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Adeus, Primeiro Amor / O Pai dos Meus Filhos | Crítica

A aproximação de dois filmes da diretora Mia Hansen-Løve permite entender a imagem que ela faz das cidades e, especialmente, de Paris

Marcelo Hessel
19 de Janeiro de 2012

Adeus, Primeiro Amor

Adeus, Primeiro Amor

Un Amour de Jeunesse
França , 2011 - 110 minutos
Drama

Direção:
Mia Hansen-Løve

Roteiro:
Mia Hansen-Løve

Elenco:
Lola Créton, Sebastian Urzendowsky, Magne-Håvard Brekke

Excelente
O Pai dos Meus Filhos

O Pai dos Meus Filhos

Le Père de Mes Enfants
França , 2009 - 110 minutos
Drama

Direção:
Mia Hansen-Løve

Roteiro:
Mia Hansen-Løve

Elenco:
Louis-Do de Lencquesaing, Chiara Caselli, Alice de Lencquesaing, Alice Gautier, Eric Elmosnino, Sandrine Dumas, Magne-Håvard Brekke

Ótimo

Por uma feliz coincidência do circuito, o público pode conhecer nos cinemas daqui dois filmes de uma das diretores mais promissoras do cinema francês, Mia Hansen-Løve. Uma coincidência breve - Adeus, Primeiro Amor resiste em poucas salas e O Pai dos Meus Filhos fica apenas uma semana no CineSESC de São Paulo, lançamento em parceria com a Cinemateca da Embaixada da França - mas que permite analisar os dois filmes como expressões de uma mesma visão de mundo.

O Pai dos Meus Filhos, segundo longa de Hansen-Løve, acompanha o produtor de cinema Grégoire (Louis-Do de Lencquesaing), casado com uma italiana e pai de três filhas. No início, parece o típico workaholic que carrega dois celulares e trabalha mesmo nas horas de folga, tentando equilibrar as muitas demandas do ofício (cineastas excêntricos, orçamentos estourados) e da família (esposa carente, primogênita adolescente aborrecida). Aos poucos, percebemos o preço que a vida tem cobrado de Grégoire - especialmente depois que o produtor comete um ato desesperado de fuga.

Embora trate de um tema mais leve, Adeus, Primeiro Amor, terceiro longa da cineasta, lida com uma passagem tão marcante quanto a crise de meia idade de Grégoire: o fim do primeiro namoro. Camille (Lola Créton) acredita que continuará correspondendo-se com seu namorado, Sullivan (Sebastian Urzendowsky), depois que ele embarcar para uma viagem pela América Latina. Quando a comunicação entre os dois cessa, porém, depois de meses de cartas esparsas, e Camille se vê sozinha, ela encontra refúgio em um curso de arquitetura - que apresenta à garota uma outra maneira de ver as coisas.

Nos dois filmes, Paris não representa, inicialmente, um ponto de interesse. Camille espera na cama enquanto Sullivan busca na farmácia uma pílula do dia seguinte, no início de Adeus, Primeiro Amor - todo o espaço com o qual ela tem contato está condicionado à presença e à intimidade do namorado. Quando os dois decidem celebrar os últimos momentos juntos, antes da viagem de Sullivan, deixam a cidade e vão para uma casa de campo. Da mesma forma, Grégoire em O Pai dos Meus Filhos mora em Paris mas também transita mais à vontade pelo campo - quando visita os sets de seus filmes ou quando folga com a família.

Colocados os filmes lado a lado, fica mais clara uma impressão que já se percebia olhando-os individualmente: essa recusa inicial do espaço urbano representa uma vontade inconsciente dos personagens de fabular um espaço "virgem", como se adotar o campo, uma tela em branco, permitisse usufruir de fato uma vida idealizada. Em Adeus, Primeiro Amor, quando chegam à casa de campo, Camille e Sullivan escolhem dormir não no quarto dos adultos, mas nos das crianças - a viagem ao campo, afinal, é uma ficção da eterna inocência, votos para que esse primeiro amor nunca acabe. As ficções de Grégoire são mais literais (afinal, ele vive de contar histórias) e frequentemente tentam reencenar o passado: a filmagem de um épico de época, o resgate de um velho diretor ou uma visita a ruínas dos templários com as filhas. Logo mais descobriremos que Grégoire tem segredos que envolvem, justamente, seu passado.

