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Star Wars

Em maio de 1977 chegava aos cinemas dos EUA Star Wars, primeiro filme de uma franquia bilionária nos cinemas que rendeu ao seu criador, George Lucas, enorme prestígio e um império em produtos licenciados. Desde o início, mais que uma visão criativa de um universo conciso e povoado por estranhos e fascinantes seres, o cineasta prezou por uma abordagem diferente da comercialização do filme - conseguindo ficar com os direitos sobre merchandising de sua obra, o que o tornou um dos homens mais poderosos da indústria do entretenimento -, decretando a morte da Velha Hollywood e seu formato vigente de negócios.

George Lucas frequentou a University of Southern California, onde ficou amigo de outro sonhador, Francis Ford Coppola, e começou a ganhar pequenos prêmios com seus curtas. Depois, aceitou um estágio na Warner Brothers e convenceu a empresa, auxiliado por Coppola, a assinar um contrato para que o estagiário transformasse seu curta THX em um longa-metragem. Mas a Warner odiou o resultado, exigindo que o dinheiro investido fosse devolvido e retalhando o filme para lançamento nos cinemas. Seu próximo projeto, também bastante cortado foi Loucura de Verão (American Graffiti), comédia ambientada na década de 1950. Sucesso de público, o longa deu certo fôlego para que o cineasta tirasse do papel seu mais ambicioso projeto, uma ópera espacial inspirada nos seriados cinematográficos de Flash Gordon e Buck Rogers, Star Wars.

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O roteiro era imenso, inspirado pelas aulas do historiador Joseph Campbell, e Lucas optou por cortá-lo em três pedaços e realizar apenas o primeiro ato. Mas vender o projeto foi ainda mais difícil já que a ideia do filme era completamente equivocada para uma época em que filmes de guerra estavam em baixa, a ficção científica era considerada o pior gênero do momento e filmes para crianças - que seriam o principal público de Star Wars - não despertavam qualquer interesse nos executivos de Hollywood. De cara, a Universal e a Warner recusaram o filme, assim como a Fox teria feito, não fosse a intervenção de Alan Ladd Jr., chefe de recursos criativos da empresa, que apaixonou-se pela visão de Lucas (devidamente ilustrada pelas artes conceituais de John Barry) e convenceu a diretoria do estúdio a investir no filme. Os termos do acordo fizeram história: Lucas ficou com os direitos para uma sequência (que ninguém acreditava que aconteceria) e também garantiu a propriedade de todo o merchandising que poderia ser derivado de sua criação.

Com 8 milhões de dólares em mãos, Lucas começou o hercúleo trabalho de inventar o que não tinha condições de ser inventado. Com a crise dos filmes de ficção científica, todos os estúdios de efeitos especiais tinham falido e os departamentos das grandes empresas haviam sido fechados. Sem ter para quem apelar, o cineasta reuniu um time de talentos e criou seu próprio estúdio: a ILM - Industrial Light And Magic, hoje sinônimo de inacreditáveis efeitos visuais.

A produção esbarrou em todos os problemas possíveis - estúdio descontente com o elenco, tempestades de areia na Tunísia, atrasos nas filmagens, calor insuportável e cenários e figurinos que não funcionavam direito. O orçamento foi estourado e a Fox ameaçava cancelar toda a produção. Também não ajudava o fato de boa parte da equipe achar tudo aquilo que estava sendo rodado era totalmente ridículo.

Finalmente, no dia 25 de maio de 1977, Star Wars (ainda sem o subtítulo Uma Nova Esperança) entrou em cartaz em apenas 32 cinemas nos Estados Unidos. O sucesso foi estrondoso. Todas as salas tiveram recordes de público, apesar da Fox não ter feito grandes investimentos em publicidade para o filme. A inteligente divulgação de Star Wars foi gerada pela própria Lucasfilm, que conseguiu convencer a editora Del Rey a lançar uma novelização oficial do filme quase seis meses antes de seu lançamento. O livro vendeu impressionantes 500 mil cópias, que criaram grande expectativa entre os compradores para o filme.  Em apenas cinco semanas, Star Wars recuperou o investimento inicial, abrindo caminho para as continuações e garantindo 10 indicações ao Oscar 1978. Os icônicos personagens também despertaram o interesse do público em adquirir colecionáveis, bonequinhos e outros produtos, iniciando em escala os licenciamentos de merchandising que Lucas anteviu em seu contrato com a Fox. Aliviado, o diretor pôde começar a preparar os outros dois filmes de sua saga, agora totalmente financiados por um banco, sem qualquer intervenção do estúdio. Era uma época nova em Hollywood, com um cineasta tendo total controle sobre a sua criação.

Em 2012, depois de seis filmes, séries animadas e inúmeros produtos licenciados, George Lucas vendeu a LucasFilm para a The Walt Disney Company - leia mais. O negócio de US$ 4,06 bilhões inicia uma nova etapa da franquia, com a promessa um filme por ano, começando com O Despertar da Força, parques temáticos e muito mais.


Confira a série de artigos que relembra cada aspecto da saga:

 

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