Caça aos Gângsteres | Omelete Entrevista Ruben Fleischer

Diretor fala sobre o trabalho com os atores

Diretamente de Hollywood, nosso correspondente conversou com Ruben Fleischer, diretor de Caça aos Gângsteres (Gangster Squad). Ele falou sobre as filmagens do filme, a possibilidade de ocorrer Zumbilândia 2 e se há a possibilidade de dirigir o filme sobre Spy Hunter.

 

Como você está hoje?

Ruben Fleischer: Ótimo. Muito obrigado pelo seu tempo.

Por favor, está brincando? Para mim, não tem problema algum. Então, como têm sido as últimas semanas para você? Porque, obviamente, você tem uma enorme... Você está fazendo um filme e, de repente, eles falam: "Tudo bem, agora você vai falar todos os dias por um bom tempo."

RF: Eu gosto. Eu amo o filme, então fico feliz em falar sobre isso. É um filme que tenho muito orgulho. Eu acho que é uma visão muito divertida do gênero de gângster.

Isto é uma coisa interessante para você, porque você gravou "Zumbilândia" em Atlanta... "30 Minutos ou Menos" foi em Detroit.

RF: Grand Rapids, sim.

Certo. E, agora, este filme foi feito aqui em Los Angeles. Estou definitivamente curioso, para você, como foi filmar aqui em Los Angeles, depois de filmar em outros lugares?

RF: É ótimo. O que é ótimo em filmar em Los Angeles é que as melhores equipes moram em Los Angeles. Então, muitos estavam muito empolgados para fazer um filme aqui, do que ir para Luisiana, ou algo assim. Então, temos uma ótima história, se passa em Los Angeles em 1949 e se passa em locações lindas, mas nós tínhamos a melhor equipe que já pude esperar, porque as pessoas preferem ficar em casa e ficar com a família, do que viajar. Então, para qualquer posição, tínhamos a melhor pessoa possível. E isso também vale para o elenco coadjuvante. Com os atores principais, basicamente, se você está fazendo um filme em Atlanta ou Michigan, ou qualquer lugar que seja, os atores principais vão vir para estar no filme, mas muito do elenco coadjuvante, você seleciona no local. E, não estou dizendo que Grand Rapids não tem o talento de Los Angeles, mas... Bom, não tem o talento que há em Los Angeles. Então, muito do elenco coadjuvante, quando não podíamos trazer uma pessoa para o local... Aqui, nós temos pessoas como Jack McGee e Jon Polito e esses ótimos atores de tipos que eu sempre amei, que estão lá somente por um dia, mas eles arrasam e são ótimos. Em um filme que estivéssemos filmando em alguma locação provavelmente não teríamos o talento que tivemos. E nós temos 65 papéis que falam neste filme, então é muita gente. E todo mundo, como Josh Pence, um ator novato, que interpreta o motorista de Nick Nolte, Darryl Gates, e é fantástico. Simplesmente há... Quando o filme começa, eles irão para onde o filme os levar, mas foi o elenco coadjuvante e a equipe que realmente nos beneficiou por filmarmos em Los Angeles. Falando do elenco coadjuvante e o elenco inteiro.

Para você, este é um filme grande da Warner Bros. Você me entende. Como foi, para você, construir isso? Você ficava se duvidando, pensando: "Eu não acredito que estou fazendo isso e com este elenco"?

RF: Sim. A coisa louca sobre este negócio é... Eu fiz o meu primeiro filme há três anos. E, naquela época, eu tive tanta sorte de conseguir "Zumbilândia". Eu não conseguia nem um comercial da Nike naquela época. E três anos e meio depois eu estou fazendo um filme com Sean Penn, Ryan Gosling e Josh Brolin. Vai além de qualquer sonho meu e durante o processo parecia bom demais para ser verdade. Foi uma experiência incrível.

Eu já conversei com muitos atores e eu aprendi muito sobre como funciona a produção de filmes, e eu sei que alguns atores gostam de ser dirigidos de uma forma específica. Outros atores gostam de ser dirigidos... Você me entende. Como foi quando se tem tantos atores participando do filme? Você fez uma pesquisa sobre cada um para saber o que eles gostam e não gostam? Ou você meio que entrou e foi...? Nos primeiros dias, você foi aos poucos, tendo certeza... Você me entende?

