes é difícil de assimilar. Mas gostei da análise. Parabéns pela ótima crítica.

Essa crítica foi tão boa quanto tentar julgar um peixe por não ser bom em voar.

Ótima critica.

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