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Cantando na Chuva faz 60 anos

Relembre um dos maiores musicais da história do cinema

Natália Bridi
27 de Março de 2012

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cantando
donal
manha
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A cena quase todos conhecem. Mesmo quem nunca ouviu falar do filme ou de Gene Kelly já viu, em algum lugar, de alguma forma, a representação do homem agarrado a um poste de luz, satisfeito por dançar e cantar na chuva – meu primeiro contato com a imagem, por exemplo, foi em uma revistinha da Turma do Mônica, com Cascão assumindo a pose em um delírio. A cena icônica – tão marcante como o Carlitos de Charles Chaplin ou o vestido esvoaçante de Marilyn Monroe – resume o espírito de Cantando na Chuva, uma euforia sincera, lúdica, que há 60 anos se mantém com “o melhor musical hollywoodiano de todos os tempos”, nas palavras da crítica Pauline Kael.

Lançado em 27 de março de 1952, o filme surgiu em consequência do sucesso de Sinfonia em Paris (An American in Paris, 1951) – vencedor do Oscar em seis categorias, incluindo melhor filme – e trazia novamente o talento de Kelly como coreógrafo e protagonista. O produtor da MGM Arthur Freed viu que um novo e prestigiado musical seria o veículo perfeito para o seu catálogo de canções escritas com Nacio Herb Brown (já usadas em diferentes musicais do estúdio entre 1929 e 1939). Coube aos roteiristas Betty Comden e Adolph Green encontrarem um cenário – o período de transição entre o cinema silencioso e o falado no final da década de 1920 – para construir a trama em torno das músicas de Freed/Brown. A direção ficou com Stanley Donen, com codireção de Kelly, repetindo a parceria de Um Dia em Nova York (On the Town, 1949).

A trama, bastante similar ao filme francês Étoile sans lumière, estrelado por Edith Piaf em 1946, tem como personagem principal Don Lockwood (Kelly), um popular astro do cinema mudo que precisa se adaptar a chegada do som (qualquer semelhança com O Artista também não é apenas coincidência). Suas raízes como cantor e dançarino de teatro de revista facilitam sua transição, mas o mesmo não acontece com seu par romântico nas telas, a estridente Lina Lamont (Jean Hagen). Com o estúdio determinado a transformar sua última produção em um filme falado, The Dueling Cavalier, é o melhor amigo Don, Cosmo (Donald O'Connor), quem sugere que a aspirante a atriz Kathy Selden (Debbie Reynolds, a mãe da Princesa Léia, Carrie Fisher) duble a desafinada Lina.

Dentro dos conflitos mudo versus falado surge o humor, inspirado por histórias reais do período de transição. A apresentação do sistema Vitaphone de cinema falado, por exemplo, que não impressiona seus espectadores (como aconteceu com a demonstração do inventor Lee DeForest para o Phonofilm, em 1921); o êxtase em torno do primeiro longa-metragem falado, O Cantor de Jazz (The Jazz Singer, 1927); a dificuldade dos atores falarem em direção aos microfones escondidos em objetos de cena; a inadequação do roteiro mudo, que transforma uma cena em que Don se declara a Lina em comédia (em referência a uma cena do ator John Gilbert em seu primeiro filme falado, His Glorious Night, de 1929); a necessidade da contratação de um técnico vocal para os atores; e, finalmente, a revelação da verdadeira estrela do filme, Kathy, quemostra a um cinema lotado a voz estridente de Lina.

Ironicamente, o maior musical da história do cinema tem apenas uma canção original, "Moses Suposes", com letra de Comden e Green. Nem mesmo sua canção-título era novidade, já tendo sido usada em diversas produções, sendo a primeira vez em The Hollywood Revue of 1929, um dos primeiros filmes falados da MGM (e que mais tarde apareceria como parte importante de outras produções, como Laranja Mecânica (1971), de Stanley Kubrick). Outra canção, "Make 'em Laugh", mesmo que tecnicamente original, não passa de um plágio de "Be a Clown" de Cole Porter, usada em outro musical produzido por Freed e estrelado por Kelly, O Pirata (1948).

Violações da propriedade intelectual à parte, o número musical interpretado por O’Connor é um dos momentos que transformaram Cantando na Chuva em um clássico. A cena, uma mistura de comédia clown com sapateado acrobático, parece ter sido improvisada, sem qualquer ensaio anterior, tamanha a espontaneidade dos movimentos do ator – que depois das filmagens precisou ser hospitalizado, já que seu pulmão consumido por quatro maços de cigarro ao dia não resistiu ao esforço. Para gravar a cena em que canta e dança na chuva, Kelly também precisou superar adversidades, como uma febre de 39°e um terno encolhido pela mistura de leite e água usada para realçar a chuva. Cota de dor que também coube a Reynolds – os pés da atriz sangraram de tanto sapatear na gravação da sequência de "Good Morning".

Nada disso, é claro, pode ser visto em cena. O que transforma Cantando na Chuva em um dos melhores musicais da história do cinema é o sentimento, por vezes bobo, de uma alegria autêntica, quase infantil. O filme, feito com certa liberdade graças ao prestígio recebido por Kelly em Sinfonia em Paris, carrega um tom de improviso que nos aproxima dessa realidade paralela onde pessoas cantam e dançam para expressar sentimentos e problemas. Fica impossível, então, não se lembrar da famosa cena quando se estiver por aí, caminhando feliz, e começar a chover.

O trailer do filme:

E sua famosa cena:


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Comentários (26)

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sem avatar Mister (29/03/2012 16:58:13)   5 0
Dignity,always dignity.