RF: Sim. Especialmente com o esquadrão. Nós temos seis machos alfas e todos deveriam estar em seus próprios filmes. Ryan Gosling, Josh Brolin, Anthony Mackie, Michael Peña, Giovanni Ribisi e Robert Patrick é um conjunto formidável. E cada um deles tem o seu ritmo. Josh é o tipo de cara em que ele pode estar zoando com tudo mundo bem antes de filmar, mas quando você diz: "Ação", ele entra no personagem. Ele não precisa incorporar tanto, enquanto Ryan gosta de estar no clima do personagem... entre as tomadas, e se concentra melhor desta maneira. Então, cada um tem o seu ritmo e realmente foi um processo de aprendizagem para tentar entender como tudo funciona. Mas eu acho que tudo funcionou muito bem e o que é bom é a química entre esses caras, foi muito divertido. Realmente parece com um esquadrão e a sua unidade em trabalhar juntos. E eles são muito divertidos de assistir.

Fale um pouco sobre quando você deu o roteiro para os atores e sobre o que vemos na tela no final. Quanto o roteiro mudou durante a filmagem? Se mudou.

RF: Bom... Há a coisa óbvia que é: nós tivemos que mudar uma sequência devido a algo fora do nosso controle. Em que tínhamos... Nós tínhamos uma cena climática... Não climática, era uma emboscada que se passava no Chinese Theatre e nós tivemos que refilmar isso, porque foi perto do tiroteio em Aurora, Colorado. Então, nossa data de estreia foi adiada e refilmamos aquela sequência... por respeito às famílias das vítimas que sofreram nesta tragédia. E nós filmamos uma nova cena em Chinatown que eu acho que funciona muito bem. Falando de outras cenas, nós só refilmamos mais uma cena. Havia uma cena... E eu fico muito orgulhoso, porque a maioria dos filmes tem semanas de refilmagens e nós tivemos um dia. Então, estou orgulhoso deste fato. Tirando aquela cena do tiroteio. E, então, o roteiro não mudou muito. Atores sempre fazendo anotações sobre personagens e outras coisas... que nós colocamos no roteiro. Nós trabalhamos... Sean tinha muitas ideias que nós incorporamos. Josh Brolin e Ryan Gosling. E, depois... Mas, nas filmagens, não mudou muito. A única coisa é que há muitas cenas que estavam no roteiro que não estão na versão final do filme.

Mike Mitchell, artista plástico. Você conhece.

RF: Sim.

Eu sou fã da arte dele e eu sigo ele no twitter, facebook e outras coisas. E ele falou que uma das suas sequências preferidas do filme era a do Chinese Theatre, e ele ficou tão triste que foi cortada. A questão é: esta cena vai ser vista algum dia? Ou se foi para sempre?

RF: Eu espero que vejam. Não é minha decisão. Eu sei que a Warner é muito sensível em relação a isso. Então, talvez com o tempo isto mude, mas... Sim, era uma ótima cena... de que todos tínhamos orgulho, mas, eu vou ser honesto com você e eu não acho que Mike viu a versão final da cena, mas a nova sequência é melhor. E eu posso dizer isso honestamente. E muitas pessoas falaram o mesmo. Como pessoas que viram as duas versões. Alguém... Um amigo meu me falou que a cena em Chinatown é a sua preferida, na verdade. Então, eu não acho que o filme sofreu com isso. Isto foi ótimo e foi incrível que fomos o primeiro filme a filmar dentro do Chinese Theatre supostamente desde os anos 70. E simplesmente podermos fechar Hollywood Boulevard por duas noites, e há tantas histórias neste lugar. E, para mim, isto é igual a uma igreja para amantes de cinema. Você vai lá idolatrar filmes, então foi muito especial para cada um do elenco e da equipe enquanto estávamos lá.

Eu estou curioso... O tamanho da sequência do Chinese Theatre é a mesmo que a sequência de Chinatown? É igual? Tipo oito ou cinco minutos?

RF: Não. É em torno de dois minutos e meio ou três minutos. Não é longa. É uma emboscada, se passa no final do segundo ato e é quando Mickey vira o jogo. E... Você viu o filme ou...?

Não.

RF: Então, dura dois minutos e meio.  A diferença é: a outra versão tinha menos suspense e mais ação e esta versão brinca um pouco mais com mistério, como você não sabe de onde que ele vai surgir, o que vai acontecer. E eu acho que a versão nova, dentro do ritmo do filme é melhor. E esta é uma das vantagens de se já ter uma versão final. Então, se vamos mudar, como fazermos melhor. E nós pudemos fazer um pouco de "engenharia reversa", porque sabíamos... Foi como um pedaço de metal, nós simplesmente tiramos um pedaço e colocamos outro no lugar. Foi isso.

