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Crítica: 21 gramas

21 gramas

Marcelo Hessel
08 de Janeiro de 2004

21 gramas

21 gramas

21 grams
EUA , 2003 - 125
Drama

Direção:
Alejandro González Iñárritu

Roteiro:
Guillermo Arriaga, Alejandro González Iñárritu

Elenco:
Sean Penn, Naomi Watts, Benicio Del Toro, Charlotte Gainsbourg, Melissa Leo, Clea DuVall, Danny Huston, Carly Nahon, Claire Pakis, Nick Nichols, John Rubinstein, Eddie Marsan

Excelente
21 Gramas
21 Gramas
21 Gramas

Duas coisas podem acontecer com um diretor estreante que filma fortemente, sem concessões. Ser engolido pela fama súbita e pela pretensão ou responder às expectativas com maturidade. Na primeira, é comum ver cineastas obcecados por imagens de impacto, mas gratuitas e vazias, num ciclo de tentativas de repetir o sucesso inicial. Na rara segunda opção, o diretor não perde o vigor, ganha mais sensibilidade com o tempo e ainda consegue surpreender a cada filme.

A questão ganha contornos mais dramáticos no caso do mexicano Alejandro González Iñárritu. A sua estréia na direção, Amores brutos (Amores perros , 2000), estremece o mundo e ele logo ganha Hollywood. Aí começa o temor. De cara, o estrangeiro é escalado para participar da série de curtas sobre uma ferida nacional, o 11 de setembro. Só que Iñárritu pesa na dose. Mostra gritos reais dos mortos na catástrofe e cenas de suicidas nas janelas do incendiado WTC. Pior. Na escalação do seu primeiro longa nos Estados Unidos, já pintam nomes como Sean Penn e Benicio Del Toro, coisa séria mesmo. Responsabilidade em demasia.

Seria muito fácil, enfim, sucumbir à síndrome do segundo trabalho. Mas, felizmente, diante de 21 gramas (21 grams, 2003), já é possível dizer que Iñárritu se encaixa com grandes louvores na segunda hipótese, o pedestal dos sobreviventes.

Modo Charles Bronson de ser

21 gramas é o peso de um colibri, um beija-flor. Mas é também a quantidade de massa que uma pessoa perde no instante em que morre. Assim diz o matemático Paul (Penn), o narrador. E o contato com a morte é o que liga o personagem a outras duas pessoas: Jack (Del Toro) e Cristina (Naomi Watts). Cristão fervoroso, convertido depois de anos na prisão, pai de dois filhos, Jack acidentalmente atropela o marido e as duas meninas de Cristina. Paul é salvo ao ter transplantado o coração do marido morto. Mas ao descobrir as circunstâncias do acidente, se sente na responsabilidade de consolar Cristina. Ela pede, então, que a ajude na vingança.

Evidentemente, há pontos em comum com o filme mexicano: a narrativa fragmentada, a catástrofe-coincidência que coloca destinos em choque, a violência poética. Mas fica difícil dizer qual é melhor. Se Amores brutos trata visceralmente cada um dos seus vários temas, o trio de 21 gramas prima pelo desempenho inigualável, com destaque para o vigor de Naomi Watts e a intensidade de Del Toro.

Não chega a incomodar tanto a narrativa em off de Paul, revestida de uma certa pretensão pseudofilosófica. É dado esse desconto a Iñárritu, uma vez que o filme tem no enfoque atualíssimo a sua maior qualidade. Afinal, fermenta no seu miolo a discussão de um tema cada vez mais genuinamente norte-americano: a necessidade de vingança e a dificuldade em se ajustar à inevitabilidade da morte. Depois dos ataques terroristas e da conturbada invasão ao Iraque, obras como 21 gramas ou Sobre Meninos e Lobos (Mystic River, de Clint Eastwood, 2003) abordam de forma crítica esse modo Charles Bronson de ser.

E o abordam muito bem. Iñárritu, por exemplo, resume toda a complexidade da questão a uma tomada de milésimos de segundo: quando Paul toma a atitude definitiva, drástica, diante de Cristina e Jack, no quarto do hotel. Olha, chega a arrepiar os cabelos pubianos, só de lembrar.


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Comentários (1)

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Zek Zek (07/04/2011 10:03:54)   0 0
"chega a arrepiar os cabelos pubianos, só de lembrar"

sorry, but was gay!




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