Romualdo Romualdo (27/03/2012 20:48:54)   1616 1
Amo muito esse filme cara... tive que comprar e guardo com o maior cuidado do planeta. Bateu saudades aqui, vou ver de novo rs.



Wagner Wagner (27/03/2012 19:47:31)   50 0
Meu primeiro contato com a cena foi em Chapolin heheehehehhehe



 Cristina Cristina (27/03/2012 18:48:52)   441 0
Amo de Paixão esse filme, é um dos meus favoritos 60 anos? Que encante e apaixone até depois dos cem!



Juliana Juliana (27/03/2012 16:19:43)   61 1
É incrível como esse filme é maravilhoso. Acho que é o único filme que transmite as mesmas sensações e emoções para todo o tipo de público, em todas as idades. Minha mãe diz que as mesmas emoções que ela sentia quando criança... ela sente hoje. É perfeito, maravilhoso.
Já assisti umas mil vezes e toda vez parece ser a primeira vez.
Amo, amo, amo esse filme.



MARCIUS VINICIUS MARCIUS VINICIUS (27/03/2012 16:12:05)   44 0
Simplesmente perfeito!!! Uma época que não volta... Um dos melhores filmes em todos os tempos.



Mário Eduardo Mário Eduardo (27/03/2012 15:42:16)   20 0
"Cantando na Chuva" é simplesmente sensacional.



sem avatar Vitor (27/03/2012 14:58:02)   946 1
Realmente,Cantando na Chuva é um dos maiores clássicos de todos os tempos.É de uma época em que o cinema era simples,nada mais,nada de complicado,produção simples,porém grandiosa por si só e que será imortalizada para sempre.Adoro esse filme.



Ricardo Ricardo (27/03/2012 14:54:06)   1416 0
Sempre que eu assisto este filme (tenho ele original) sinto uma vontade de dançar igual o Donald O'Connor em "Make 'em Laugh"! Meu, essa performance te dá uma sensação tão boa que você acaba ficando meio serelepe também.

Nossa, eu adoro esse filme.

Um dos poucos musicais que eu assisto mil e trocentas vezes e jamais me enjôo.

E como conta de forma legal a crise que os aristas estavam enfrentando com a transição do cinema mudo para o falado, muito como fez O Artista recentemente, só que sem muito serelepismo.

Cantado na Chuva é o filme perfeito para se ver numa tarde de domingo.



marcos marcos (27/03/2012 14:31:06)   32 0
quando assisto cantando na chuva,da vontade de sair pela rua dançando e cantando como Gene Kelly!!!filme inesquecivEL!!!



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Tiago Tiago (27/03/2012 14:30:02)   11 0
Ai caramba!
Por um instante, quando li o título da matéria, achei que iam fazer um remake desse filme.
Espero que ninguém lá na gringa tenha esta maldita idéia.

PAREM COM OS RAMAKES! Pelo amor de Deus.


sem avatar Vitor (27/03/2012 14:55:12)   946 0
Remakes são muito bem vindos sim!!Dependendo da obra que vai ser refeita,o diretor que pega o trabalho e os atores escalados.Um exemplo disso é Os Homens que Não Amavam as Mulheres,que mesmo sendo muito novo nos cinemas,tanto o original quanto o remake,mas o remake é,na minha opinião,melhor do que o original.Mas realmente,tem obras,como Cantando na Chuva,O Poderoso Chefão,A Noviça Rebelde,entre outros que são eternos.


O Besouro Azul O Besouro Azul (27/03/2012 14:06:48)   185 1
pra mim a melhor sátira desse filme é de Roberto Bolaños ^^


marcos marcos (27/03/2012 14:34:24)   32 0
bem lembrado besouro.Roberto Bolaños fez uma bela homenagem a Gene Kelly,ficou perfeito!!


Sergio Sergio (27/03/2012 13:14:39)   159 0
nossssssssssssaaaaaaaaaaaa 60 anos

sempre eu digo essa frase
quando uma coisa é bem feita,ela não dura um dia ou uma semana ela dura para sempre.



Marcos Marcos (27/03/2012 13:08:15)   -9 0
Até que enfim concordo com a opnião do pessoal do Omelete....é o melhor musical de todos os tempos.



Wendell Wendell (27/03/2012 12:52:11)   440 0
Me gusta demais,primeira vez que vi o filme foi em uma aula de artes desde esse dia quis muito terminar de vê-lo até comprei o dvd.



Hector Hector (27/03/2012 12:42:37)   752 1
"O que transforma Cantando na Chuva em um dos melhores musicais da história do cinema é o sentimento, por vezes bobo, de uma alegria autêntica, quase infantil."

Resumiu de forma brilhante o que esse filme significa... já assisti a Cantando na Chuva diversas vezes no decorrer dos anos, e é exatamente essa sensação que ele sempre me transmite.

Ótima matéria.


Marcos Marcos (27/03/2012 13:08:28)   -9 1
Assino embaixo do que escreveu.

Mário Eduardo Mário Eduardo (27/03/2012 15:34:37)   20 1
Concordo.

sem avatar Giovana (28/03/2012 00:24:32)   1 1
Minhas filhas já assistem e adoram! E eu, boba, rio todas as vezes das mesmas coisas!


IgorLiraVox IgorLiraVox (27/03/2012 12:34:18)   1307 0
Clássico dos clássicos dos clássicos.....

Imortalizado.....

Inesquecível.....

Eterno..........



João Vitor João Vitor (27/03/2012 12:26:22)   427 1
2012, o ano do omelenauta.




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