Fale um pouco sobre o processo de colaboração com os atores, antes de filmar e quando se está no set. Você escutava as pessoas antes de começar a filmar? Você me entende?

RF: Sim. Sean Penn é o melhor para colaborar, não só porque ele é um dos melhores atores do mundo, mas ele também é um ótimo diretor. Então, ele realmente tem uma perspectiva. Eu acho que consegui me beneficiar disso. Ele é tão inteligente. Se você pensar nos diretores com quem ele trabalhou, ele trabalhou com os melhores. Então, ele pôde realmente me ajudar de uma forma colaborativa. Ele tinha anotações no roteiro. Durante as filmagens, ele faria quantas tomadas fossem necessárias para conseguirmos o que queríamos. Ele improvisou em vários momentos no filme, que estão na versão final e que fiquei muito feliz. E ele ajuda muito. Ele é o melhor. Ele ainda veio nos visitar durante a edição e nos ajudou muito com um feedback, em relação a moldar o filme para a versão final.

Película versus digital e por quê?

RF: Eu definitivamente sou fã de digital. Eu acho que parece tão bom, senão melhor, que filme. E eu gosto muito, quando estou filmando, poder ver em uma ótima resolução como será o filme. Esta é a maior diferença para mim. Quando você está filmando em película, você vê em uma televisão pequena, com uma imagem bem ruim. E com digital, você vê em uma linda TV plana, uma versão do que você vai ver em HD, então se está em foco, ou a cor, a luz ou qualquer coisa. Tudo está na sua frente. E também... E cresci filmando em vídeo. Eu nunca tive orçamento, quando eu estava começando, para filmar em película. Eu sempre tinha a minha câmera mini DV plugada em uma TV. Então, estou acostumado a ver como será o filme, todo o tempo. Em "30 Minutos ou Menos", nós filmamos em película e foi uma tortura para mim.

Nós podemos finalmente desistir de "Zumbilândia 2"?

RF: Eu odeio dizer isso, mas não temos planos imediatos para fazer o filme. Não há roteiro. Realmente. Então, a possibilidade dele acontecer... é pequena, mas eu não quero desistir disso.

Você acha que o estúdio... É a minha última pergunta sobre "Zumbilândia", mas você acha que o estúdio, com o sucesso de "The Walking Dead", está mais inclinado a dizer: "Nós temos uma franquia que funciona. Talvez devêssemos mesmo estar fazendo algo com isso."

RF: Eu acho que o estúdio estaria muito empolgado para fazer. Não é que o estúdio não está empolgado, é que tentamos com um roteiro, não foi algo que nos empolgou. Pessoalmente, eu estava empolgado para fazer filmes diferentes. Não simplesmente para voltar para aquele mundo de novo. Mas agora que eu me distanciei um pouco e eu fiz outras coisas, eu estaria mais inclinado para voltar para "Zumbilândia", você poderia dizer. Mas, na época, quando estávamos conversando sobre a sequência,  realmente pareceu possível.

Você pode falar alguma coisa sobre o roteiro que vocês tinham, ou é meio...?

RF: Bom, era, obviamente, uma continuação da história original com os mesmos personagens. Eu acho que a única coisa que posso dizer é que... a ameaça aos nossos heróis não eram só os zumbis, eles encontram outras pessoas que queriam disputar uma posição.

Você foi ligado a "Spy Hunter".

RF: Certo.

Este é definitivamente o seu próximo projeto ou é uma possibilidade?

RF: É uma possibilidade. No desenvolvimento de um filme, as coisas demoram muito. Dan Lin, que produziu "Caça aos Gângsteres", tem os direitos. Eu amo filmes de James Bond. Eu amo filmes de espião. Eu acho que Bond e Bourne são filmes sérios e sombrio, e se levam muito a sério. Então... o meu negócio é mais filme-pipoca, eu acho. Então eu estava empolgado para fazer uma divertida, engraçada, com locações exóticas, carros incríveis... versão de um filme sobre espião. O que é ótimo sobre "Spy Hunter" é que... Nós temos um título incrível, um carro incrível, e uma ótima música tema. E nós podemos usar isso para lançar uma nova franquia, que espero que compita com as outras franquias, mas que seja uma versão mais divertida de videogame de um filme de espião.

 


 

 

Caça aos Gangsteres estreia 1˚ de fevereiro nos cinemas.

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