Obviamente, essa tentativa de substituir o convívio coletivo (e o presente) por uma idealização logo se desfaz. Paris representa o convívio; o retorno à cidade é doloroso para os personagens de Hansen-Løve, mas esse é um pesar que parece inerente à cidade, como se Paris cobrasse um preço de quem, depois de ter suas ilusões perdidas, agora pode enxergar o mundo sem falsas promessas. A cidade filmada pela cineasta não tem a mítica da velha Cidade Luz porque, afinal, é a desmitificação que interessa a Hansen-Løve (como também interessa a Olivier Assayas, mentor e hoje namorado da diretora).

Como diz Camille a seu professor, justificando seu interesse pela arquitetura, "os lugares me influenciaram e agora preciso compreendê-los". Essa frase parece ditar o cinema da diretora. No mundo todo, só Nova York compete com Paris no quesito influência, mas a imagem que se criou da capital francesa em décadas de cinema não condiz com a realidade de Paris hoje (o fato de "Que Será, Será" tocar ao final de O Pai dos Meus Filhos faz irônica menção a esse histórico cinematográfico). Por isso a cidade crua e funcional de Mia Hansen-Løve nos parece tão interessante. É um lugar com seus encantos, como qualquer metrópole, mas esses encantos não são dados, eles são conquistados em decorrência de uma experiência - e cada um tem a sua.


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Comentários (7)

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vinicius vinicius (22/01/2012 10:18:17)   16 -1
aff esses filmes que sempre tiram 4 a 5 ovos aqui, esses franceses, são tudo uns filmecos, nenhum nunca me interessa
n sera diferente com esses, n verei nenhum



sem avatar Eduardo (21/01/2012 04:21:30)   7 -1
N to dizendo q esse filme é ruim, ou q mt menos o Hessel n sabe criticar um filme ou q ele n entende, mas so disse pra ele deixar o lado critico dele de lado, pode ate assumir q um filme é ruim, mas se divertir ao ve-lo, pois pra alguem formado
nisso deveria se interessar por mais coisas que os filmes apresentam.



sem avatar Eduardo (20/01/2012 15:16:58)   7 -1
Ou Hessel, tu so gosta de filme frances e queen latifah e ainda tem coragem de meter o pau em otros filmes por ai, fla serio cara, tem todo direito de criticar, pois sei q tem mts filmes q n são perfeitos, mas vc pega um pekeno erro pra falar mal do filme todo, pior quando vc num tem nem argumento, ve um pouco os filmes com o coração cara, tira o senso critico pelo menos uma vez, tenta se divertir


sem avatar AdrianoL. (20/01/2012 22:36:08)   -1 0
ô Eduardo

Crie um repertório com o que há de melhor, não apenas nos filmecos americanóides, mas em filmes do mundo todo e que formaram a arte cinematográfica...te garanto que após assistir muito Bergman, Antonioni, Welles, Visconti, Fellini, Buñuel, Godard, Pasolini, Truffaut, Resnais, De sica, Angelopoulos, Rossellini, Kurosawa etc, etc e etc, mas Não apenas 1 de cada, assista pelo menos uns 6 ou 7 de cada um desses e te garanto que você não dará praticamente nenhuma importância á cineastas da moda que pipocam aqui e acolá como Nolan ou Snider...aliás ficará até difícil desligar o cérebro e se divertir, como você está sugerindo. Pelo simples motivo de que será sempre, sempre MAIS DIVERTIDO deixá-lo ligado.

Se a burrice é um vírus que se multiplica (geralmente em progressão geométrica), a inteligência é um vício, quanto mais se tem, mais você a quer, pois mais prazer ela causa. E ao contrário do que os burros pensam, só causa o bem.

E olha que eu acho as opiniões políticas do Hessel absolutamente estúpidas. Ele realmente é um semi-analfabeto quando opina sobre assuntos políticos mas de cinema ele entende, e não raro me surpreende positivamente, tanto no conteúdo quanto na forma de certos artigos. é o caso deste.


Nelson Nelson (20/01/2012 02:46:18)   176 0
Opa! Bela sugestões, vou ver se consigo conferir os trabalhos dela.



Louva Deus Rules Louva Deus Rules (19/01/2012 21:59:08)   156 0
Eu agora fiqei pensando...

Ainda bem q o o Hessel achou o filme bom, pq se cada um tem 110 minutos, ñ seria nada bom ver 220 minutos de um filme lixo...:)



Raul Raul (19/01/2012 21:02:18)   2210 1
O Cinema francês é foda, velho! É um filme bom atrás do outro.




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